sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Meu corpo viraria sol, minha mente viraria...




Uma coisa que sempre passa pela minha cabeça é: e se eu tivesse feito tudo diferente? Se eu fosse madura naquele momento de imaturidade. Se eu houvesse pensado melhor. Se eu já tivesse aprendido a sentir, se o sentimento já fosse fácil de entender e controlar. Se aquelas palavras nunca houvessem saído da minha boca, se aquelas atitudes infantis não tivessem maculado o respeito. Se as desculpas fossem aceitas. Se o mundo, por um dia, girasse pra trás.


Eu sei que todos nós, olhando para o passado, vemos claramente o que deveríamos mudar. O que nunca deveríamos ter feito, dito. A flecha que jamais deveria ter sido lançada. Os motivos. Mas e se fosse tudo diferente e, ainda assim, não dependesse de mim? Se, mesmo assim, tudo tivesse dado errado no final, da mesma forma?


Revisar os erros por noites a fio é ato comum, corriqueiro, o mesmo de sempre. Mas talvez os erros não tenham sido tão errados: e se eles foram necessários? Com certeza sobraram as cicatrizes da guerra, e quem já viveu tudo aquilo uma vez, já sofreu tudo aquilo uma vez, já aprendeu a sangrar.

Ainda assim, quando o céu está escuro, a lua sorrindo, poucas estrelas, mas muito brilhantes, minha mente fica inerte. Nessa inércia, tudo volta. E se eu tivesse demonstrado, se eu tivesse dito, se ele tivesse me visto. E eu acabo chegando à conclusão que isso vale para todos os “eles”. Sempre o mesmo erro, o mesmo novamente. 


Mas vem tão mansinha uma certeza de que eu fiz tudo certo, mesmo achando que está errado. Porque algo me diz que a pessoa que eu sou hoje é melhor devido às cicatrizes. E as decepções são mais amenas, e as chuvas vêm e se vão sem que eu sequer sinta muito frio. Talvez molhar o rosto tenha o fim de lavar a alma.


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