sexta-feira, 21 de maio de 2021

Horas

 Faltam menos de oito horas pra você chegar. Embora seja a segunda vez, a ansiedade está do mesmo tamanho da primeira. Eu olho no relógio com horas de intervalo e sempre se passam dois ou três minutos. Só que o tempo não para quando você está aqui, ele corre e muito rápido.

O frio deu uma maneirada hoje e a brisa que sopra é quente. Mesmo quando ela sopra, eu não respiro. Como você disse ontem, a respiração fica na garganta. Não passa. Tem hora que no meio do calor dá frio, e eu não consigo passar muito tempo olhando para o mesmo ponto. Os olhos vão longe, pro canto direito do teto, pra fora da janela, pra alguma mancha no chão. Outra brisa sopra, mais uma vez o ar não entra.

Meu corpo quer ir correndo ao seu encontro, mas não vai encontrar nada ainda. Ele tem que saber esperar. 

Nunca estivemos tão perto do resto das nossas vidas. E de sermos felizes pelo resto das nossas vidas. Nunca estivemos tão maduros, tão certos, tão conscientes, mas às vezes eu me sinto como se voltasse a ser aquela menina que não tinha ideia do que estava fazendo, só sabia que tinha que te manter por perto, porque amava o que sentia na sua presença. As inseguranças continuam as mesmas, embora a gente tenha feito outras promessas, muito mais reais e factíveis. O medo irracional de que você desista de nós ainda aumenta a cada momento, porque a cada momento eu estou mais dentro de tudo isso e quanto mais fundo, mais inviável é sair daqui. Mais longe está essa possibilidade. Mais difícil enxergar isso acontecendo. E eu tenho medo de não enxergar o depois porque eu sei que não teria depois.

Eu não posso prometer que não vou mais errar, mas prometo que nunca serão erros graves o suficiente pra que você queira desistir de nós. 

Acho que nesse tempo todo a gente aprendeu muito sobre perdão e resiliência e isso nos tornou muito mais fortes. Hoje, a gente é capaz de encarar qualquer coisa, se ainda houver amor. Do lado de cá, sempre haverá. 

Eu não quero mudar nada em nós, só a distância.

Quero que a gente fique assim, exatamente assim, porque dentro desse nosso amor cabe tudo, as nossas duas vidas, nossas viagens, nosso cachorro, nossa casinha na chácara com pomar, e não precisa de mais nada.

quinta-feira, 29 de abril de 2021

Chegada.

Dia dezenove de abril, o dia do santo das causas impossíveis, você chegou. Durante uma semana toda não houve sequer um minuto no qual meus olhos não ficassem perdidos no universo por trás dos seus. E eu viajei anos luz por dentro de você em cada instante em que nós, de corpos colados, estávamos tão perto que seus batimentos se misturavam com os meus, o ar entrava e saía em sincronia, a pele esquentava e arrepiava ao toque. Esses momentos duravam segundos que pareciam anos e, no final, a semana pareceu passar em um minuto. Essa contradição que me faz viajar por milênios no seu universo enquanto o tempo corre como folha seca no vendaval só pode significar que o que eu sinto por você não é palpável, nem é desse mundo, não respeita as leis dos homens e das coisas. É muito além do que palavras juntas conseguem dizer, maior que o grito mais alto que minha voz consegue emitir, mais fundo que o respirar no momento de agonia que me toma quando penso na possibilidade de te perder.

 Quando você prende meu corpo nos seus braços é o único instante que eu sinto paz. Qualquer milímetro de distância que exista entre nossas mãos parece um abismo intransponível, eu fico perdida do lado de cá sem sua luz pra mostrar o caminho. 

Cada sorriso bobo que eu arranco do seu rosto é capaz de afastar todo o mal pra tão longe, que não importa tudo de péssimo que tenha acontecido no meu dia, a maldade se dissolve e eu só consigo pensar na sorte que tenho por ter te encontrado.

Eu gosto tanto de te olhar de perto e ver cada linha do seu rosto, cada marca do seu corpo, seus poros, pelos, boca, água, textura.

