Olha, aviso aos navegantes: se vc tem imaginação fértil e/ou é meio homofóbico(a) e não gosta nem de pensar nessas coisas, sugiro que nem leia daqui pra frente.
Essa é mais uma das minhas cartas para alguém que não vai ler. Eu tenho dessas. É que às vezes eu tenho vergonha de responder com tudo isso a um "eu te amo" sussurrado ao pé d'ouvido, abafado, contido, no meio de dois beijos. Aí eu escrevo aqui e pronto. Posso ser adolescente na web.
Então vamos lá.
.. Tudo o que vivi, foi profundamente.
Mas algumas dessas coisas parecem, pelo menos no momento, valerem muito mais a pena. O que a gente leva da vida são as emoções que sentimos, não é isso? Nós não temos saudades de coisas ou pessoas, mas sim do que sentíamos quando estavamos perto dessa coisa/pessoa. E enquanto meu coração bater mais rápido, forte, retumbante no meu peito, vou continuar sendo uma adolescente e dando trela pra esse sentimento. Sim, porque o destino sabe muito mais do que eu.
É uma cumplicidade, sabe.
É ficar instantes em silêncio e nele pensar uma eternidade.
É não conseguir explicar o porquê de tudo isso... É derrubar tudo que eu tinha planejado para mim, mudar meus conceitos, minha forma de ver o mundo... Aqueles clichês de que eu preciso estudar e não posso ter ninguém, ou que precisa-se viver por muitos anos com alguém pra dizer que o ama.
"Todo sentimento precisa de um passado pra existir, o amor não. Ele cria como por encanto um passado que nos cerca... Ele nos dá a consciência de havermos vivido anos a fio com alguém que há pouco era quase um estranho. O amor supre a falta de lembranças por uma espécie de... mágica."
Eu, com toda a minha falta de memória, me lembro de todos os detalhes da primeira vez que te vi. Todos os seus gestos, a forma como você passa a língua no lábio antes de falar. O jeito de balançar o rosto de um lado pro outro quando fica sem graça e de piscar de um olho só quando fica boba. A forma de falar o "o" que é tão fofa. O toque. A mão que quando encosta no meu corpo me arrepia. A mão quente. O beijo quente. E não conceber a existência de um dia na minha vida sem te ver.
Chegar e conversar até dormir e a forma como quando eu falo com você, parece que está tudo bem. Me vem um sono leve e tão gostoso... E quando eu paro de ser a tagarela entre as duas e você vai me contando segredos e desvendando os mistérios por trás dos seus traços. E como a gente não sabe até hoje quem escolheu quem.
E quando eu chego em casa e passo a mão no rosto e nela ainda tá o seu cheiro. E mesmo em qualquer lugar que eu esteja, meu corpo deseja tanto a sua presença que o vento passa a ter o seu perfume.
Até quando você já sabe o que eu vou dizer e se explica antes da bronca. E quando você é MAU e depois vem com todas as frescurites de mulherzinha e já não adianta mais, porque é MAU e pronto. kkkkkkkkkkk
E quando eu vejo uma mensagem nova e começo a sorrir sozinha, não importa quem tá olhando.
Porque no final das contas, não importa mesmo quem tá olhando. E quem nos julga ao nos ver dançando, simplesmente porque não consegue ouvir a música.
As coisas sem explicação são, no final do dia, as mais racionais. E as que a gente não faria, se agisse com a razão. Tudo em nós é esse paradoxo sem fim. Esse "sei lá" no final de cada frase. Esse silêncio no olhar. O seu sorriso lindo, lindo. Que você só mostra pra mim.
E esse "eu te amo" sussurrado um dia vai ser jogado na cara de todo mundo que achou que era brincadeira... Ou não. Eu já aprendi a planejar o futuro sem me preocupar se vai ter tudo isso de verdade, mas essa é a primeira vez que eu espero que aconteça.
Em meio a todas as contradições, o encaixe perfeito. Em meio a todos os nãos, o sim na hora certa. Em meio aos caminhos de pedra, o desvio para o paraíso.
Contraditório... sua pele quente me faz tremer.
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quarta-feira, 4 de abril de 2012
segunda-feira, 26 de março de 2012
1 mês depois.
Não postei nada esse último mês porque minha vida estava sendo sugada pela OAB. Agora já passou. É um sentimento de alívio que vcs não tem noção.
Acho que deu pra passar no exame, apesar de eu ter desenvolvido uma tese que ninguém mais desenvolveu, pelo menos eu acertei o nome da peça e a tese tinha muito mais sentido do que o gabarito que os professores estão passando, maaaaaaaaas... Enfim. Nas questões devo ter ido bem, e a que eu errei estão já falando em recurso e pahs. Veremos. Só pra deixá-los informados HAHAHA
Geeeeeeeeeente, vcs não tem noção os baaaapho...
Eu avisei que eu voltaria à minha vida social pós OAB em grande estilo, NEAM?! Pois então, foi foda.
Saí direto da prova pro show da Zélia Duncan, fiz minha maquiagem no carro, quase enfiei o lápis jumbo no olho, fiquei parecendo um panda pq não consegui esfumar direito em 10 segundos e derreteu, mas parece que isso não atrapalhou em nada minha nooooite ;D
Aprendi que falar: "ah, foda-se, VAMOS!" pode mudar sua vida. Sério, sem radicalismos! hauhauhauhuahua
O show foi maravilhoso, ela cantou quase todas as minhas músicas preferidas... "por favor, não vá ainda, espera anoitecer... A noite é linda, me espera adormecer... Não vá ainda, nãão... Não vá aindaaa! ...Me diga, como você pode viver indo embora, sem se despedaçar?" Tradução de tudo na minha vida.
Cara, chorei, ri, dancei, pulei, fiquei com dor na perna, com borboletas no estômago, ela olhou pra mim, falou comigo de lá do palco, e sei lá, meu. Foi fantástico no último nível.
Aí de lá fiz amizade com uma galera.. esperamos camarim, tiramos fotos.. e era só pra ser uma carona mas foi muuuuuuuuito mais do que isso.
Risadas, cerveja, se sentir JOVEM e VIVA!
Sei lá, minha vida é muito adulta pra minha idade. Todo mundo sabe q eu não gosto de boteco, de cerveja e de gente louca...mas sei lá, às vezes isso é essencial, sabe? Não tava nem ligando pra prova, pra vida... Eu acho que isso é se sentir bem, sabe? Pelo menos por algumas horas, sentir aquele momento, aqueles sorrisos, estar junto com aquelas pessoas e rir até doer a boca. É, bem legal. E bem doer a boca mesmo MUAHAHA.
Eu queria contar uma coisa aqui mas só deus sabe quem pode ler né, então deixa pra lá.
Só sei que eu saí do meu normal... Fiz tudo que eu queria fazer, deixei acontecer, fui louca, adolescente, inconsequente... muito inconsequente... Mas sei lá, parece que é bom fazer uma coisa errada de vez em quando, só pra desafiar a normalidade dos dias cinzas.
Mas tem o outono uma luuuuz q acaricia essa dureza cor-de-giz! :D
Queria deixar uma música aqui que não tocou no show mas significa:
...no clarear da madrugada...
