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quarta-feira, 20 de julho de 2011

Amigo

Eu não aguentei e tive que vir fazer um post sobre o dia do amigo -meucu- porque hoje eu tô cética e estressada e falando umas verdades doa a quem doer.
Então é assim, nego vem encher o saco com frescurinhas dizendo que hoje é dia do amigo e que ama tanto e que não vive sem e que "Eu poderia suportar, embora não sem dor, que tivessem morrido todos os meus amores, mas enlouqueceria se morressem todos os meus amigos" mas OLHA. É muita hipocrisia.
Em primeiro lugar: não é fazendo uma cagada atrás da outra que se prova amizade e não é falando "feliz dia do amigo" pra alguém que vem uma borrachinha mágica e apaga toda a memória dessa pessoa.
Lógico, não to falando que amigo é perfeito, que tem que sempre fazer tudo pelo outro. Concordo que às vezes a gente erra e pede perdão - ou não - e é perdoado e tal. Mas não dá pra fazer disso um hábito. E concordo também que tem gente que nem se ligou ainda que não to mais falando com a pessoa e veio com essa frescura hoje, e eu tenho pena, porque a pessoa não entende que as atitudes têm consequências, não raciocina que ninguém tem sangue de barata e que nada na vida é de graça.
Há milênios as pessoas vêm falando e estudando a lei cármica, a causa e efeito etc. Isso existe, gente. Se você não cultiva da maneira correta as coisas vivas, elas morrem. Sentimentos são coisas vivas.
Claro que eu sou a favor do perdão e já tentei, muito além do que as minhas forças eram capazes, manter certas amizades, mas às vezes a gente pára e percebe que nada de bom sai dali. E abandona. Fim. Ninguém pode te culpar por deixar pra lá uma situação que te faz mal. Não existe isso de amar todo mundo que nem irmão pq é tudo filho de deus. O que existe é as pessoas merecerem o seu sentimento. E não é ninguém além de você que pode julgar esse merecimento.

De verdade, dá dó deixar passar, mas a evolução da vida tá no ato de deixar pra trás o que te puxa pra trás e seguir em frente só com as coisas leves da vida - e as outras que não deu jeito de largar.

Se eu tivesse que definir o que é amizade, diria apenas que é não se saber sozinho no mundo. E pronto. Disso tem muitas consequências, como não pensar só em você, tentar sempre dar um jeito de estar presente, de fazer alguma coisa. Mudar a rotina do seu dia porque alguém precisa de você naquele momento, mesmo que não diga, que não grite, mesmo que seja apenas uma troca de energias e você SABE que precisa ir lá. De não estar sozinho decorre também nunca deixar sozinho, mesmo que não seja possível estar presente. Decorre ter que dizer alguma coisa, mesmo que não saiba as palavras certas, porque não se aprende num livro como consolar um amigo. É atender telefone no meio da madrugada e saber que poderia ligar também se precisasse. É apenas escutar o choro. É dar bronca e falar que tá errado, e é também levar bronca e fazer diferente, ou pelo menos tentar. É dividir o mundo, os pontos de vista, as concordâncias e discordâncias. É discutir até o fim, até conseguir decidir. É se envolver, ficar ansioso junto, ligar pra saber como foi. É tentar falar que vai dar tudo certo mesmo quando você sabe que tá tudo uma bosta. É confiar na outra pessoa para que ela confie em si própria e consiga fazer o que é certo. É conversar até amanhecer sobre todas as coisas da vida e saber tudo, tudo, até o que nem a própria pessoa se dá conta. É ajudar a fazer o sol iluminar e tornar tudo dia, e segurar a mão enquanto a noite não passa. É preferir estar no lugar da pessoa do que vê-la sofrer assim. É ter inúmeras lembranças e toda vez que pensar nelas, sorrir. Acho que é isso.

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Your song

"Anyway, the thing is... what I really mean... Is those are the sweetest eyes I've ever seen"
- De qualquer forma, a questão é... O que eu realmente quero dizer... é que aqueles são os olhos mais doces que eu já vi.


Aí hoje eu acordei pensando que o que aconteceu ontem, de novo, não teve a menor importância. Talvez esse tipo de coisa nunca tenha tido qualquer efeito em mim, mas eu fingia que sim porque todo mundo sente, então eu também tinha que sentir. Mas não... Não sinto nada.

E logo eu que vivo dando lição de moral nos meus amigos que dizem que não vale a pena amar, que só machuca... Eu também não sei me deixar amar. E ai se eu for para para analisar o "algoritmo", tá tudo certo, sabe? Combinação perfeita. Resultado idêntico, infinto. E ainda assim eu não consigo.

Sabe o que é você ter uma relação tão boa com a pessoa que você não passa um minuto sem rir? E a química tão intensa que o corpo treme só de estar junto? E adorar estar lá porque é com ele e tudo é tão tudo que o mundo poderia se resumir àquele quarto, com o "NOSSO" sax. (risos)

Eu não consigo falar muito sério disso porque vocês sabem, né, eu não to sentindo. Mas eu deveria estar. Ultimamente na minha vida eu tenho feito coisas e tido vontades que eu não sei explicar. Já bolei planos mirabolantes que não deram certo mas mudariam a minha vida. E machucariam pessoas que não merecem, também.

Anyway, the thing is... what I really mean... é que eu não sei por que não estou aproveitando mais esse momento, nem acordei sorrindo, nem achei meu rosto mais radiante quando me olhei no espelho. Porque era isso que deveria acontecer. Vamos combinar, né. Eu acabei de sair de um relacionamento conturbadíssimo, que o cara não era nada do que eu pensava/queria e uma semana depois estava em outro, totalmente contrário, totalmente lindo. Que o cara é tudo que eu quis e ainda um pouquinho mais. Um que existe um carinho real e que ele não tem medo de admitir, como o anterior. Que ele não tem medo de se apaixonar, como o anterior. Que ele não tem medo de dizer. E eu aqui, insatisfeita, indecisa, pensando...

Ah, como eu penso demais!

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Pessoa.