Te amo desde os fios de cabelo até a marca que sobra tua no chão que você pisa. A sua marca em mim nunca desbotou, está viva e vibra desde o princípio, se multiplica e quando eu acho que não tem pra onde crescer, arruma espaço e se deita sobre tudo que é vida em mim. O mundo só existe com suas cores e toques e cheiros. Nada mais importa, nunca importou. Só quero respirar a tua essência até que o sol não nasça mais, porque o mundo resolveu se fazer noite pra que a gente possa deitar no chão e eternamente olhar as estrelas. 

É isso que eu desejo pra nós. Um céu estrelado, uma brisa de verão e minha cabeça no seu peito, as risadas abafadas diante das bobeiras ditas sem filtros, sem limites. Sem fim.

segunda-feira, 5 de abril de 2021

Mais dois anos se passaram

 Como um sopro. 

Desde daquele dia de março, a Terra já completou duas voltas em torno do sol e tanta coisa aconteceu. Deixei muita gente entrar e sair da minha vida, a porta escancarada, que só fechava com o vendaval. Dias se sucediam tão rapidamente inobstante todo o tédio de um céu sem nuvens. Choveu, geou, não sobrou um resquício da grama verde. Tudo coberto de cinzas. O mundo colapsou e eu fui pega desprevenida no meio de um emaranhado de teias. O medo, que nunca deixou meu lado, se aconchegou ainda mais. Houve tardes de desespero, noites de apatia. Dias sem me levantar. Misturei a dor da sua perda com outras tantas que caíam igual tempestade e a calha já não segurava. Perdi essa dor no meio das demais. Esqueci você. Mas só até tocar aquela música.

Fracassei mais duas vezes ao tentar me apaixonar. Nada mais raso do que evitar a reflexão. Passei a pensar pouco, falar pouco. Li algumas coisas, forcei o interesse em outras. Tentei tanto imaginar minha vida ao lado de quem já estava ao meu lado, mas a imaginação não conhece fronteiras e num piscar de olhos já viajava mil quilômetros até você. E por lá ficava.

Um dia, por alguns minutos, o medo não me paralisou e eu te liguei. E, como sempre, foi como se tivéssemos nos falado há poucos dias, como se você nunca tivesse ido embora. Como sempre, quis que você ficasse. Dessa vez, você disse que ficará.

Eu mergulho tão fácil no fundo do seu oceano. Eu fecho com força a porta depois que você entra. É tão bom poder falar de qualquer coisa, não me envergonhar por quem eu sou em todas as minhas falhas e derrotas, porque os olhos que você usa pra me ver vão mais além dos erros. Você sabe quem eu sou, por dentro, por inteiro, conhece cada gesto meu, pausa na respiração, riso no olhar. Nenhuma mágoa se perpetua, nem nenhum ressentimento se mantém, porque quando a gente vê lá no fundo do oceano que somos, lá tem a mesma matéria, mesma alma, mesma vontade, mesma pressa. 

Eu te amo pela tua essência.

Um rascunho de 2019 que não tinha sido publicado.