...faltava quase sempre um sim... e agora já não falta nada...
E essa:
domingo, 26 de fevereiro de 2012
Gente.
Eu to cansada dessa gente ensimesmada.
De todas essas fotos, todo dia, dessas caras superficiais.
De tentar ser fútil só pra agradar.
Tentar entrar em grupinhos fechados.
Minha falsa mediocridade só chega até um determinado ponto
Depois disso, nem sei mais fingir
Nem dizer coisas sem sentido, me preocupar com a superfície
Cuidar da vida alheia, tentar imitar
Tanta gente que fala sem saber
Fala nada de tudo, e tudo de nada
Como se valesse a pena cada segundo daquela conversa
Que eu engulo aos goles de vodka.
Eu tento, sabe, eu tento!
Mas é difícil ter que me explicar
E me espremer pra encaixar.
E tentar não estourar tudo isso.
Eu tento não ser a chata intelectual
A que aprofunda a burrice material
E até tento entrar na onda.
Aí eu descobri:
Pra conversar com mulher, é só falar mal de homem
Comprar maquiagem
Andar na moda
Usar brincos, acessórios, bolsas de couro e anéis
E quando você pára pra olhar pra isso, é tudo sem sentido.
Um bando de modelinhos, marionetes, seguindo em fila indiana
Em direção ao abismo da ignorância.
Não foi minha intenção fazer um poema
Nem despejar toda a minha arrogância e indiferença
Mas tantas ideias desconexas só podem estar separadas por parágrafos.
Eu queria estar separada por parágrafos dessa gente.
Pequena, careta, burra e parada.
Eu só queria ter amigos
Mas essa gente é tão idiota!
De todas essas fotos, todo dia, dessas caras superficiais.
De tentar ser fútil só pra agradar.
Tentar entrar em grupinhos fechados.
Minha falsa mediocridade só chega até um determinado ponto
Depois disso, nem sei mais fingir
Nem dizer coisas sem sentido, me preocupar com a superfície
Cuidar da vida alheia, tentar imitar
Tanta gente que fala sem saber
Fala nada de tudo, e tudo de nada
Como se valesse a pena cada segundo daquela conversa
Que eu engulo aos goles de vodka.
Eu tento, sabe, eu tento!
Mas é difícil ter que me explicar
E me espremer pra encaixar.
E tentar não estourar tudo isso.
Eu tento não ser a chata intelectual
A que aprofunda a burrice material
E até tento entrar na onda.
Aí eu descobri:
Pra conversar com mulher, é só falar mal de homem
Comprar maquiagem
Andar na moda
Usar brincos, acessórios, bolsas de couro e anéis
E quando você pára pra olhar pra isso, é tudo sem sentido.
Um bando de modelinhos, marionetes, seguindo em fila indiana
Em direção ao abismo da ignorância.
Não foi minha intenção fazer um poema
Nem despejar toda a minha arrogância e indiferença
Mas tantas ideias desconexas só podem estar separadas por parágrafos.
Eu queria estar separada por parágrafos dessa gente.
Pequena, careta, burra e parada.
Eu só queria ter amigos
Mas essa gente é tão idiota!
quinta-feira, 5 de janeiro de 2012
Palavras são palavras...
... E a gente nem percebe o que disse sem querer, e o que deixou pra depois...
Eu sei que eu tenho um jeito meio estúpido de ser.
O que eu queria dizer é que palavras não significam quase nada.
Já teve gente que me disse "eu te amo" e quando eu pedi pra sair da minha vida, saiu sem olhar pra trás. Tudo bem que fui eu que pedi, mas que valor tem todo esse amor, né? Se pelo menos gostasse, tentava de novo. Mas se foi, e foi melhor assim... E não estou falando só de uma pessoa, não.
No entanto, outras pessoas que sequer diziam que gostavam de mim, mas apenas apontavam motivos objetivos e razões racionais (pleonasmo que para algumas pessoas não é, porque tem gente que tem razões irracionais) para estarmos juntos, depois que eu pedi pra sair, não saíram. E houve casos de eu excluir de tudo quanto é coisa, não atender ligação nem responder sms e um ano depois, ainda recebia no meio da noite alguma mensagenzinha dizendo que ele estava pensando em mim.
A conclusão da história é que palavras saem muito fácil. O papel aceita tudo, não vai te fazer pensar duas vezes. Quando eu amadureci, comecei a desconsiderar as palavras, e levar em conta as atitudes. Não posso dizer que fico feliz com as mensagens de madrugada de um, ou outro que depois de anos ainda vem bater na minha porta, ou outro que volta e meia me manda email querendo saber como eu estou, e não respondo, etc. Mas estas foram as pessoas mais verdadeiras da minha vida.
E não é porque eu não gosto hoje, que eu nunca gostei. Eu adorava as conversas no telefone de madrugada, com todos estes aí. Eu gostava de chegar em casa e poder contar tudo e ouvir tudo. Meu dia era mais feliz quando eu abria os olhos e o primeiro pensamento que me vinha é que naquele dia o encontraria...
Mas sentimentos mudam de lugar e de forma e de cor. E às vezes vão embora deixando pouquíssimos vestígios, e a gente nem se lembra mais dos passos... Mas não é só por isso que os passos foram dados em vão.
Palavras se apagam com o tempo, imperdoável borracha dos erros e acertos, da memória... Mas as atitudes são as que perduram, porque continuam acontecendo, de novo e de novo no caminho. Eu me lembro pouco das palavras, mas atitudes são as que batem à minha porta que, apesar de continuar fechada, deixa penetrar quantidade suficiente de calor para que a chama do passado não morra no esquecimento.
sábado, 24 de dezembro de 2011
Até o fim.
Namoro de verdade é quando você sabe até quanto tempo a pessoa coloca no microondas pra esquentar uma xícara de leite.
E é exatamente por isso que muitas pessoas - eu - demoram tanto pra terminar com alguém depois de saber que já é o fim. Porque aí você já conhece tanto aquela pessoa... Cada centímetro da sua imaginação, corpo, alma, sentidos, sonhos... E têm tantas coisas juntos. Um lugar, uma rua, um passo, uma árvore, um formato de nuvem, sei lá. E tantas coisas parecem que serão lembradas pra sempre - muitas não são, mas algumas, poucas, ficam cravadas em você...
E conhecer uma pessoa nova implica em ter que reaprender tudo de novo... Não pode confundir a comida preferida, o estilo de roupa, o nome dos irmãos... Tem que passar horas e horas no telefone ou deitados um ao lado do outro para que ele conte da infância, projetos, sonhos, vida. Não que isso não seja uma delícia - é. Mas às vezes a gente sente que passou dessa fase, sabe? Que não tem mais saco pra isso. Mas é só chegar aquela pessoa interessante, que você QUER saber de todas essas coisas, e você fica que nem um psicólogo, virando cliente do infinity e a cama faz até um buraco com o seu corpo, de tanto ficar ouvindo e ouvindo e ouvindo.
Mas você percebe que ouvir valeu tanto a pena quando, depois de anos do fim, você ainda o encontra, em certos momentos. Sabe, em certos momentos, que naquele instante está havendo uma conexão. Você ainda conhece, apesar de não se lembrar de tudo... Você ainda sabe. E pensa, e sente que estão juntos mais uma vez.
