sábado, 28 de janeiro de 2012

In my life, I loved you more.

Na minha vida, sempre foi mais legal a parte da espera. Sei lá, aquela coisa boa-e-ruim tudo ao mesmo tempo q dá no fundo do estômago e sobe palpitando o coração, junto com um arrepio na espinha e parece que todo o corpo se comprime, e, quando acontece, relaxa.
É como se a parte da preparação fosse tão boa quanto o que eu receberia no final.
Desde quando eu me lembro, eu esperava o final de semana pra entrar na internet e falar com ele ou ligar pra ele ou ir no shopping, whatever, com ele. Era a época de internet discada ainda.. Bons tempos. Depois, eu ficava ansiosa por dormir e acordar no outro dia e passar o dia inteiro conversando... Época de férias, antes de começar a trabalhar... Depois querer que chegasse logo a hora do almoço pra ir encontrar com ele "em frente ao álibi" (uns poucos entenderão essa)... Por último, era chegar a sexta-feira, mais ou menos essa hora, e esperar o telefone tocar... Ou o carro aparecer na frente de casa, depois disso ainda...
E ficar aguardando, lutando contra o sono que, na verdade, nem conseguia chegar direito... Tudo pra ter aquela catarse no final, dormir sorrindo...
Era tão bom ter alguém por quem esperar.
Hoje?
Hoje eu não sinto que valha a pena.
Não sei.. parece que todo o tempo de espera é tempo perdido, e eu não sei mais sentir aquele aperto no coração de que "daqui a pouco ele chega"... Sentir o cheiro dele numa brisa de inverno... Ouvir o som do tênis pisando nas folhas secas de outono... Levar o celular e enxer ele de areia na praia, só pra ouvir sua voz, uns poucos minutos... Receber a rosa numa surpresa já esperada, daquelas que você ficaria desapontada se não acontecesse. Sair de casa e ele estar lá, me esperando... E mesmo sem eu saber, eu também estava esperando que ele chegasse, com a rosa na mão.
O melhor de tudo sempre sempre foi a espera.
E hoje, simplesmente, não consigo mais esperar. Eu quero tudo, e quero agora. Não há tempo pra conquistas, pra vitórias nem derrotas. Hoje eu sou mais pragmática e se não tá bom, já pulo fora antes do estrago acontecer. É como se eu conseguisse identificar carros-bomba sem nem precisar olhar pra eles, ou dar uma voltinha e só depois me dar conta de que... tudo não passou de uma bela historinha e o tempo escorre pelas mãos, mesmo sem se sentir... E não há tempo que volte, mas... O que será que significa "Viver tudo o que há pra viver"???
Será que é se envolver com todo tipo de gente e situação ou evitar de levar tombos nesses caminhos?
Eu não sei te dizer... Mas nunca foi uma opção consciente essa de me apaixonar perdida e loucamente por alguém, e todos os arrepios e borboletas no estômago que isso traz... Mas foram tantas as vezes que eu sentei na minha cama de noite, sozinha, e chorei todo esse amor pra fora, que acabou jogado no lixo num lencinho de papel úmido. Parece que toda essa vontade de "amar" foi absorvida pelo kleenex e hoje me sobrou só a vontade de ser feliz. E nessa palavra, não existe necessidade de um par.
Eu não sei, mas acho que não tenho mais tempo pra essa ladainha.. Começo a me envolver nessas paixonites de chegar em casa e ficar esperando, ou sair na rua olhando para os lados, quem sabe ele passe por aqui... e me faça esquecer tudo que eu vi. Vivi. Acho que só esquecendo, mesmo, pra resolver todos esses traumas.. Que por mais que eu esconda, ainda ressurgem nas sextas-feiras de madrugada, quando chove e esfria... Quando eu páro, me lembro, e ainda consigo sorrir.


The long and winding road that leads to your door will never disappear.

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