Hoje é um daqueles dias em que a necessidade de escrever salta pelos poros. Que o coração pula dentro pedindo por favor pra se esvaziar, que está cheio demais e vai explodir em cinzas. É uma angústia por sentir algo de bom mas não se permitir, nem saber ou entender o que é que está sentindo. Ou porque não mereço ou porque já não sou capaz.
O único amor romântico é o nosso.
Mas eu te reinventei, procurei e encontrei outro você, em outro lugar. Mil vezes mais perto. Exatas mil vezes. E aí ele é o conceito de romantismo. É a fonte de toda a beleza das palavras. E eu não consigo nem ouvir.
Tá tudo calmo e quieto e em paz. E minha cabeça vem regurgitando a imagem do dia em que eu adotei a Betha, depois que a Teca morreu, e eu chorei sem entender nem por que. Como se eu estivesse tentando substituir o amor de uma pelo da outra, a fórceps, a queima-roupa. Queria me rasgar e picotar a dor da perda mas só fui capaz de fazer o que seres humanos comuns fazem: seguir adiante.
Eu não quero deixar esse pedaço meu que ficou em você voltar pra mim.
Nem sei mais me sentir inteira. Sempre teve essa falta, exceto naqueles minutos em que nossos corpos foram um.
Me acostumei à dor da sua ausência e não quero deixar de senti-la.
Mas preciso me desvencilhar dessas garras invisíveis que me levam de volta pra você, mesmo sem saber como ou onde, sem te ver ou perceber onde está.
Fecho os olhos e vejo seu olhar me dizendo junto com a boca que tudo era verdade e sempre foi.
E eu estava de costas e você disse que eu era o amor da sua vida e meus olhos brilharam mais que todas as estrelas de todas as galáxias.
Em resumo, eu estive lá, junto com você, e o mundo poderia acabar, eu nem seria capaz de notar.
E como que depois de experimentar esse mar eu posso perder o medo de me afogar? Se todo o ar que eu tinha acabou há muito tempo e meu corpo é náufrago, escravo da espera pela tua volta?
No primeiro sinal que meu coração deu de se reacender, eu passei a noite inteira sonhando que estava em seus braços. Quando outro abraço me aconchegava com o afeto que preenchia o quarto inteiro, eu só via ausência. Tentava prestar atenção naqueles olhos verdes que diziam "você foi feita pra mim, você é tudo que eu quero e o que eu esperei minha vida toda encontrar", e eu queria sentir o mesmo, juro que queria.
A água condensada já nem jorra mais.
Foi vento e o céu ficando escuro e a temperatura caindo e eu arrefecendo. Igual máquina.
Minha única fuga dos dias iguais é você e é como se alguém me entregasse uma bandeja de felicidades e eu só conseguisse enxergar o vazio porque aquela pessoa atrás dos olhos não era você.
Eu queria bater a porta e sair correndo na rua escura e o salto do sapato escorregando nas pedrinhas de piche molhadas da chuva que passou. Queria chegar com os cabelos molhados e tomar um banho quente, colocar meias fofinhas enquanto ouço o barulho da chaleira apitar a ebulição. Queria me sentir quente e viva por dentro e que meus sorrisos voltassem a sair da alma, que é o que acontecia quando eu tinha você.
Talvez eu devesse agora escrever um texto bonito pra ele, dizendo que ele é quem me faz sentir o que eu sentiria com as meias quentes e a ebulição da água, mas só consigo falar sempre a mesma coisa: você me faz sentir muito mais do que amor. Os outros são os outros, e só.

sexta-feira, 17 de maio de 2019

Certamente, ninguém se lembra mais que esse blog existe. Ninguém mais nem lê blogs. Passou o tempo. Ninguém, exceto você, que quando eu mencionei esse blog, já disse logo "um ídolo", sem titubear. Me perguntou se eu havia apagado tudo, como se eu pudesse apagar você.

Eu voltei pra cá porque achei tão interessante poder olhar o que eu pensava dez anos atrás, foi como se eu pudesse me ver. Me deu vontade de me dizer tanta coisa. Aprendi muito nesse tempo que passou, mas não foi o suficiente. Dez anos depois me vejo, novamente, te ligando sem esperança alguma de que sua voz atenda do outro lado. Deplorável.

Mas vamos ao que interessa... Escrever pra mim, pra que eu possa ver outra vez, daqui a dez anos, quem é que sabe?

Os últimos posts desse blog são de quando eu estava começando aquele que seria o pior namoro da minha vida. Mal sabia eu o que me aguardava. Naquele começo foram tantas coisas boas, sentimentos novos efervescendo na pele. Depois de um ano sozinha, restaurada, nenhuma ferida à mostra, eu me entreguei pra primeira pessoa que me ofereceu, ao mesmo tempo, segurança e novidade, corda-bamba com rede embaixo. Eu me joguei porque sempre fui assim: queria sentir tudo que tivesse pra sentir. Não me arrependo, não. Passei umas vergonhas, uns perrengues brabos com isso, mas tudo me tornou o que eu sou hoje, e acho que tenho sorte até demais.