Sim, porque eu sei, e eu pensei nele. E ele pensou em mim.
E é exatamente por isso que muitas pessoas - eu - demoram tanto pra terminar com alguém depois de saber que já é o fim. Porque aí você já conhece tanto aquela pessoa... Cada centímetro da sua imaginação, corpo, alma, sentidos, sonhos... E têm tantas coisas juntos. Um lugar, uma rua, um passo, uma árvore, um formato de nuvem, sei lá. E tantas coisas parecem que serão lembradas pra sempre - muitas não são, mas algumas, poucas, ficam cravadas em você...
E conhecer uma pessoa nova implica em ter que reaprender tudo de novo... Não pode confundir a comida preferida, o estilo de roupa, o nome dos irmãos... Tem que passar horas e horas no telefone ou deitados um ao lado do outro para que ele conte da infância, projetos, sonhos, vida. Não que isso não seja uma delícia - é. Mas às vezes a gente sente que passou dessa fase, sabe? Que não tem mais saco pra isso. Mas é só chegar aquela pessoa interessante, que você QUER saber de todas essas coisas, e você fica que nem um psicólogo, virando cliente do infinity e a cama faz até um buraco com o seu corpo, de tanto ficar ouvindo e ouvindo e ouvindo.
Mas você percebe que ouvir valeu tanto a pena quando, depois de anos do fim, você ainda o encontra, em certos momentos. Sabe, em certos momentos, que naquele instante está havendo uma conexão. Você ainda conhece, apesar de não se lembrar de tudo... Você ainda sabe. E pensa, e sente que estão juntos mais uma vez.
Sim, porque eu sei, e eu pensei nele. E ele pensou em mim.
terça-feira, 13 de dezembro de 2011
segunda-feira, 14 de novembro de 2011
Sentir
Talvez quem vê bem não sirva para sentir
E não agrada por estar muito antes das maneiras.
É preciso ter modos para todas as coisas,
E cada coisa tem o seu modo, e o amor também.
Quem tem o modo de ver os campos pelas ervas
Não deve ter a cegueira que faz fazer sentir.
Amei, e não fui amado, o que só vi no fim,
Porque não se é amado como se nasce mas como acontece.
Ela continua tão bonita de cabelo e boca como dantes,
E eu continuo como era dantes, sozinho no campo.
Como se tivesse estado de cabeça baixa,
Penso isto, e fico de cabeça alta
E o dourado sol seca a vontade de lágrimas que não posso deixar de ter.
Como o campo é vasto e o amor interior…!
Olho, e esqueço, como seca onde foi água e nas árvores desfolha.
Eu não sei falar porque estou a sentir.
Estou a escutar a minha voz como se fosse de outra pessoa,
E a minha voz fala dela como se ela é que falasse.
Tem o cabelo de um louro amarelo de trigo ao sol claro,
E a boca quando fala diz coisas que não só as palavras.
Sorri, e os dentes são limpos como pedras do rio.
Alberto Caeiro [8-11-1929]
E não agrada por estar muito antes das maneiras.
É preciso ter modos para todas as coisas,
E cada coisa tem o seu modo, e o amor também.
Quem tem o modo de ver os campos pelas ervas
Não deve ter a cegueira que faz fazer sentir.
Amei, e não fui amado, o que só vi no fim,
Porque não se é amado como se nasce mas como acontece.
Ela continua tão bonita de cabelo e boca como dantes,
E eu continuo como era dantes, sozinho no campo.
Como se tivesse estado de cabeça baixa,
Penso isto, e fico de cabeça alta
E o dourado sol seca a vontade de lágrimas que não posso deixar de ter.
Como o campo é vasto e o amor interior…!
Olho, e esqueço, como seca onde foi água e nas árvores desfolha.
Eu não sei falar porque estou a sentir.
Estou a escutar a minha voz como se fosse de outra pessoa,
E a minha voz fala dela como se ela é que falasse.
Tem o cabelo de um louro amarelo de trigo ao sol claro,
E a boca quando fala diz coisas que não só as palavras.
Sorri, e os dentes são limpos como pedras do rio.
Alberto Caeiro [8-11-1929]
domingo, 6 de novembro de 2011
Só não é agora.
... E foi aí que ela percebeu que todos os caminhos estavam dentro de um só. Ela passava pelas ruas que passavam por ela apontando todo o passado, de uma vez. Cada parede, cada curva do ônibus, cada olhada pro outro lado da rua.
E por algum tempo, toda vez que ela passava pelo muro de uma casa escrita "Yamada Computadores", ela se lembrava do Sandrinho, porque o pai dele que era o tal do Yamada.
E toda vez que passava o big, ela pensava em se levantar, porque o ponto seguinte era o da casa dele.
E depois, quando passava reto pela rua, sempre olhava pra casa do amigo dele, onde talvez, pudesse ver a bicicleta.
E mesmo passando reto por todas as lembranças, elas ainda vivem. Porque parece que aconteceu tudo ao mesmo tempo, tudo naquele caminho que ela percorre há 7 anos, de vez em quando, quando vai ter alguma coisa legal e conversas até amanhecer.
Mesmo em horário de verão.
E se lembrou de trabalhos de escola, na época em que o fácil era tão difícil, ou o drama que era imenso. Quando um relacionamento de três meses se transformava no motivo para a depressão do resto do ano. Quando uma imagem virava mil e uma lembranças e sempre caía uma lágrima dos olhos.
E quando o tempo passava devagar e hoje, olhando, foi tão rápido. Aquela lua sempre esteve lá, e ela voltava pra casa pra ele. Sozinha.
Depois disso vieram tantas e tantas luas. Porque quando você ganha uma lua, ela muda, sabe. Fica diferente. Fica aquela pessoa. A lua está vendo aquela pessoa, aonde quer que eu vá. Você vá. Ela te vê.
E depois simplesmente não é mais a mesma lua, porque é outra pessoa que ela está vindo.
Mas no final, ela sempre esteve sozinha, não importa quantos corações aquela lua rastreasse o universo tentando encontrar, era ela sozinha olhando pela janela e sentindo aquela brisa fria da falta de um abraço. Porque ela só percebia a lua quando estava só. Porque a lua era o olhar dele, quando estavam juntos. A brisa era o calor do corpo e o cheiro. Cada cheiro era um, cada olho era um. Cada lua e cada brisa dentro de cada pessoa era uma.
Mas ainda é a mesma lua.
Ela mudava de perspectivas e voltava a acreditar. Ela pensava que aquele era o único amor que teria na vida, e na semana seguinte já estava às voltas com outras cartinhas e outras palavras, com o mesmo significado. Como era a mesma lua. E o mesmo amor. Só com outras nuances, outros tons e detalhes. Cheiros e abraços. Mas a mesma lua, e a mesma solidão.
Porque a solidão volta, ela sempre volta, porque é a mesma lua, entende?
Não importa quantos loucos amores passaram por ela. Foi um olho que se abriu e depois se fechou. E quando fecha, ainda vê.
Esse é o problema da lua.
Ela ainda vê todas aquelas luas e elas ainda varrem todo o universo em busca de todos aqueles corações. É como se ela não se desvinculasse de nenhum deles.