Eu sei que eu disse que não escreveria nada aqui hoje, mas eu vejo que neste momento se fez a minha “revolução humana”. Eu, a partir de agora, 19:26 do dia 22 de setembro de 2010, sou outra pessoa.
Aconteceu uma conversa difícil, cansativa, desenterrando fantasmas do passado, dos sentimentos, de uma vida construída sob égides de areia, cujos cacos eu vi desmoronando, um a um, quando eu não tinha em quê me segurar. Eu sentia medo em voltar a acreditar na voz doce, sentia medo de não conseguir dizer o último adeus. Eu tive medo do único fim definitivo que cairia com o sol esta noite. Nunca havia conseguido visualizá-lo, sequer planejá-lo. Tinha medo do que eu sentiria. Muito medo.
Aliás, medo era um sentimento que me dominava, uma angústia, um receio tão motivado e ao mesmo tempo inexplicável. Eu não sabia o que sentir, e ninguém podia me dizer. Ninguém podia decidir por mim. Era a minha vida caminhando naquela corda bamba. Eram os meus passos. Minha decisão.
E então, enfim, eu decidi que eu merecia que nada disso continuasse acontecendo comigo. Que eu tinha o poder de deixar o passado e preparar um futuro maravilhoso. Que eu podia e devia deixar as migalhas que a vida me ofereceu pra trás, e esperar pelo banquete.
Claro que guardei o aprendizado, e claro que sentimentos bons nunca se apagam, momentos bons nunca se apagam. Recordações, talvez o tempo as leve. Talvez, um dia, as músicas caibam em outro alguém. O tempo é o senhor das lembranças, é ele quem determina as que valem a pena guardar, e as que se perderão com o vendaval do deserto que leva os grãos de areia pra tão longe, que eles se perdem no espaço.
Claro que deixar esta vida pra trás não foi fácil, claro que causou sofrimento, claro que as mãos e a voz tremeram, o queixo vibrou para segurar as lágrimas mas não havia movimento físico capaz de impedir a obviedade do choro. Depois de tudo, o sentimento de perda, de vazio, de “nunca mais”.
Não sei quanto tempo, talvez horas, talvez pouco mais de minutos, me fizeram perceber que eu não suportaria sozinha. Não tudo de novo. E então fui ao encontro da minha alma, me vi no espelho do Gohonzon e orei. Era o meu coração que dizia as palavras, o Mantra Sagrado se espalhava pelo meu espírito. Me atravessava, lento, recobrindo a carne que se mostrava por debaixo das feridas. O choro, em alguns momentos, era incontrolável. As lágrimas caíam e a prece se tornava mais forte, mais intensa, quase um gemido, uma imploração pela salvação.
Terminei o Daimoku me sentindo mais leve, e tive uma conversa com a Lei Mística. Contei a ela que este passo foi o mais difícil, a maior provação pela qual eu tive que passar na minha vida: deixar passar o meu melhor sonho. O vento o levará para longe, até que se perca de mim. Até que não haja mais caminho de volta. Mas a minha perspectiva mudou, depois de tudo isso. Agora eu vejo que eu virei a página, e nela há tantas folhas em branco do meu futuro, esperando para serem escritas com tanta alegria, tantas felicidades, tanta boa-sorte. Tanto bem que me aguarda. Chorei de novo, lágrimas de felicidade. Meu estômago, que recusava comida, continua sensível àquele nó da garganta, mas desta vez é porque a alegria não cabe mais no meu peito. A paz que estou sentindo quer me explodir, quer atravessar o meu ser e se espalhar pelas estrelas, pelo universo, pelo meu mundo, minha vida, que se faz, agora, tão linda, tão perfeita.
Eu, agora, só sei fazer e esperar todas as coisas boas que, eu tenho certeza, estão também só me esperando.




E, Carlos, faltou sim eu te dizer uma coisa:
Quando, você sabe, o seu espírito puder me encontrar, eu espero que ele tenha evoluído o suficiente, eu espero que ele me proteja e nunca me deixe sozinha. Você prometeu que estaria comigo, e eu acho que, nesse momento, quando eu for capaz de sentir sua presença, seu abraço, sua proteção, você poderá me fazer feliz de verdade (e você entende o que eu quero dizer com verdade), como na sua vida terrena você nunca foi capaz. Fica comigo?

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Meu corpo viraria sol, minha mente viraria...




Uma coisa que sempre passa pela minha cabeça é: e se eu tivesse feito tudo diferente? Se eu fosse madura naquele momento de imaturidade. Se eu houvesse pensado melhor. Se eu já tivesse aprendido a sentir, se o sentimento já fosse fácil de entender e controlar. Se aquelas palavras nunca houvessem saído da minha boca, se aquelas atitudes infantis não tivessem maculado o respeito. Se as desculpas fossem aceitas. Se o mundo, por um dia, girasse pra trás.


Eu sei que todos nós, olhando para o passado, vemos claramente o que deveríamos mudar. O que nunca deveríamos ter feito, dito. A flecha que jamais deveria ter sido lançada. Os motivos. Mas e se fosse tudo diferente e, ainda assim, não dependesse de mim? Se, mesmo assim, tudo tivesse dado errado no final, da mesma forma?


Revisar os erros por noites a fio é ato comum, corriqueiro, o mesmo de sempre. Mas talvez os erros não tenham sido tão errados: e se eles foram necessários? Com certeza sobraram as cicatrizes da guerra, e quem já viveu tudo aquilo uma vez, já sofreu tudo aquilo uma vez, já aprendeu a sangrar.

Ainda assim, quando o céu está escuro, a lua sorrindo, poucas estrelas, mas muito brilhantes, minha mente fica inerte. Nessa inércia, tudo volta. E se eu tivesse demonstrado, se eu tivesse dito, se ele tivesse me visto. E eu acabo chegando à conclusão que isso vale para todos os “eles”. Sempre o mesmo erro, o mesmo novamente. 


Mas vem tão mansinha uma certeza de que eu fiz tudo certo, mesmo achando que está errado. Porque algo me diz que a pessoa que eu sou hoje é melhor devido às cicatrizes. E as decepções são mais amenas, e as chuvas vêm e se vão sem que eu sequer sinta muito frio. Talvez molhar o rosto tenha o fim de lavar a alma.


quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Dia dois de setembro,

E tudo que ele não foi.



Esperou com a pontinha dos pés no chão de modo que, empenhando-se o suficiente, alcançasse as estrelas com as mãos. De uma delas ele fez um anel e seu dedo passou a carregar o símbolo do impossível que em breve seria real. A brevidade do tempo que sopra como o vento e já se foi, porque era esperado demorou a passar, e houve espaço para medos, angústias, expectativas e lágrimas. Houve alegria irradiante, houve a perda do chão.


Os dias se arrastavam, longos. Tic -------------- Tac. Tic ------------------------------------------- Tac. Mais uma noite, uma a menos. A lua acompanhava todos os movimentos. Sumia e voltava para checar sua cria. Ela continuava lá, todas as noites, esperando que a lua mudasse logo, voltasse logo, sumisse novamente e então chegaria o dia. O esperado abraço no banco, vento, luz, concreto, cheiro, mãos, toque, palavras, “a nossa estrela está linda hoje”, brilho, ofuscamento, noite, silêncio.


Tic ------------------------ Tac.