Com a Leila, tudo foi um conto de fadas, até não ser mais. Até a primeira vez que ela ficou bêbada e agressiva. A primeira vez que ela me subjugou e me ofendeu. Até eu começar a também beber às vezes pra ver se eu conseguia curtir igual, pra ver se era melhor. Me lembro de rodadas de tequila e o teto girando. Lembro de tentar comprar lingeries diferentes e frequentar sex shops, coisa que nunca tinha feito. Foram muitas festas, muito álcool, muita coisa que eu nem lembro que fiz.
Ela me cuidava, é certo. Na maioria das vezes. Outras vezes, eu sentava no canto do quarto, de madrugada, e chorava no escuro. Algumas vezes, trancada no banheiro, me olhava no espelho em total desespero me perguntando o que estava tão errado em mim, que eu continuava lá. Aquelas vezes que, na hora de dormir, eu tentava abraçá-la e ela empurrava meu braço. Mas ela estava lá pra mim. Cuidava quando eu tava doente, dava banho se eu estivesse bêbada demais, me levava e trazia pra todo canto, segurou a onda da homofobia na família junto comigo, me apresentou pra família dela, brilhava os olhos quando falava de mim pros amigos, me apoiava nas minhas decisões, me ajudou na mudança, depois trouxe sozinha tanta coisa, vinha me ver, me buscar. Aí um dia ela me traiu e eu descobri e puff. Toda aquela obsessão, finalmente, chegou ao fim. Eu sempre soube que ela ia me trair, porque ela traía todo mundo, sempre, e comigo não seria diferente. E eu passei por todos aqueles abusos, e a única coisa que eu achava que me autorizaria a pôr um fim seria a traição, e ela veio. E eu estava aqui, a duzentos quilômetros de um ombro amigo qualquer que fosse, e entrei em desespero. Voltei a ter crises de pânico e, sozinha, tomava chá de maracujá com camomila pra tentar dormir. Foram noites em claro e litros de água com sal. Uma amiga querida veio passar o final de semana comigo e quando ela foi embora, e me vi sozinha de novo, chorei com mais dor. Aí fui tentar esquecer, baixei o tinder, foi aí que começou outra história, antes mesmo de acabar essa. Enquanto a Leila ainda me ligava bêbada dizendo que a vida dela não tinha sentido sem mim, eu estava no segundo encontro com o Alexandre, com quem eu acabei "casando".