Não se admitia um coração vazio. Sempre estaria cheio. Mesmo que só, o coração era cheio. Porque lembranças ocupam espaços e são tantas que nem cabe. Acaba se esticando pra caber, e quando estica dói.
Igual a sutura no dente do ciso, que custura a gengiva tudo em volta e tem que esticar, e enquanto não couber tudo aquilo ali dentro de novo, não pára de doer.
Hoje são outros assuntos. Dentes e doenças transmissíveis e herança na família. Os assuntos mudam, as pessoas mudam. Os papos são outros. Ninguém mais fica falando de amor. Mudou, sabe. Só que ainda não cabe... É muita coisa pra caber num coração só.
A gente vai crescendo e mudando e os interesses mudam e é tanta coisa nova pra olhar, que a gente tem que se desfazer das velhas, sabe? Senão não cabe mesmo, e dói.
E cada curva do caminho vai lembrar. E não dá pra viver assim, entende?
Olhando pra uma lua e vendo aquelas tantas, aqueles tantos corações.
Olhando pra uma noite e tentando fazer caber nela tantos assuntos, a mudança nas prioridades, nas preocupações, no que interessa.
Mas a inocência parece que fica lá.
E ela ainda parece que acredita em alguma coisa.
Ela vê que pode ser,
só não é agora.
Obs. vou postar sem reler, corrigir erros de português e de concordância e eu não sei se vai dar pra entender UMA LINHA do que está escrito, mas é isso aí.
quinta-feira, 3 de novembro de 2011
Só pra dizer
Que as pessoas de Campinas e de Curitiba que eu perguntei no post anterior acessaram ele, viram que eu perguntei e não responderam.
Deve ser mais um par de doido.
E doido neurótico né, porque acessaram pelo meu twitter.
Nada de novo, eu sempre atraio gente louca pra minha vida,
mais um, menos um.
Nem me importa, sabe?
Ultimamente...
nem nada importa.
And here it comes, the change of seasons... one step awaaay... take off your jacket, it's no good here, now that you'll stay.
Deve ser mais um par de doido.
E doido neurótico né, porque acessaram pelo meu twitter.
Nada de novo, eu sempre atraio gente louca pra minha vida,
mais um, menos um.
Nem me importa, sabe?
Ultimamente...
nem nada importa.
And here it comes, the change of seasons... one step awaaay... take off your jacket, it's no good here, now that you'll stay.
sexta-feira, 7 de outubro de 2011
Minhas idiossincrasias
Eu estava meio sem saco meio sem tempo pra postar aqui, mas hoje sobrou um pouquinho.
Bom, aqui vai um texto sobre o que a maioria das pessoas têm odiado sobre mim nos últimos tempos: eu sou muito crítica.
Tá, eu só acho que vibro em outra frequência.
Igual essa historinha de mudar a foto do facebook por uma de desenho para ajudar a combater a violência infantil. Tivemos inúmeras, longas e tortuosas discussões sobre a IDIOTICE de um ser humano que acha que fazer isso serve pra alguma coisa. Se você está lendo esse blog, eu espero que você não tenha colocado desenhinho. E que se colocou, espero que você nem soubesse na hora o porquê disso, só o fez porque achou legal. E se você fez e ainda colocou a legendinha de "esta pessoa trocou a foto do perfil por um desenho como uma forma de protesto à violência infantil" pode parar de ler isso aqui AGORA!
Meu Deus do céu. A que ponto essa humanidade burra chegou?! Sentar a bunda na frente do pc e mudar uma foto e dizer: "nossa, fiz meu papel como cidadão!" Não, não fez. Sabe o que você fez? Seguiu uma modinha falso-moralista INÚTIL e ficou se achando "o ser atuante politicamente" quando na verdade você é um mero BOSTA porque não parou nenhum segundo para pensar: meu, pra quê que vai servir isso?
Sabe, as pessoas estão muito "go with the flow", seguindo a correnteza, se todo mundo faz, é porque tá certo e eu vou fazer também. Gente, vamos estar usando o cérebro um poquinho? Com certeza tem uns 2% de massa cinzenta aí na sua cabecinha.
Eu acho que existe uma alucinação coletiva pela moda, sabe. Por exemplo: big bang theory tá na moda, então vou colocar um óculos quadrado e vou me auto-intitular nerd. Vou baixar todos os episódios de star treck em preto e branco com qualidade PÉSSIMA porque isso é nerd. E para os mais aloprados, vão começar a jogar rpg, como dungeons e dragons e outras idiotices e sair por aí falando que adora!
Meu, se liga, se vc não gostou dessas coisas ATÉ HOJE, não é porque um personagem que está fazendo sucesso gosta, que você vai gostar.
Acontece muito com ídolos musicais. Se o seu cantor favorito gosta de fulano, você passa a amar fulano. Se ele compõe uma música com beltrano, você tem que baixar a discografia toooda deste último porque se o cantor gosta, então é porque é foda. Sabe, esse tipo de coisa SEM NOÇÃO. Pessoas sem personalidade própria, que fazem as coisas só porque alguém fez ou disse ou sei lá.
Eu estou MUITO cansada dessa humanidade.
Fui domingo almoçar no shopping e não consegui. Simplesmente não tem uma comida aceitavelmente boa. Existe pamonha, batata recheada com pedaços de frango que nem cabem na boca, sanduíches do mc donalds com gosto de papel e comida japonesa pesada pra caramba só pra custar mais caro, e depois fazer mal pro estômago. Claro, ninguém reclama - pelo contrário, para o paladar desse povo, tá ótimo já. Isso acompanhado por um bando de gente das cidades ao redor que vão pra praça de alimentação ficar gritando e crianças que ficam correndo e AAAAAAAAAAAAAAH! vontade de explodir no ÚLTIMO nível.
Essa civilização não é civilizada. Quem foi que falou que todo ser humano é racional??
Porque imitar comportamentos, até macaco imita, golfinho, cachorro etc. Pra ter um monte de robôzinhos agindo igual, não precisava ser homo sapiens.
O ser humano tá ficando tão burro diante do computador que aprendeu com ele a não pensar. Agora, ele copia e cola suas opiniões, assiste a vídeos idiotas e acha graça só porque está num blog de humor. Agora, a pessoa aceita tudo o que vê como verdade absoluta, e ai daquele que discordar do mainstream.
São pessoas muito absolutistas, tanto quando são retrógradas quanto quando moderninhas. Porque é um absurdo falar que Deus não existe/Porque é um absurdo achar feio esse tanto de pornografia homossexual (e hetero) no tumblr.
Mas eu entendo isso. É que falta conteúdo.
Eu sou da época em que infância era vivida na rua. E que a gente cansava de brincar e ia pra casa ler, estudar, montar lego, e não direto pro computador/videogame. Da época em que ninguém deixava de sair na sexta-feira por causa do último capítulo da novela e todo mundo ouvia rádio, porque rádio era bom. Eu sou da época em que mentir era feio e tirar nota boa era bonito.
Hoje se você estuda, você é um anti-social; se você é sincero, é um chato; se você quer discutir filosofia ou literatura, é um nerd que ninguém suporta; se não assiste à novela, é um desatualizado; se não ouve sertanejo universitário é um idiota.