Tanto se passou e agora não haveria mais romantismo, estrela, lua, noite, vento, toque, boca. Havia apenas silêncio. As luzes e a escuridão passavam pelas janelas e ninguém se levantava para observar. Não havia mais nada para se ver. As três letras de “fim” substituíram as quatro do “amor”. Paredes se amontoavam espremendo qualquer intenção de respirar, mas não havia teto. Também não havia céu. Era um imenso vazio e o universo se expressava como um ponto de interrogação que jamais encontrava um “porque”.


A confusão e a agonia, a tristeza devastadora, a busca pela vontade de sonhar perdida.


Mas já não existia teto aqui.


Veio o fim do inverno e as folhas secas do chão foram levadas com a harmonia do ar novo entrando pelos pulmões. Ainda havia dança, mas eram outras as vibrações. E elas remodelaram e reconstruíram o teto. Ele apontava mais longe, desta vez.


Voltou a espera como o eco de uma caverna escura.


No entanto eram apenas reverberações, ela já não existia mais. Nada mais existia, nem os sonhos, nem as palavras, nem o silêncio. Só o teto.


E agora procuramos nos entender, reinventar, descobrir o que fazer com o anel de estrela. E se houver outra caverna, estaremos lá antes que só sobre o eco. Antes que o futuro funda-se ao passado restando apenas a intenção que hoje resiste, insiste, tão destruída, com os pedaços colados, frágil, bela. Ainda me surpreendo com a intimidade revelada na sutileza do comentário sobre um gosto já tão sabido que reconhecê-lo é natural.





Simples - Lya Luft
"Porque entre o sim e o não é só um sopro,
entre o bom e o mau apenas um pensamento,
entre a vida e a morte só um leve sacudir de panos
- e a poeira do tempo, com todo o tempo que eu perdi,
tudo recobre, tudo apaga,
tudo torna tão simples e tão diferente."



segunda-feira, 16 de agosto de 2010

O que há

“O que há em mim é sobretudo cansaço
Não disto nem daquilo, 
Nem sequer de tudo ou de nada: 
Cansaço assim mesmo, ele mesmo, 
Cansaço.

A sutileza das sensações inúteis, 
As paixões violentas por coisa nenhuma, 
Os amores intensos por o suposto em alguém, 
Essas coisas todas
Essas e o que falta nelas eternamente
Tudo isso faz um cansaço, 
Este cansaço, 
Cansaço. 

Há sem dúvida quem ame o infinito, 
Há sem dúvida quem deseje o impossível, 
Há sem dúvida quem não queira nada
Três tipos de idealistas, e eu nenhum deles: 
Porque eu amo infinitamente o finito, 
Porque eu desejo impossivelmente o possível, 
Porque quero tudo, ou um pouco mais, se puder ser, 
Ou até se não puder ser… 

E o resultado? 
Para eles a vida vivida ou sonhada, 
Para eles o sonho sonhado ou vivido, 
Para eles a média entre tudo e nada, isto é, isto… 
Para mim só um grande, um profundo, 
E, ah com que felicidade infecundo, cansaço, 

Um supremíssimo cansaço, 
Íssimo, íssimo, íssimo, 
Cansaço…”

Álvaro de Campos

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

But you blow it on a bottle of wine

- And I just said: dude, your perspective on life sucks!





Life is simple, but you never fail to complicate it every single time ...



Mika.
Acho foda.

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Elo

Senti sangrar o peito, como o último caco de vidro que sai do machucado. Aquele que fica embaixo da pele e dói tanto, que a gente deixa lá, por medo. Mas o medo corrói e corrompe. Ele fica maior do que é e começa a atingir tudo ao redor. O medo muda até a forma de ver as coisas, muda a nossa percepção. É como se todo mundo quisesse te machucar. Cada pequeno problema em casa, no trabalho, na faculdade, no trânsito, na rua, vai ficando imenso, porque vai juntando. E mudamos a forma de agir também. O receio domina, e não adiantam mais as palavras, a gente passa a sentir necessidade de demonstrações... Mas não é o tempo todo. Não é sempre que dá pra cruzar a ponte.
Eu rompi o elo de algo que me puxava pra trás. Mas, pra enxergar isso, veio primeiro uma explosão. Foi tudo de uma vez, tomou o quintal e eu quis trancar a porta, para que as ondas parassem de chegar. Mas elas vinham, me atingiam da mesma forma. Eu vi que apenas trancar a porta não me protegeria. O que me protege, sou eu mesma. É tentar me saber melhor...
Enquanto isso, algumas provas foram dadas. Lindas provas. Mas eu precisei de um tempo pra botar tudo no lugar. Tentei, aos trancos e barrancos, conservar a parte boa, a única que valia. Já no que diz respeito à parte ruim, fui tomando fôlego. Eu sabia que seria difícil enfrentar.
Mas fui com um discurso pronto, que, na hora, foi todo mudado. Já não servem as frases prontas e certezas postas na mesa, quando há tantas feridas em jogo. Coloquei as cartas, mas virei a mesa. Joguei no chão. Pra quê explicações? Só devo fidelidade à minha consciência. Eu disse o que tinha pra dizer, e já não implicam em nada as alegações de que mentiram pra mim, “não é nada disso”, “eu nunca fiz nada errado”.
Erros todo mundo comete. O meu erro foi ter acreditado. Talvez nem seja um erro, deve servir de aprendizado. Vai servir pra alguma coisa.
Os papéis todos pelo chão, jornais e diários picotados porque não contam mais a vida que é, e sim aquela em que eu acreditava. Recortei o que de bom sobrou ali.
Mas cadê a leveza por ter cumprido o que eu vim pra fazer? Eu descobri que ela não vem de graça, nem rápido, nem fácil. É difícil, tem que procurar. Mas agora sinto que já há mais espaço livre aqui dentro, sem o último caquinho de vidro. Mesmo que eu ainda não consiga olhar para o lado, que eu deixe passar oportunidades, romances, amores... Mesmo que eu me sinta completa, mas faltando um pedaço, que eu não sei explicar se está em mim ou em outro alguém... Mesmo que eu só toque a brisa leve com as mãos, é o início do verão, de qualquer forma!


quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Post nº 100

Algumas coisas que eu aprendi.