Não cheguei a passar três semanas solteira. Beijei um menino só, e depois ele, e aí já estávamos sérios. Não deu tempo de curar as inúmeras feridas que a Leila abriu em mim, e até hoje estão aqui. Eu nem sei como comecei um relacionamento estando em cacos, como eu estava, meu deus, quanta imaturidade. E não teve ninguém pra me falar que eu não devia fazer isso. Bom, eu mesma me falei, e falei pra ele, e teve confusão e eu não queria ficar sozinha, então aceitei quando ele foi ficando. Esse namoro começou, pelo menos da minha parte, pelo motivo errado. Primeiro, eu não queria ficar sozinha. Depois, era legal estar com alguém que conhecia tudo aqui, que pudesse me mostrar os lugares, porque embora eu já morasse aqui há dois anos, não tinha ido a canto nenhum. Mal tinha passado dois finais de semana nessa cidade. Eu queria alguém que me mostrasse tudo e entrar em algum círculo de amizades, e ter um almoço em família no domingo. Alguém que, de novo, cuidasse de mim. E ele foi maravilhoso em todos esses aspectos. Na verdade, em todos os aspectos possíveis. Sempre me respeitou, poucas foram as vezes que eu vi ele nervoso, acho que nunca levantou a voz pra mim. Brigamos uma vez, por uma crise minha, só minha, que ele não tinha nada a ver. Sempre fomos suaves um com o outro, sempre levamos como se fosse uma brisa. Nunca passou um vendaval. Acho que não saberíamos sobreviver a um. Mas sabe por que não passou? Porque a gente não se conversava. Claro, falávamos muito um com o outro, mas nunca sobre o que realmente acontecia dentro de nós. A gente nunca se conectou verdadeiramente e é por isso que foi tão fácil separar. Com o tempo eu fui sentindo falta dessa conexão real. Os amigos dele eram legais, mas quanto eles sabiam de mim? Quanto o meu próprio "marido" sabia de mim? Ele sabia os dramas que eu vivia no trabalho, na minha família, ele me conheceu em todas as minhas atitudes possíveis, ele sabia exatamente como eu era, mas nunca soube quem eu era. Eu nunca abri essa porta. Acho que errei, mas não foi consciente, não foi intencional, eu só estava fechada. Quando começamos, fiquei toda feliz por perceber que podia confiar nele e que os traumas do meu último relacionamento não estavam interferindo no atual, porque embora eu tenha sido vítima de uma deslealdade monstruosa, isso não acabou com a minha capacidade de confiar nas pessoas. Mas eu acho que entendi tudo errado. Eu confiava nele sim, e não tinha ciúmes, mas não é porque eu fui capaz de confiar. É porque fui incapaz de me importar verdadeiramente. Eu não deixei ele entrar, pra não doer se ele saísse. Eu me fechei, porque não quis sentir de novo a dor de ser traída, seja de que forma fosse. Eu sei que ele não ficaria com outra pessoa, mas essa não é a única forma de traição, e eu não podia me sujeitar a nenhuma. Me tranquei. A ferida está aí, aberta, ainda, a mesma. Minha intenção agora é passar pelo menos um ano sozinha, aprendendo a amar quem eu sou e, pra isso, preciso me transformar numa pessoa que eu seja capaz de amar. Essa é a parte mais difícil.

Em busca dessa mencionada conexão com alguém, eu fui me lembrar da única pessoa que realmente viu minha bagunça interna. O Carlos. Isso foi tudo de uma forma inconsciente. Em nenhum momento no meu relacionamento eu parei pra pensar que não estava me conectando com a pessoa que dormia e acordava do meu lado todo dia. Nunca enxerguei essa falha, nunca. Não sei se tinha conserto, mas sequer percebia que tinha algo pra consertar. E meu inconsciente me trouxe o Carlos e eu tanto fiz que consegui retomar o contato com ele. Quando voltamos a conversar, parecia que era 2009 tudo de novo. Eu comecei a acordar mais cedo porque ficava ansiosa pra falar com ele, passei a almejar ficar sozinha pra poder ligar, e dentro da minha cabeça eu pensava com a voz e o sotaque dele. Foram semanas intensas e eu transbordava. Tudo que eu sentia veio à tona e nele também, e foi um reencontro de almas. Nossas bagunças, embora mais esteticamente agradáveis, continuavam absurdamente reais e caóticas. E aí ele veio, foi, veio, foi, e um dia a gente se encontrou, e nossos olhos se sabiam, nossos corpos se sabiam, como se já se conhecessem. A descarga de emoções que veio de uma vez me tirou do eixo, eu perdi as palavras, eu não conseguia mais parar de pensar que era aquilo que eu queria viver pelo resto da minha vida. E aí ele foi de novo, e veio, e foi, e mesmo sabendo que eu não podia contar com ele, que eu não estaria trocando um pelo outro, eu terminei meu "casamento" de três anos e meio e fiquei sozinha. Engraçado que depois do dia que eu terminei, eu nunca mais ouvi a voz do Carlos. Hoje faz 17 dias. Tem horas que eu sinto saudade, em outras eu quero mandá-lo pro inferno. Daqui a uma semana eu estarei lá e não sei se ele estará, mas tudo vai acontecer como deve acontecer e eu estou em paz. Eu devia isso a mim, fazer o que acho que está certo. 

Vou caminhar só, por aí, pra ver se me encontro.