Sabe, esse tipo de conceito pronto, fabricado, comprado e vendido a um preço tão caro mas que os idiotas que estão comprando a idéia são tão babões que nem percebem. Não percebem que tudo aquilo que eles construíram em seu mundo foi posto por alguém lá. Eles não percebem que o google controla a informação a que você tem acesso, que o rádio controla a música da qual você pode gostar, que a televisão controla seus horários e que o computador te deixa com preguiça de pensar.
E é isso que eles querem.
E quem age conforme o movimento das massas vai indo cada vez mais pro fundo, tão fundo que não existe mais luz - entendendo-se a luz como no "mito da caverna" - e não se pensa mais, só se copiam as atitudes, as palavras, os pensamentos, os ritmos, os sons, os objetos, os gostos, tudo.
E quem não se deixou ser acorrentado, vê tudo isso e só consegue pensar: eu não quero mais viver nesse mundo BOSTA, com gente BOSTA, que não raciocina. Eu quero logo sair daqui pra ver se tem coisa melhor em outro lugar, qualquer lugar.
Mas a gente segue ... nadando contra a corrente, só pra exercitar.
domingo, 18 de setembro de 2011
Devaneio
Se levantou bem cedo, mas não antes do sol. Ao abrir a porta de vidro que dava para a sacada, sua camisola branca de renda voou. Um arrepio percorreu seu corpo e ela inspirou aquele ar gostoso de manhã fresquinha. A luz do sol que também despertava lá no horizonte ia refletindo no móbile, que cantava sua doce melodia. Seus dedos passavam pelo móbile que refletia o sol e seus cabelos, que na luz ficavam tão claros, parece que dançavam a mesma dança da bolinha, que batia de bastão em bastão, saudando o novo dia.
Debruçou-se na mureta da sacada e viu o menino na bicicleta entregando jornais. Os passarinhos saíam em revoada quando a velha da casa ao lado começava a varrer a calçada. O bem-te-vi, bem abrigado no alto da árvore, cantava tão alto que parecia ter dezenas deles ali.
E ela parada, contemplando o orvalho das flores evaporarem ao sol. Ela própria se sentia evaporando, a cada respirar. Olhou para o canto da calçada defronte à pracinha e lá estava ele: o homem com chapéu marrom e a viola na mão. Dormira lá aquela noite, assim como as anteriores. Ele sempre estava lá, era ele. Só ele, com o sorriso mais puro e o olhar mais brilhante, que dormia em paz com o chapéu no rosto para tampar o sol. Ele, que dedilhava as mais lindas canções, todas as noites, só para ela.
Ele sempre estaria lá, proibido, inteiro.
E ela sempre acordaria para respirar o mesmo ar, pois só assim poderia senti-lo junto dela. Tão perto e de tão longe, impossível. Tanto desejo e tanta dor que o passado não esquece. Tanto medo e tanta vida que já se foi... E hoje é só alguém que fica ali, na calçada, em frente, lembrado nas mais doces canções, nos cheiros das manhãs, no sol de todo dia.
Vi um sol nascer
Pelos olhos teus
Me deixei levar
Eu não refleti
Que era a luz dos meus
Refletida em ti.
domingo, 11 de setembro de 2011
Quarta-feira
Quarta-feira foi um dia que começou cedo e acabou muito tarde. Durou realmente cerca de 24 horas. As 24 foram vividas, de olhos abertos.
Acordamos muito cedo, todas as meninas da banda. Trança embutida, maquiagem, roupa, e todo mundo o mais igual possível. Ficava até engraçado ver alguém de costas, achar que era uma e ser outra.
Cada uma tinha seus próprios medos e havia vencido suas próprias dificuldades. Umas haviam se dedicado mais, outras menos. Umas conheciam melhor seus instrumentos, já outras (eu) iriam tocá-lo pela primeira vez. Umas pulavam pra lá e pra cá e outras ficavam quietinhas. Umas com medo de chorar e borrar a maquiagem. Umas enfrentando dramas pessoais com o namorado e todas as outras querendo meter o bedelho. Primeiro namoro, sabe como é, a pessoa é idiota e tem medo de ir embora. Mas não era hora disso.
Fomos para a concentração e o nervosismo aumentava a cada nota errada no ensaio final. Mais uma e "meu deus eu tenho que lembrar que nessa parte tem o ritornello e ela volta do ré" e "ai o sol aqui é de terceira e eu to fazendo de segunda que nem os outros" e "gente a percussão ta perdida o que nós vamos fazer aaaaaaaaaaaaaaaaaaaah".
Eu e a Miwa brincamos de pararaparati. A fanfarra do Branca tava bem do nosso lado, atrás vinham os DeMolays vestidos de harry potter, haha.
E quando disseram: "podem ir pra avenida", era hora do coração desacelerar e, como um dos meninos bem disse, deixar transformar todo o suor dos ensaios no sol quente em lágrimas de alegria pra quem estivesse nos ouvindo. E aí começamos a marchar. Eu lembrei do ritornello, a Miwa finalmente conseguiu lembrar que voltava no ré. O sol saiu sim mais agudo e a percussão se encontrou. E a gente passava e todo mundo aplaudia. A repórter fez a reportagem enquanto nossa banda passava (http://glo.bo/q0nZ1U bem no comecinho)... Enfim, foi muito legal.
Fui almoçar, cheguei e ia dormir mas não deu, né. Celular apitando o dia inteiro e vamos pro shopping. Trio Whooper do Burger King e a sorte que minha gastrite só foi atacar no outro dia.
A TIM nos deixou incomunicáveis, só pra variar, e a gente resolveu ir pra nipo de ônibus mesmo, que todo mundo estaria lá e sempre ia ter alguém pra trazer de volta - aventura ou idiotice mesmo?
Chegamos lá do outro lado do planeta, encontramos sim, todo mundo. E ele *_*
Comigo é sempre assim, aquela coisa: nossa, ele é tão lindo, imagina q algum dia vai olhar pra minha cara ¬¬. E quem sentou bem do meu lado? *_* nhoin.
Aí apresentação da orquestra do cesumar, tayko etc.
Filas imensas pra comer, mas a gente foi mais esperta =D
E a nossa carona não chegava nunca. Conseguimos falar, elas apareceram 11:30. Aí não podia mais entrar, porque não vai ter matsuri, vai não vai vai não vai, vamos embora.
Ahhh mas vamos pra balada.
Meu, eu tenho que acordar cedo.
Nem dá nada.
No meio do caminho ligaram que o matsuri tinha começado, mas agora também não quero mais.
No meio do caminho ligaram que o matsuri tinha começado, mas agora também não quero mais.
Bora pra um lugar estranho com gente esquisita... Pinos e Bolas do Shopping Center Brasil. TIPO. Nunca tinha visto, o negócio é uma boatchyê. Rashei horrores com as pistas de boliche num lugar onde tinha sinuca e luzes coloridas piscando. E lotado de gente, em plena meia noite de quarta-feira.
Nos divertimos MUITO, muito mesmo.
Aí é assim, né. Acabou o feriado e eu senti como se tivesse passado um mês naquele dia. Tão bom quando é produtivo assim. Quando a gente se esforça e tem resultados e depois descontrai e ri muito com gente boa e feliz. E fala idiotice a noite inteira e inventa musiquinhas e canta em japonês e descobre sonhos de infância e tem uma cumplicidade tão linda que ninguém nunca viu mas sempre esteve ali. Cada uma conhecendo os medos, inseguranças e alegrias da outra, sem saber, sem perceber que está se mostrando, porque é tão natural que parece invisível, que vê por dentro.
segunda-feira, 29 de agosto de 2011
Uh Uh é Legião!
Meu, eu sei que a foto tá o CAOS mas é com
Aí eu só queria deixar registrado aqui que PUTSSS foi um dos show MAIS FODAS da minha vidaaa!!
Curti demais, dancei demais, gritei demais - ainda tô sem voz - e senti tudo que há de melhor sentir, finalmente cumpri de verdade o que tá escrito no meu pulso. Tipo, eu entrei em êxtase, sabe. Eu nem era eu mais, eu tava naquele momento de pensar tão forte que podia quase fazer parecer que era de verdade. E cantava todas as músicas, e fazia os solos de guitarra - e ganhei a palheta - e aí uma galera falou: essa é fã mesmo hein. Bastou para sermos amigos o show inteiro e cantarmos juntos nas garrafas e improvisarmos coreografias e gritarmos METAL METAL METAL no final de cada música pros não-fãs ficarem se perguntando pq será que nós estávamos pedindo METAL num show de rock huahuahuahua
Gente, foi o máximo, só digo isso.
E que venham muitos outros!!!
terça-feira, 23 de agosto de 2011
Foi mais ou menos assim.
Aí a história foi mais ou menos assim:
Se existia algum lugar em que o universo pudesse promover o reencontro dos dois, só tinha que ser ali. A Mônica folheava um livro sobre a MPB na livraria saraiva, e bem ao lado havia um telescópio daqueles gigantes, tipo sonho de consumo, que a gente nem se permite sonhar. Alguém chamou o seu nome numa voz nervosa. Ela se virou e antes que pudesse ter qualquer reação, antes que a visão enviasse a mensagem ao cérebro, o sentimento ficou ali no olho mesmo e uma lágrima caiu. Grossa, imponente. Como se tivesse esperado uma vida inteira, ali no cantinho dos olhos, pra cair. Como se tivesse guardado tudo o que sentiu e o que doeu para expelir naquele momento, tirar de dentro. Era o Eduardo, mas isso quem dizia era o coração, batendo pesado. Ela mal podia reconhecê-lo. As roupas estavam largas no seu corpo e ele trazia um rosto fino num olhar triste. A pele, muito pálida, deixava transparecer as veias no rosto dele. E no meio do branco, algumas feridas bem vermelhas, que pareciam arder e sangrar de vez em quando. Os dois ainda estavam um pouco distantes, pois nenhum havia ainda reunido forças para caminhar até o outro. O tempo parou por alguns instantes. Podiam ser horas e nenhum deles sequer perceberia.
Finalmente se aproximaram. As palavras ainda não saíam, mas talvez as lágrimas estivessem traduzindo alguma coisa, e eles não precisaram falar. Ele passou a mão em seu rosto, limpou suas lágrimas e as dele próprias na borda da camiseta, que de qualquer forma, estava sobrando. A primeira coisa que conseguiu dizer foi que não entendia como a tinha perdido. E há tanto tempo.
Tinham-se passado uns dez anos desde o último contato.
Eles foram até uma mesa na praça de alimentação do shopping e se sentaram, um de frente para o outro, vidrados pelo olhar, o mesmo olhar. Aquele de perda, de emoção, de medo. Ele, como sempre, cavalheiro, perguntou o que ela fazia da vida agora e há quanto tempo estava na cidade. Ela tinha chegado ao posto mais alto, ao melhor dos sonhos que um dia ousara sonhar. Se destacara na sua área e agora tinha tudo o que de material poderia querer ter. As realizações foram inúmeras, mas ela se manteve sozinha. Ele nem perguntou, sabia que ele jamais se casaria. Indagou se, se fosse com ele, ela teria se casado. E ela se limitou a responder que existem mentiras que a gente conta num relacionamento, pra fazer o outro feliz. Ambos riram, sabendo que o destino dela era aquele mesmo. E ele? O que tinha feito?
Ele também ficou sozinho, mesmo acompanhado. Nunca aprendeu a lidar com a solidão e foi passando por camas diversas, procurando a si mesmo em qualquer espelho, poça d'água na rua, droga ou o que lhe valesse. Ela se lembrou de que, no começo, não conseguia acompanhar muito bem o raciocínio dele, sempre rápido demais, e que depois que se entrosaram, tudo ficou fácil. E percebeu que eles não estavam mais entrosados, e que a todo momento ela o interrompia, pedindo para explicar devagar o que ele queria dizer. Ela riu com a lembrança, ele também.
... E conversaram durante toda a noite, enquanto a via láctea, como um pálio aberto, cintilava... Mas ao vir do sol, já era tarde e ela precisava ir embora.
Ele mais que depressa perguntou se ela ainda tinha o mesmo número e onde estava morando.
Ela havia esperado a noite toda por essa pergunta, e já sabia o que responderia. Disse a ele que não ligasse, e como ele nunca teve problemas em obedecer a esta ordem, que desta vez fosse igual. Explicou que agora era sua vez de ser egoista, e que preferia não vê-lo daquele jeito. Preferia não sofrer a dor da perda, novamente, e que parecia ser tão breve...
Ele chorou, mais uma vez. E ela também. Ela pediu que ele ficasse feliz, pois aquela havia sido uma noite maravilhosa e que, para que aquela lembrança se mantivesse intocada e bela como era, seria melhor que eles não mais se vissem. Quis o destino que ela fosse parar lá e que se encontrassem por acaso, e no acaso deveriam se separar.
Ele insistiu que ela ficasse mais um pouco. Olhou-a nos olhos. Beijou-lhe a testa. Encostou dois dedos em sua própria boca, depois na dela, depois novamente na dele. Disse-lhe que se existiu algo verdadeiro na vida dele, fora ela. Que ele jamais a tinha esquecido, ainda que ela tivesse seguido a vida sem ele. Disse que sabia que ela ficaria bem, sempre ficava. E que ela tinha vivido muito bem, ainda que sem a sua companhia. Que estava feliz, mas que tinha de lhe dizer "eu te amo", assim, direito.
Olhou para o chão por um momento e quando levantou novamente a cabeça, seu olhar estava pesado. Ela se assustou e perguntou o que passava na cabeça dele. A resposta foi que talvez ele só tivesse ficado vivo por todo este tempo, vendo gente que ele "amou" indo embora, só para encontrá-la naquele dia, naquele lugar, e dizer-lhe o que acabara de dizer. Concluiu que agora poderia ir.
Fitou-a nos olhos, pela última vez, e disse: Desculpa, eu não queria que você me tivesse visto assim, mas é a doença, Carolina. Lembra de tudo que é nosso, porque é a única coisa minha que vai ficar. Tudo agora é verde. Sempre foi, sempre foi você.
Ele morreu nos braços dela.
As pessoas ao redor foram tentar ajudar, ela apenas chamou a ambulância com a voz engasgada, mas sem lágrimas, sem pesar, sem dor. Disse aos outros que não poderia ficar ali e foi-se, caminhando lado a lado com o passado, que insistia em segui-la para todos os lugares. Levou-o consigo até uma estradinha e enterrou-o lá, quando pegou uma carona e foi embora, deixando a vida que construíra naquela cidade linda por lá, porque agora tudo estava completo, e ela podia viver, de verdade, uma vida limpa, em outro lugar.
quinta-feira, 21 de julho de 2011
You always want what you haven't got.
Agora, no inverno frio e chuvoso, sempre escurece mais cedo, e são as luzes amarelas dos postes que me acompanham na volta pra casa, além dos faróis dos carros que sempre vão indo pra algum lugar, com pressa, com gente. Os passos rápidos e poças pelo caminho, água espirrando, folhas no chão. Um momento nostálgico e poético. O cansaço fala mais rápido que a pressa pelo banho morno.
Engraçado que o shuffle do meu iPod tem um sétimo sentido, que sempre coloca as músicas certas nos momentos delas... E tocava essa aqui:
Aqui vem o frio, encontre suas roupas de inverno, e um amor para chamar de seu. Você, você entra, suas bochechas com uma sombra cor-de-rosa e o resto de você é um pó azul... Quem sabe o que vai ser, mas eu te garanto isto: de jeito nenhum novembro vai ver nosso adeus, quando chegar dezembro, o motivo é óbvio... Ninguém gosta de ficar sozinho em época de natal. No escuro, no telefone, você me diz os nomes dos seus irmãos e suas cores favoritas, eu estou aprendendo você. E quando nevar de novo, nós vamos dar uma caminhada lá fora, e pesquisar o céu, como crianças, e eu te direi que de jeito nenhum novembro vai ver nosso adeus, quando chegar dezembro, om otivo é óbvio... Ninguém gosta de ficar sozinho no natal. E chega janeiro, a gente tá congelado por dentro, fazendo novas resoluções cem vezes... Fevereiro, você não quer ser meu namorado? E nós dois estaremos a salvo até o dia do St. Patrick....
Nós deveríamos dar uma volta hoje à noite pela cidade, e olhar todas aquelas lindas casas... Alguma coisa na forma como luzes azuis na noite negra te fazem sentir mais... Me parece que todo mundo só quer ser como eu e você!
(tradução livre por mim :P)
E aí depois tocou essa aqui:
É como se eu apenas tivesse acordado uma manhã, olhado pra forma como a gente vive e pensado que as coisas poderiam ser tão melhores, deve ser melhor que isso... E se eu me mudasse pra onde a grama é mais verde, talvez eu fosse feliz de novo... Mas eu estou um pouco desapontada porque agora eu tenho a minha liberdade, mas ainda estou olhando por detrás da cerca. É sempre a mesma coisa, no fim do dia você sempre quer o que não tem. É como se os ponteiros do relógio tivessem parado de girar bem no momento que você foi embora... Você se foi procurando por algo melhor e me deixou parado no meu caminho. (...)
Enfim, a vibe das duas é meio parecida e uma complementa a outra... Sei lá, pensar que seria bom dividir de novo um guarda-chuva e sair correndo e rindo e nos molhando, abraçados. Mas também... Existe algo melhor que isso.
domingo, 3 de julho de 2011
250ª postagem
Eu não sei se vocês perceberam, mas eu quase nunca falo de coisas importantes aqui. Por mais que elas possam parecer essenciais, por mais que vocês achem que elas são toda a minha vida, elas não são. São apenas situações ou pessoas que eu posso evitar e pronto. Que eu posso escolher ignorar a existência. Que eu posso escolher sentir pena ou abandonar de vez, escolher não atender o celular ou responder emails. Que eu posso "excluir" e pronto. Aqui eu falo de amor entre homem e mulher. De relacionamentos que começam e terminam, que são escolhas e não imposições. Eu não falo daquilo que eu não pude escolher.
Mas hoje eu vou falar, porque a dor é tão grande que eu tentei me sentar no chão frio e fazer daimoku e não consegui, simplesmente não tive forças. Acho que quando você perde a fé de que as coisas vão melhorar, de que você pode mudar, de que tudo não precisa ser assim, é o final, sabe? É quando você aceita o sofrimento e simplesmente desiste. Porque eu não posso mudar, porque não depende de mim. Eu não escolhi.
Com o tempo eu vim perceber que essa minha obsessão por relacionamentos é apenas tentar esconder o que me incomoda. Falar disso pra não falar do resto. Fingir que é isso que me importa e aí todo mundo vai me achar normal, todo mundo vai vir ler isso daqui e achar legal as minhas análises de comportamento humano. Todo mundo vai aceitar. Porque falar disso é fácil pra mim, por mais que seja difícil pras pessoas, porque como eu disse, isso não importa.
Eu percebi isso na terapia. Faz sei lá, dois ou três meses, e nem sequer uma vez eu mencionei algum ex amor. Mas todos os dias eu menciono o meu pai. Faz uns cinco meses que eu não falo com ele, que eu não suporto olhar na cara dele, que tudo o que ele faz me incomoda. Que eu não suporto mais a gritaria, os latidos. Que eu sou uma intrusa não-querida na minha própria casa e que a minha própria casa se resume ao meu quarto e à porta fechada.
Eu nunca pude me sentar no sofá sem ficar me preocupando onde ele quer sentar. Nunca pude ficar com o controle remoto na mão. Nunca pude escolher o programa de tv, o programa de férias, o almoço, o restaurante, a viagem. Nunca pude escolher se eu queria estudar ou ouvir música, nunca pude preferir o silêncio. Nunca pude preferir.
Eu sempre tive que pedir permissão, até pra gastar o meu próprio dinheiro. E tive que esconder o que eu achei que ele não aprovaria. Sempre tive que gritar pra ter uma opinião, mas nunca tive um direito, nem o de ser ouvida. Nunca tive o direito de ir mal na escola, de ir dormir na casa do namorado, de sair de casa sem dizer pra onde. Nunca ninguém me ouviu.
Eu não tenho direito ao silêncio e também não tenho direito à voz.
Eu não sou nada além de um inseto inocomodando, um inseto que dá gastos, aumenta as contas. Que fica doente e tem que levar pro hospital, que tem o dente torto e tem que pagar dentista, que tem crise existencial e tem que pagar terapeuta, que quando tá chovendo muito tem que ir, às vezes, buscar de carro. Que tem que pagar tudo que quer, porque não importa se meu sonho é ter um sax e ele trocou duas televisões novinhas de lcd por outras duas de led com internet, e comprou um ar condicionado no inverno e até hoje não instalou, enquanto eu tenho que ficar parcelando no cartão pra comprar roupa de frio.
Eu sou superdotada, mas não tá bom, porque este bimestre eu não ganhei o certificado de melhor aluna. Porque eu corrigi três vezes a professa e ela me deu nota baixa. E eu só incomodo porque hoje eu estava fazendo um download de um filme pra assistir com a minha amiga que vai fazer aniversário e tava atrapalhando ele assistir youtube com o laptop ligado na televisão, porque afinal de contas a tela de 15" do laptop pra ver videos de youtube com resolução mínima é pequena demais pra ele, e é ele que manda, não importa se você tá há horas sentada na frente da tv esperando o programa que você quer assistir, ele chegou e agora vai ser do jeito que ele quer.
Eu me sinto mal por pensar que eu preferia que fosse ele que tivesse morrido quando o pai do meu ex morreu. Porque o pai do meu ex passava frio pra dar a blusa dele pro filho, mesmo sendo ele que pilotava a moto e o vento ia todo nele. E o meu pai reclamou de me levar no hospital quando a minha pressão estava totalmente desregulada (12 x 6) e meu rosto dormente indicava que talvez eu pudesse ter um derrame. Ele reclamou porque ia demorar e já era quase hora do almoço.
Ano que vem eu vou mudar pro noturno na faculdade, me ferrar o dobro porque os professores são piores, mas eu vou arrumar um emprego em tempo integral pra poder ter dinheiro pra me mudar daqui.
Eu não suporto mais essa casa, e ser uma pessoa estranha que só dá despesa e incômodo.
Eu não suporto mais o fato de toda vez que ele está no recinto ficar olhando pra baixo porque eu não quero olhar pra cara dele. E esse pensamento recorrente de que seria tão bom se ele não estivesse aqui.
É um sofrimento que eu não posso escolher acabar.
Mas existem certas coisas que se não dessem cadeia, eu faria. E acabar com isso é uma delas.
E eu estou cansada de molhar o teclado no notebook porque meu único refúgio é minha internet, onde ninguém me vê, e ninguém percebe e eu posso fingir que meu grande problema é um cara qualquer ter mentido que me amava.
domingo, 19 de junho de 2011
Acertar.
Quero ser o teu amigo.
Nem demais e nem de menos.
Nem tão longe e nem tão perto.
Na medida mais precisa que eu puder.
Mas amar-te sem medida e ficar na tua vida,
Da maneira mais discreta que eu souber.
Sem tirar-te a liberdade, sem jamais te sufocar.
Sem forçar tua vontade.
Sem falar, quando for hora de calar.
E sem calar, quando for hora de falar.
Nem ausente, nem presente por demais.
Simplesmente, calmamente, ser-te paz.
É bonito ser amigo, mas confesso é tão difícil aprender!
E por isso eu te suplico paciência.
Vou encher este teu rosto de lembranças,
Dá-me tempo, de acertar nossas distâncias...
Fernando Pessoa
Nem demais e nem de menos.
Nem tão longe e nem tão perto.
Na medida mais precisa que eu puder.
Mas amar-te sem medida e ficar na tua vida,
Da maneira mais discreta que eu souber.
Sem tirar-te a liberdade, sem jamais te sufocar.
Sem forçar tua vontade.
Sem falar, quando for hora de calar.
E sem calar, quando for hora de falar.
Nem ausente, nem presente por demais.
Simplesmente, calmamente, ser-te paz.
É bonito ser amigo, mas confesso é tão difícil aprender!
E por isso eu te suplico paciência.
Vou encher este teu rosto de lembranças,
Dá-me tempo, de acertar nossas distâncias...
Fernando Pessoa
terça-feira, 24 de maio de 2011
Mas...
Tá bom, mas na história da humanidade toda, nunca deu certo querer fazer um coração pensar.
O que eu posso dizer? Ele me faz sentir coisas que eu nunca senti. Coisas físicas. Calor quando tá frio. Face enrubescida. Paralisia total, não encontrar mais as palavras. Tremor.
Não, não é doença. É só uma paixão irracional.
Eu sei que existem outras coisas, mas é preciso dois corpos pra ter uma atração. E ela existiu, inegavelmente. O meu fio de cabelo foi parar na roupa dele, saca? Coisas assim, de pólo passivo e ativo. De desejo. De carne e sangue e pensamentos que se unem. E uma guerra constante pra tentar deixar pra lá, mas eu não deixo. E ele também não, tá no jeito de me olhar.
O momento foi errado pra nós, mas a gente faz ele ser certo.
Me aguardem ;D
O que eu posso dizer? Ele me faz sentir coisas que eu nunca senti. Coisas físicas. Calor quando tá frio. Face enrubescida. Paralisia total, não encontrar mais as palavras. Tremor.
Não, não é doença. É só uma paixão irracional.
Eu sei que existem outras coisas, mas é preciso dois corpos pra ter uma atração. E ela existiu, inegavelmente. O meu fio de cabelo foi parar na roupa dele, saca? Coisas assim, de pólo passivo e ativo. De desejo. De carne e sangue e pensamentos que se unem. E uma guerra constante pra tentar deixar pra lá, mas eu não deixo. E ele também não, tá no jeito de me olhar.
O momento foi errado pra nós, mas a gente faz ele ser certo.
Me aguardem ;D
sábado, 14 de maio de 2011
Ponto final
Nosso sonho se perdeu no fio da vida... E eu vou embora, sem mais feridas, sem despedidas, eu quero ver o mar... eu quero ver o mar... eu quero ver o mar...
Se voltar desejos, ou se eles foram mesmo, lembre da nossa música... Música... Se lembrar dos tempos, dos nossos momentos, lembre da nossa música... música... Nossas juras de amor já desbotadas... Nossos beijos de outrora foram guardados... Nosso mais belo plano, desperdiçado... Nossa graça e vontade derretem na chuva.
Um costume de nós fica agarrado
As lembranças e os cheiros, dilacerados
Nossa bela história tá no passado
O amor que me tinhas era pouco e se acabou.
Sem despedidas,
acho que acabou bem do jeito que deveria
"eu não disse que era amor, só era bonito".
Pra nunca mais.
Se voltar desejos, ou se eles foram mesmo, lembre da nossa música... Música... Se lembrar dos tempos, dos nossos momentos, lembre da nossa música... música... Nossas juras de amor já desbotadas... Nossos beijos de outrora foram guardados... Nosso mais belo plano, desperdiçado... Nossa graça e vontade derretem na chuva.
Um costume de nós fica agarrado
As lembranças e os cheiros, dilacerados
Nossa bela história tá no passado
O amor que me tinhas era pouco e se acabou.
Sem despedidas,
acho que acabou bem do jeito que deveria
"eu não disse que era amor, só era bonito".
Pra nunca mais.
segunda-feira, 25 de abril de 2011
Espera.
Se fiquei esperando o meu amor passar, já me basta que então eu não sabia amar. E me via perdido e vivendo em erro, sem querer me machucar de novo por culpa do amor. Mas você e eu podemos namorar. E era simples: ficamos fortes! Quando se aprende a amar, o mundo passa a ser seu!!!
Sei rimar romã com travesseiro, quero minha nação soberana, com espaço, nobreza e descanso.
Se fiquei esperando o meu amor passar, já me basta que estava então longe de sereno... E fiquei tanto tempo duvidando de mim POR FAZER AMOR FAZER SENTIDO.
Começo a ficar livre! Espero... acho que sim! De olhos fechados, não me vejo... E você sorriu pra mim!
Cordeiro de Deus que tirai os pecados, tende piedade de nós.
Cordeiro de Deus que tirai os pecados do mundo, dai-nos a PAZ!
Legião Urbana - Se Fiquei Esperando o Meu Amor Passar.
PAZ.
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