Aprendi que eu não me encaixo em moldes, não sigo modelos e odeio tendências.
Aprendi que andar olhando para o céu é melhor que andar olhando para o chão. Porque é lá, com as nuvens, que eu posso desenhar e ver o que eu quiser.
Aprendi que se eu me esforçar o suficiente, dá pra ouvir o barulho dos pássaros em qualquer lugar que eu esteja.
Aprendi que muitas vezes eu vou olhar para trás e não vou me entender. Às vezes eu não me reconheço nas fotos do passado. Às vezes meu sorriso muda.
Aprendi que fazer besteiras todo mundo faz. O que difere os sábios dos tolos é que aqueles têm a capacidade de aprender com os erros, enquanto estes sempre se tornam vítimas de si mesmos.
Aprendi a tirar o maior proveito possível dos instantes de prazer. E o prazer pode estar em coisas mais simples do que se imagina.
Aprendi que o maior sentimento de “dever cumprido” é, no final do ano, fechar um livro de 800 páginas e pensar: eu sei tudo o que tem aqui.
Aprendi que, por mais que eu queira superar meus limites, nada me faz correr mais – no bosque – do que trovoadas e um céu ficando azul escuro. (haha, no meio de tanta coisa séria, eis aí um fato cômico e trágico)
Aprendi que sair pra dançar, gritar, cantar e curtir com as amigas é bem melhor do que passar a noite com um cara qualquer.
Aprendi que, por vezes, as pessoas ao meu redor vão se envolver em teias e não vai ser culpa delas quando eu resolver não querer mais. Pessoas envolvidas em teias vêem tudo nublado.
Aprendi que eu posso querer uma coisa, bater a cabeça, sonhar, morrer por ela. Mas que, se eu não conseguir, é porque foi melhor assim. Agora, eu vejo.
Aprendi que uma vitória não chega sem muito suor. E, se chegar, não vale nada.
Aprendi que eu preciso olhar para o lado e estar cercada de amigos, mas que não adianta buscar na plenitude dos outros algo que encha o vazio que há em mim.
Aprendi que me afogar em mim faz bem.
Aprendi que acordar às quatro da manhã com inspiração é a melhor coisa que existe.
Aprendi que não devo voltar a dormir. Escrever folhas e folhas corridas, perder o sono, olhar o mundo lá fora, chegar a um conhecimento tal de mim mesma que dormir já se torna desnecessário... Tudo isso é uma dádiva que eu preciso saber usar.
Aprendi que dar a outra face não é o meu forte, mas que por um amigo eu passo por cima, e dou.
Aprendi que conversar comigo não é loucura. Loucura é me deixar perder nesse mar de indagações sem respostas. Se eu puder me responder, valeu a pena.
Aprendi que construir e desconstruir faz parte da vida. E que matar um sentimento dói, mas cura.
Aprendi que acreditar nas pessoas pode te levar ao céu ou ao inferno... Mas que vale a pena acreditar mais uma vez, tentar de novo. Não dá pra perder a fé na humanidade. Alguém, algum dia, vai dizer a verdade. E quanto ao resto? Quem me enganou? Não sinto mágoas nem angústias, porque eu dou sinceridade sem esperar sinceridade em troca.
Aprendi que não bastam as convenções, o que vale é o caráter. Ninguém demonstra ser o que realmente é.
Aprendi que a minha personalidade forte desagrada muita gente, mas que eu não sei atuar o tempo todo... Portanto, dou a opção de escolha. Quem escolher ser meu amigo pode esperar de mim tudo o que vem de alguém com caráter: lealdade, cumplicidade, segredos bem guardados, conselhos e esporros quando necessário. Mas isso tudo vem com uma inconstância incrível, uns momentos em que me interno dentro de mim e ninguém tira, sensibilidade à flor da pele, risos e choros no mesmo dia. Eu sou assim, “minha inconstância sorri”, construo todos os dias minhas verdades e sonhos e conquisto a vida, porque ela merece ser mais que sóis que nascem e se põem.

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Teste

Atoron fazer teste quando não tenho mais o que fazer. ;)

Resultado: 40 pontos

Os outros te vêem como alguém sensível, cauteloso, prático e cuidadoso. Te vêem como inteligente, talentoso, mas modesto. Não uma pessoa que faz amigos muito rápido e fácil, mas alguém extremamente leal aos amigos que você faz e que espera a mesma lealdade deles. Aqueles que realmente te conhecem percebem que é difícil abalar sua confiança em amigos, mas também leva um bom tempo para recuperá-la se esta confiança se acaba.

Teste de Personalidade

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

... é quando não precisa perguntar.


Duas lágrimas conseguiam encontrar seu caminho no meu rosto já molhado, enquanto um sorriso se formava nos meus lábios secos. Minha boca ainda permanecia aberta, perplexa, como a de uma criança que vive um pesadelo. Meu coração, entretanto, parecia se aquecer, se destituindo da forma petrificada, a qual se prolongava pelas horas de aflição daquele dia, depois dos dias que se seguiram, e semanas... Ele era uma pedra redonda e chata, mas as palavras que me chegavam por uma tela imensa e fria faziam com que minhas mãos parassem de tremer. Meu rosto, contraído, sentia um pouco da leveza dos primeiros pedacinhos de paz que me embrulhavam o casulo. As mãos dela amoldavam a pedra, pois eram capazes de amolecê-la. Ela tinha a receita para acabar com a minha dor, e fazia.


Meus pensamentos ainda estavam revivendo o dia anterior: um momento de leveza de alma, vários sorrisos e depois veio a explosão. O prédio todo era posto abaixo e eu não era mais a espectadora. Eu estava no jogo, e vivendo, e morrendo. Foram muitos açoites e várias janelas quebradas a pedradas. Sentia na pele o rasgo firme e fundo. Mais, sentia-o na alma. Lembro-me apenas de palavras caladas que saíram como um grito incontido. Grito este que jamais deveria ser escutado. Eu não podia tê-lo ouvido, mas as vozes roucas, fortes e graves continuavam a procurar seu caminho até mim. Eu me escondia, tampava os ouvidos, mas nada adiantava. Ninguém podia conter tamanha fúria. E me encontraram. Acabei me perdendo na artilharia confusa, com armas apontando para todos os cantos. Ainda não me encontrei.

Tremendo, tive medo. Escorei na janela para que ninguém me escutasse. Só o céu era testemunha daquela dor imensa, mais ninguém. E eu não queria... Sabia que ninguém seria capaz de me ler nas reticências e eu não podia dizer nada além de meras reticências.

Minha vontade era de gritar até que alguma estrela me ouvisse, mas pensei melhor: mesmo que ela me ouvisse, não desceria do firmamento para me dar um abraço. Nem para oferecê-lo. Decidi, então, recusá-lo primeiro, para não sentir a dor de uma recusa.

Com passos de fé, voltei àquele abrigo do início, que me havia proporcionado sorrisos, mas agora já não havia ninguém lá. Eu era invisível e não conseguia me encontrar... Talvez ninguém quisesse me encontrar. Recostei-me na dureza daquele chão e me deixei ficar. Esperei. Ninguém veio.

Decidi então que era hora de me fingir feliz. Quem me quisesse, me perceberia, mesmo que perdida na farsa de uma alegria inventada. E alguém percebeu. E foi quem me fez sorrir entre duas lágrimas num rosto molhado. Foi quem falou, escutou e acima de tudo: me sentiu. Foi quem não me perguntou, porque não precisava perguntar. Foi quem não aceitou uma resposta mentirosa de que estava tudo bem. Foi quem não se entregou à própria mediocridade e ao egoísmo que assola tudo o que está em volta. Foi alguém que está além das estrelas.

Outras velhas estrelas se cansaram do meu fingimento que, me desculpem, não era bom o suficiente para convencer ninguém. Eu, me desculpem, não soube fingir estar alheia aos escombros ao meu redor, só para fazer alguém sorrir. Eu, me desculpem, prezo somente a amizade daquela que moldou a minha pedra. E se alguém disser o contrário, me desculpem, mas eu não preciso provar que nada disso precisa ser provado.

Ficamos eu e aquela amizade, sozinhas no sereno. Que ela me guie, como sempre faz. Que eu sirva de apoio também a ela, quando precisar. Que as nossas gargalhadas continuem a soar sinceras pelo resto desse túnel inundado por acontecimentos bons e ruins que é a vida... Que a nossa vida permaneça unida sinceramente, por laços reais e não apenas pela culpa de ter que ouvir. Que eu, um dia, consiga lhe agradecer pelas palavras, pelo carinho dispensado a mim em todos os momentos, pela alegria que ela me proporciona por se fazer presente, sempre. Que eu consiga, em algum momento, sentir o amor que ela merece, porque o meu é enorme, mas não é suficiente se comparado à grandeza dessa amizade. Que o resto fique caído ao meu redor, mas que no centro da minha vida eu consiga fazer com que esta única permaneça.

Eu só queria agradecer pela paz, pelo conforto e pelo abraço.


terça-feira, 6 de outubro de 2009

O que é que fica pra sempre?


“Era uma vez, mas eu me lembro como se fosse agora. Eu queria ser trapezista, minha paixão era o trapézio. Me atirar lá do alto na certeza de que alguém segurava-me as mãos, não me deixando cair. Era lindo mas eu morria de medo, tinha medo de tudo quase: cinema, parque de diversão, de circo, ciganos, aquela gente encantada que chegava e seguia. Era disso que eu tinha medo: do que não ficava pra sempre.



Era outra vez outro parque, outro circo, ciganos e patinadores. O circo chegou à cidade, era uma tarde de sonhos e eu corri até lá. Os artistas se preparavam nos bastidores para começar o espetáculo e eu entrei no meio deles e falei que queria ser trapezista. Veio falar comigo uma moça do circo que era a domadora, era uma moça bonita, mas era uma moça forte, era uma moçona mesmo. Me olhou, riu um pouco e disse que era muito difícil mas que nada era impossível. Depois veio o palhaço Polly, veio o Topsy, veio Diderlang, que parecia um príncipe, o dono do circo, as crianças, o público... De repente apareceu uma luz lá no alto e todo mundo ficou olhando. A lona do circo tinha sumido e o que eu via era a estrela Dalva no céu aberto.Quando eu cansei de ficar olhando pro alto e fui olhar pras pessoas, só aí eu vi que estava sozinho”.
 
 
 
 
Era disso que eu tinha medo: do que não ficava pra sempre.
 
Está na hora de parar de pensar no futuro, que, supostamente, é melhor que "este hoje escuro".
Nós costumamos construir as relações pensando no que ela trará de bom, querendo estar lá quando ela precisar, e saber, ao mesmo tempo, que ela também nos esperará. Mas como ter a certeza?
O que podemos esperar é o que nos foi prometido, nada além disso. A visão que temos ao observarmos à distância uma amizade qualquer, costuma enganar bastante. E acreditar que alguém prometeu a eternidade, o companheirismo, o ouvido, quando, na verdade, não prometeu nada, significa o quê? Essa carência por encontrar alguém... E, ao encontrar, desenhar um deus, uma marionete que dirá o que queremos ouvir.
Será que pode haver amizade sem cobranças?
A admiração, que às vezes ultrapassa fronteiras, também engana por nos fazer pensar que ela é mais.
Esse vão que faz entre minhas mãos porque as suas não querem estar nelas, continuará aqui, esperando. Mas eu também não prometo a eternidade.
Amizade sem promessas é uma amizade sem limites, sem "até onde POSSO ir" ou então "até onde PRECISO chegar".
É te encontrar e precisar contar; é ensurdecer para o resto do mundo, só pra te ouvir. É a vontade doída de dar um abraço, é confiar e dizer, é chorar. É saber quando parar, quando é necessária uma felicidade instantânea e quando devem ser discutidos os grandes problemas. É fazer parte daquela mesma crise existencial em que os pensamentos correm e chegam juntos. É estar junto, mesmo longe, por conexão. É sentir-se como se sente o amigo. É saber, sem que ele conte. É quando ele não precisa contar.
 
E que dure o tempo que durar, que seja bom, que provoque risadas, reflexões e afagos. Que seja breve e louco ou longo e são, mas que seja.
 
Vivemos num mundo canibal onde é cada um por si. Ninguém sabe a importância de um colo até que precise de um. Precisamos de alguém que nos leve a dizer coisas que nem a nós mesmos, admitíamos. Preciso que alguém me leve a pensar, me faça crescer. Que me leve a alçar vôos, mas que me puxe de volta ao chão. Que fale besteira quando eu estiver triste, pra me fazer sorrir, mas que perceba quando esse sorriso não for sincero.
 
Mudam as estações, mudam os colegas, mudam os lugares, mudam as cores das flores. Mas meus amigos? "Quando eu olhar pro lado, eu quero estar cercado só de quem me interessa".
 
 
E se não ficar pra sempre?
Não quero cobrar isso de ninguém, quero apenas ser amigo, enquanto for. Estar ali, enquanto eu estiver. Porque as lembranças e todos os sorrisos ficarão guardados, mesmo que as flores já estejam murchas e as cores já tenham mudado. O vão nas minhas mãos voltará, mas em breve será preenchido por outras... Nesse ir e vir sem razão da vida, ficam as pessoas que foram importantes guardadas num cantinho do armário. Queria guardar num frasco, pra poder abrir e sentir o perfume daquela amizade antiga. Já que não posso, paro e sinto, agora. As amizades de hoje, que podem sumir no amanhã incerto, estão sendo bem aproveitadas. Os momentos, bem vividos. Assim, a dor da perda tornar-se-á mais suportável, se for sentida com o coração cheio desses perfumes, bem guardados aqui dentro.
Não preciso mais sentir medo do que não fica pra sempre, se eu conseguir transformar esse presente num momento eterno.

sábado, 3 de outubro de 2009

I need to know... myself.


Bom, vocês sabem. Emprestar o ouvido é coisa que poucos sabem fazer. E eu fico nessa melancolia, imersa nas lembranças, porque, do presente mesmo, não sobra muito... Eu penso em tudo o que conquistei e perdi, tão rápido e tão fácil. Como veio, foi.
Eu tinha 14 anos e ele 18. E me apaixonei. E a nossa música era “Por Enquanto” porque era um trato implícito... E, um dia, eu escrevi: “quando penso em alguém...” e entrei no MSN, subiu minha janelinha. Logo em seguida, subiu a dele com: “só penso em vc...” e eu me lembro como se fosse hoje. Aquela sensação, o coração batendo rápido, o corpo todo fora do meu controle, as mãos tremendo ao digitar, a voz meio rouca porque não queria sair, aquela ansiedade, instabilidade, a incerteza e os joguinhos de sedução...
Aí está a definição: um turbilhão de emoções que me faz querer estar viva, me sentir viva. É uma mistura de vontade, paixão, o desejo pelo movimento, a loucura e sentir o descontrole me levar, me deixar levar por ele... Eu quero abrir a janela, inspirar a doçura e poder sair, ir até lá, tocar o ar com as mãos como se o tempo fosse meu, o destino fosse meu, como se eu pudesse girar essa roda imensa de todas as relações, tomar o mundo nas mãos e sentir, me deixar sentir, gozar ao sabor da magia que esse sentimento causa. Sim, é uma mágica e é inexplicável... É algo que eu nunca vi.

Hoje, eu me sinto indecisa. Eu vejo todos os erros e olho ao meu redor... Não há nada aqui... E eu não quero nada mais. Tudo o que eu desejo, está ao meu alcance. Algumas coisas vão demorar mais, outras eu atinjo em minutos... Mas fica faltando me conhecer, decidir o meu querer. Saber o que é que eu penso, realmente... E as conversas aprofundadas ficam a cada vez mais rasas. Eu não tenho muito com quem conversar. Claro, para cada aspecto da minha vida, meu cotidiano, minha personalidade, eu conheço alguém que combina, que dá certo... Mas eu tenho estado com preguiça de discutir, de saber mais de mim...
Me percebi em alguns momentos de intensa felicidade sem sentido. Notei que quando eu precisar, alguém estará lá... Eu não preciso esmolar. Essa necessidade de alguém sempre ao meu lado está sendo suprida por pensamentos, poemas, filosofias, amizades. Eu finalmente encontrei um caminho que me leva a mim mesma, mas às vezes me sinto aprisionada... Não consigo dizer, meus segredos permanecem guardados... Todo ser humano tem segredos, mas é tão bom poder contar! Semear por aí a minha confiança tem sido um exercício, e tem dado certo...

Agora eu preciso me concentrar em descobrir até que ponto vão as influências e, depois disso, onde começa o que o mundo tem me ensinado, o que a minha maturidade tem me permitido aprender e onde minha idade me deixou chegar. Há algum tempo eu aprendi a observar mais as pessoas, falar menos, escutar muito e me fazer presente a quem quer que precise. Tenho melhorado como pessoa, me doado mais, até a quem não mereceu. A quem não sabe retribuir, ainda assim eu estou aqui, porque sou eu que também cresço.
Ouvi algumas opiniões recriminadoras, algumas críticas, alguns empurrões e outros puxões de orelha. Saí dessa minha crise existencial – já estava na hora. Tantas existências por aí tão mais complicadas que a minha... Eu estou bem, estou tranquila e agora só preciso de calma pra saber por onde seguir... As trilhas estão todas prontas, tenho recebido muitos conselhos e só cabe a mim escolher. É difícil mudar uma vida toda ou permanecer nessa prisão, mas preciso optar. Não quero me arrepender do que não fiz... Eu vou aproveitar minha pouca idade para cometer todos os erros que só me são permitidos agora. E que sejam erros ou acertos, que venham de qualquer forma, que me ensinem, que me cresçam, que me transformem, melhorem ou piorem, que me façam ver. Eu quero ver, só isso. Eu preciso ver. E tirar esse vazio de mim.

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Divagações.


Nada a ver uma coisa com a outra, mas vou colocar aqui...
Escrevi no caderninho de coisas impublicáveis, então tem algumas coisas desconexas por estarem censuradas HAHAHAHA

Enfim.

Ser chato é difícil. Precisa de muita personalidade. É bem melhor mandar uma risadinha, um emoticon engraçado. Mas ser chato não. Pra ser chato você coloca muita coisa em jogo, até uma amizade. Mas eu prefiro ser chata do que falsa. Sou chata mas não levo desaforo pra casa. Eu não abaixo a cabeça para o que dizem e nem me diminuo pra ninguém sobressair. Eu sou chata porque palhaçada, pra mim, tem limite. Sou chata porque "não tenho filho dessa idade com quem me preocupar". Sou chata porque se seu pai não te educou, não sou eu que vou sair do meu salto. Sou chata, mesmo.


A gente precisa ser um pouco cego, um pouco burro e um pouco surdo (isso é uma adaptação ao nick de uma pessoa aqui do meu msn, a Thuysa).
A gente precisa engolir em seco.
A gente pode suspirar quantas vezes for necessário, mas que cada suspiro seja uma injeção de força e ânimo para derrotar mais esse inimigo, subir mais esse degrau, traçar mais esse caminho, ultrapassar mais esse obstáculo, passar mais essa página, erguer mais uma vez a cabeça, levantar após mais essa rasteira que a vida deu.


Há quanto tempo eu não paro pra ouvir o silêncio? Ouvir meu coração bater e dizer o que está trancado nele?
Hoje eu me deitei um pouquinho, o tempo que deu, e fiquei ali, parada. Pensei em várias pessoas. Reavaliei as merdas que eu fiz do passado. Lembrei das decisões que eu tomei agora. É, agora eu escolhi aquela estrada ali. A quem ficou no outro lado, no outro caminho, sobrou um adeus. Ficou lá um pedacinho meu. Outro, cá. Mas de pedacinho em pedacinho, a gente vai reerguendo aquele edifício. Fácil não é, mas uma hora termina.


Um sonho só tem graça quando ainda é sonho.
No sonho, as pessoas não são reais, são perfeitas.
As respostas dadas serão sempre as esperadas. O abraço estará lá, disponível, toda vez que fizer frio.
A vida real é deprimente, quando, do sonho, caímos nela. Ver tudo tão cinza faz mal, vamos voltar ao sonho?
Mas agora não dá. Ele se personificou e está aqui, parado na minha frente. Me dando um tapa na cara, mandando acordar.
Que triste, estou fadada a viver acordada.

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Ando tão à flor da pele...

Primeiro deixa eu sair um pouco do clima do post, pra registrar a minha emoção.

O @Prof_Pasquale respondeu uma dúvida minha :)

Enfim, deixa eu voltar para o clima do post.

Ando tão à flor da pele.
Tanto na música do Chico, como na música do Baleiro. E isso não foi só pra ficar engraçadinho, pra dizer que eu tive uma sacada. É verdade mesmo.

Eu tenho me afastado, e poucas pessoas têm percebido. Talvez seja porque eu não me tenha afastado só delas, me afastei de mim também.
Acho que, no momento, minha vida se resume a uma coisa: Não tô com saco.
É.

O que será que será, que dá dentro da gente e não devia, que desacata a gente, que é revelia, que é feito uma aguardente que não sacia.

Eu já cansei de escrever aqui a respeito da minha impotência frente aos sentimentos que me assaltam por aí.
Ontem eu estava indo pra facul e no caminho tem uma árvore que, no inverno, floresce. Faço esse caminho bem quando o sol está nascendo, aí tive o privilégio de olhar pra essa árvore por um ângulo incrível. O sol passando por entre os galhos, as flores mais roxas que o normal dos dias nublados que vinham se sucedendo. O céu azul, de um azul tão bonito que de tanto olhar pra ele, perdi a noção do caminho. Na volta, um Ipê branco com um véu ao vento. É, as flores caíam o tempo todo, deixando a calçada inteirinha branca. Quem passasse ali embaixo tomaria uma chuva de perfumes... Eu não passei, não me animei a trocar de calçada.
Mas... Por quê será que não me animei, se eu sempre amo ver essas cenas que só há na natureza? Se quatro horas antes eu havia parado pra ver uma árvore de flores roxas, por que não pararia agora pra ver uma de flores brancas?

Enfim, acho que a manhã tem um efeito revigorante, que com o passar das horas vai se esvaindo...
Pensar que ainda há um dia inteiro pela frente, que pode ser o melhor da minha vida, e ver isso se transformando em mais um dia comum, normal, sem nada. Acho que é isso que diminui até a magia das imagens fascinantes que há pelas ruas...
Essa saudade de nada, esse orgulho por nada, esse fascínio por nada, essa procura por nada, essa falta...

Ando tão à flor da pele, que meu desejo se confunde com a vontade de não ser.
Meu desejo de traçar aquele caminho a cada dia, a cada passo... Aquele desejo de acordar um dia e pensar: "fiz tudo que quis", e não apenas "fiz como pude". Mas uma criança de 18 anos não pode perder a fé, assim, no mundo e nas pessoas.
Mas... Com o que tenho visto, fica difícil manter essa fé. Tenho visto coisas horríveis, mas só quem tem muita sensibilidade capta. Eu captei.
O problema é que toda essa sensibilidade só me faz mal, não serve pra nada. Não sou artista, não sei o que é "tirar sustento da imaginação", não faço poemas, não escrevo bonito, não enxergo a beleza do "sem nexo".
Eu procuro sempre, sempre, a explicação lógica pra tudo e nem sempre acho. Nem tudo tem explicação.
Tenho que me acostumar ao infinito, à falta de razão, às pessoas e ao jeito delas. Mas não me obrigue a tentar de novo, não agora. Agora, não quero mais.
Não quero ouvir os problemas dos outros, não quero passar horas aqui.

Seria egoísmo dizer que o sorriso de muita gente já não me importa, e também seria mentira. Claro que me importa, eu só não faço questão agora. Enquanto eu não tiver o meu sorriso pra complementar o seu, eu não estarei por aqui...

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Foda-se


É, hoje eu vou escrever um texto do tipo "foda-se". E foda-se se vc não gostar, haha.
Enfim, tô cansada desse negócio de ter q ficar escrevendo as coisinhas bonitinhas... quem não gostar, que dê um unfollow ali...

Um belo dia, aos 14 anos, eu descobri como ligar o foda-se.
Foi assim: ele não me ligou. Aí um chorava num canto, o outro chorava no outro. Primeira desilusão amorosa.... haha foi tão engraçado. A gente (eu e as meninas do primeiro ano do ensino médio) passava o caminho inteiro do colégio até o terminal cantando: é a vida, e é bonita, é bonita e é bonita. kkkkkkkk
Sim, pq pra tudo eu dizia: é, é a vida.
Pq eu tava meio deprimida sim. Mas eu acho que essa foi a única vez... Depois, ele não ligar, não dava nada. Depois, minha mãe não me entender, também não dava nada. Depois, a falsidade das "amigas", não dava nada. Depois, bem depois, o amor perdido, também não dava nada.
Ah, para os idosos de plantão, "não dar nada" significa não ter problema, não estar nem aí, estar pouco se fodendo (pra combinar com o clima do post).

Então, mas aí eu descobri que com o foda-se ligado, eu passei a me importar menos. Como já disse em algum lugar, algum texto, poema, seiláoquê (talvez nem tenha escrito no blog), enfim, como já disse: o torpor frente a certos acontecimentos cotidianos foi diminuindo, até se tornar quase imperceptível. Eu não sei se eu não sinto, se não quero sentir, se penso que não estou sentindo ou se me engano. Acho que me engano. Sim, porque... Sabe aqueles pensamentos de quando você bota a cabeça no travesseiro, ou quando você abre os olhos de manhã? Pois é, aqueles pensamentos são incontroláveis. E eles me vêm. E derrubam por terra a teoria do foda-se. Sim... Por que será q às vezes, do nada, no meio de um lapso de consciência, eu digo: "amor"?

Enfim... acho que a teoria do f0da-se não é muito válida, às vezes.

Um exemplo é o caso da minha mudança repentina de humor. Esse repente, não é tão de repente assim. Tem um motivo, sempre.
A internet é o principal.

No orkut vc tem acesso a muitas informações, vc pode acompanhar a vida inteira de uma pessoa, todos os seus contatos e como ela se comunica com eles... Aí, um belo dia, você entra no scrapbook de alguém e... BUM! Uma frase que te derruba... pelo dia inteiro. ¬¬ Às vezes nem tem nada a ver com você... mas você já tá derrubado e acabou. E cadê o foda-se nessas horas?

Sentimento de quê? Impotência. Essa é a palavra. Eu simplesmente não consigo mandar tudo isso à merda. Eu tenho meus valores, tenho meus sentimentos... E tenho sentimentos pelas pessoas... E se elas só sabem sentar em cima, o que eu devo fazer? Esperar até que haja tantas "sentadas" dessas, que amacete tanto essa parte do coração, até que ele pare de se importar.

É, nem sempre o foda-se é tão instantâneo assim.

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Tic-tac.

A noite estava demorando pra cair
A cabeça não parava de girar
Me lembrava do caminho que segui
E de como não pensava em voltar
E de como eu voltei a sorrir
E em como eu queria chorar

E depois de me dar e fugir
Tentei me prender n'algum lugar
Mas já não era mais o mesmo aqui
Já não podia mais ficar

O relógio parou de tiquetaquear
A respiração parou de fluir
Eu parei de titubear
E voltei, e andei, e corri
E enfim a noite veio me saudar.

Aí finquei os pés no chão
Daqui não vou mais sair
Não quero mais mudar.

domingo, 16 de agosto de 2009

Sobre a Janaina, o Carlos e o fone de ouvido

Bom, em primeiro lugar eu tenho que falar da Janaina. Num dos posts anteriores eu comentei que o Carlos era o único leitor assíduo do blog, o que era mentira, mas ele riu. Eu avisei que era mentira, coloquei só pra ficar engraçado. Enfim, algumas pessoas ficaram PUTAS e disseram q não leriam mais, então vou tomar a Janaina como exemplo e dizer: há mais desocupados que lêem isso aqui do que poderia supor minha vã filosofia kkkkkkkkkkkk
Aí ela disse que viciou aqui. Eu falei que viciou pq é curiosa, fofoqueira, quer saber da minha vida. hahahaha
Não, não, ela acha interessante. É pq eu falo de mim, mas eu deixo o conteúdo abrangente. Não falo só de mim.
Eu acho simplesmente maravilhoso quando alguém se identifica com alguma coisa, copia e cola algum parágrafo em algum lugar. Um dia eu ainda vou ouvir: Eu quero ser como você quando eu crescer. hahaha
É o que eu diria pra Ana se eu pudesse falar com ela. Enfim, não é disso q eu vim falar.
Ah, só mais uma coisa pra Janaina (tem q falar bastante dela, pra ela se sentir importante).
Da primeira vez q vc ligou no cel, eu demorei pra responder "Carol" qdo vc perguntou "quem é?" porque... enfim, leia o depo da Bah no meu orkut q vc entende...


Tá, agora eu vou falar o q eu vim pra falar.

Estava no carro, viajando em companhia do Zeca Baleiro, Lenine, Nando Reis, Zelia Duncan e Chico. Olhando os campos e as árvores que passavam, mas outras ficavam. Quanto mais longe eu olhava, mais estáticas as coisas eram. O movimento acontece só com o que está perto. O que está longe a gente nem sente mudar.
Tá, e aí tocou Sofia do Nando (sim, eu ainda tive preguiça de procurar no Google se a Sofia é com F ou PH) e meus olhos se enxeram d'água. É que eu fico vendo meu pai sendo outra pessoa com as outras pessoas. Fica engraçado. Enfim, também não é disso que eu vim falar.
Eu vim falar sobre o fone de ouvido.

Sim, porque ninguém suporta o roberto carlos cantando em espanhol durante uma viagem inteira. Aí eu enxi os 2 gb do mp4 com tudo que tinha de bom, e fui ouvindo. No máximo.
É um exercício pra curiosidade. E eu deixei muita gente curiosa falando que eu ia postar uma teoria sobre isso, aqui. Ninguém entendeu nada. Agora vão entender, uhul. hahaha
Acontece o seguinte: vc está num ambiente com mais de duas pessoas, elas estão conversando e vc tá ouvindo música. No máximo. Vc não ouve o q elas estão dizendo. E então? É um exercício pra curiosidade. Pra vc ver até q ponto prefere a música. Bom, eu prefiro a música sempre. Odeio o lixo que é a maior parte da sociedade. Todo mundo sabe da minha revolta sobre isso, então nem vou me alongar muito.
Tenho que fazer um post enorme, um dia desses, sobre a viagem. Os tempos bons que não voltam. A saudade, a incoerência.


Enfim, esse post foi idiota, mas é pq eu não consigo sair do msn. Pessoinhas viciantes!
Não consegui pensar.
Só que: promessa é dívida. Eu vou escrever uma música "baleirística" para a qual UMA frase está pronta kkkkkkkkkkkk
Daqui a uns dez anos, esperem, pq eu vou postar aqui. :D


Ah, e não sei por que cargas d'água meu video pra Ana ainda não tinha vindo pra cá, agora veio:




The end.

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Aqui...

Hoje eu vim pra falar de sexualidade.


Sim, porque já tô de saco cheio de gente falando do que não sabe. Tá certo que a comunidade (e pra quem não sabe do que estou falando, nem precisa continuar lendo, pq vc não é um dos motivos do meu texto) me influenciou sim. Claro, tudo o que vivemos, passamos, todos os relacionamentos de qualquer tipo que seja, nos influenciam. Isso não quer dizer que eu tenha virado homossexual. Pra começo de conversa, não, eu não virei. Apesar de sentir uma enorme vontade de dizer que sim, eu sou lésbica, porque daí ninguém mais diria que eu "estou virando" e me irritariam menos.

Quanto à influência que tenho sofrido, ela não é nada menos que ótima. Eu nunca tinha conhecido pessoas homossexuais, e fiz amizades verdadeiras. Pessoas com quem eu posso falar de tudo, desde música a problemas familiares, passando por relacionamentos, sexo e amor. Posso falar de angústias, incertezas, passado e futuro, que eu sei que ele/ela vai me entender.
Sim, nós nos damos bem porque eu também sou diferente do resto. Não pelos mesmos motivos que eles, mas sou. E sou super a favor da diferença.



Acho magnífico o bissexualismo.

Essa sim é uma forma de amar sem barreiras, você sente o que deseja sentir e não apenas o que se permite. Você é livre de verdade, não vive numa prisão de regras impostas, com as quais você nem concordou, nem deu sua opinião, não escolheu. Enquanto nós, pobres mortais, não nos permitimos sentir.
Um dia, tive uma conversa muito séria com uma pessoa que também é heterossexual. Nós chegamos à conclusão de que o heterossexualismo é apenas uma convenção. De olhos fechados, tudo é igual. Mas se retirarmos a venda que nos impede de enxergar o julgamento, a malícia, o preconceito, a ignorância e todas as mazelas desse lixo de sociedade, nós perceberemos que nossa vida se pauta na vida dos outros. Ou melhor, no modelo dos outros. Sim, porque a vida que a pessoa leva e o modelo que ela passa são coisas distintas. É aquela velha história do "Cantinho", sobre a qual não falarei aqui, porque quem não conhece, também não concordaria.



Eu tenho medo de expor minha opinião sobre isso aqui, porque eu sei que vão me entender errado.

Então, eu vou pontuar algumas coisas. A primeira delas é sobre a Ana Carolina.

Eu não sou apaixonada por ela, eu não quero me casar com ela de verdade e eu nem sei o que eu faria se eu a visse na minha frente. Essa história de dizer que por ela a gente vira até tri, é tudo mentira. Dizer que eu realmente a amo significaria passar do nível de amor platônico a uma grave esquizofrenia. