domingo, 1 de janeiro de 2012

ducentésima* octogésima quinta postagem

Todo blogueiro/twiteiro/facebookeiro está falando sobre o ano novo. Fazendo longos posts nostálgicos de como a vida foi boa e como pretendem que a entrada de um novo ano melhore tudo magicamente... É hora de rever tudo o que foi decidido e abrir uma nova página da vida, mudando todos os erros, mudando a si mesmo.
Eu acho que ano novo não é a única oportunidade pra fazer isso, é que as pessoas ficam mais tocadas pela saída de um ano e entrada de um novo. Mas, para mim, é só a entrada de um novo mês. De uma nova semana, de um novo dia. E oportunidade para mudar nós temos a cada novo minuto. Cada segundo que passa é uma página em branco na nossa vida que estamos preenchendo da maneira que quisermos preencher. Não adianta culpar o tempo que passou rápido demais e deixar pra resolver tudo só no dia primeiro de janeiro. E aposto com vocês que estas resoluções de ano novo já foram deixadas pra trás hoje, e amanhã, vai ter alguém falando que no próximo 01/01 pára de fumar, vai começar a academia, etc. etc. etc.
Eu acho tudo isso um puta conformismo.
Enfim... Se a passagem de ano significa alguma coisa, então vamos lá tentar achar esse significado.
Pelo menos é uma data que a gente se lembra, como primeiro dia letivo ou aniversário de alguém. Se eu posso me lembrar de como me sentia no 01/01 do ano passado, o que me vem à cabeça é: eu estava com pessoas que, graças à bondade do universo, permaneceram durante todo 2011 na minha vida, e isto em si, já é uma vitória. "Deus sabe" (e uso esta expressão só pelo mérito de "expressão") o quanto é difícil deixar as pessoas aqui. E que elas queiram ficar, também. 
Enfim... Eu estava me livrando de um erro cometendo novos erros... E ainda tenho que admitir que demorei um pouco pra me desvincular de 2009/2010... Sonhos eram recorrentes, vontades escondidas na madrugada, lembranças ... Mas posso dizer que não houve uma lágrima sequer de tristeza. Hoje, mais forte e feliz, com certeza, vejo que trilhei o melhor caminho possível durante todo o ano passado. Hoje, sequer me lembro das emoções, as músicas - muitas delas, pelo menos - já se desvincularam... Não penso mais em contar nada, nem pra ninguém. Passei boa parte do ano solteira, mas não sozinha... E era um projeto que eu já tinha pra mim há algum tempo, mas não tinha dado certo. Começo o ano de 2012 com expectativas muito maiores do que no início de 2011... Com coisas acontecendo comigo e ao meu redor que eu sequer ousara imaginar... Sequer ousara desejar, que era pra não me iludir e sofrer novamente...
Hoje, eu me sinto plena. 
Eu tenho uma rotina desgastante, isto é fato, mas ela já vem se mostrando efetiva. Já me provou que valeu a pena. E não existe alegria maior na vida do que ser recompensado por tudo o que fez...
Com as mudanças que ocorreram na minha vida, foi impossível não mudar... E quando a gente muda, os relacionamentos mudam de enfoque... Alguns permanecem, no entanto. Eu basicamente não tive tempo pra ninguém, e nesse meio tempo aconteceram tantas coisas...
Joguei num canto bagunçado do armário uma amizade de 10 anos, que, de uma forma natural, já não me encantava mais. De outro lado, mantive laços e reatei outros, que se fizeram ainda mais fortes.
Soube, com certeza, que algumas pessoas me entendem, entendem meu tempo. Sabem que eu quase não posso estar lá, mas quando eu posso, é só chegar e estou em casa. Posso passar meses sem falar com elas e, naqueles minutos de folga e possibilidade, tudo é como se não tivesse se passado um minuto. Fui a primeira a saber de uma gravidez que tentei apoiar e estar presente por todo o caminho, e espero ter feito pelo menos isso da maneira certa... Fiz tudo o que pude. Recebia emails angustiantes de amigas que não conseguiam falar com mais ninguém, e eu não podia estar lá. Fiquei com o coração na mão, mas deu tempo de dizer o que precisava ser dito, e fazer as coisas darem certo. Fiz mil malabares, mas encontrei tempo pra cinema, shopping, almoço corrido terminando às dez pra uma pra dar tempo de chegar no escritório. Levei trabalho pra casa, mas consegui dizer toda a minha vida e saber toda a vida da minha amiga de faculdade, e dei conselhos para a que trabalhava comigo, com 34 anos e três filhos, e ela me ouvia. E eu a ouvia. E tudo acontecia numa leveza e simplicidade, num tom de confissão e de fofoca, trocando confidencias como se o tempo não tivesse passado entre uma conversa e outra. 
Eu sei que posso olhar pra trás hoje e não me arrepender. Sei que os meus erros mais brutais eu consegui consertar ou me desvencilhar, de uma vez. Deixei sentimentos e pessoas para trás, que já deveriam estar há muito lá.
Consegui manter por perto as pessoas que farão parte do meu futuro.
Se eu tivesse direito a um desejo, desejaria manter tudo como está. Porque apesar da confusão do dia-a-dia, do sufoco, das dúvidas, das tomadas de decisões, do tempo de dedicação, do pouco lazer, do cansaço mental se tornando físico e doenças somatizadas explodindo em dores e inflamações... Dos gritos e do stress e da falta de um lugar tranquilo... Apesar dos pesares, hoje eu sinto que eu tenho uma casa em várias casas. Hoje eu posso dizer e escutar, mesmo que por um segundo, e saber que existe alguém ali, e que tem alguém que conta comigo também. Estou plena, mesmo sem ter que dizer eu te amo a todo o tempo. Não trago nenhuma confusão na minha cabeça, eu sei o que eu sinto e o que eu quero, e se 2011 me disse alguma coisa, foi: você está no caminho certo.

Um comentário:

Mayara Buss disse...

a tirinha eh clara. Se no ano novo de 2011 eu soubesse a cambalhota q minha vida ia dar em 2011 eu teria me desesperado... e deu td certo, por fim ^^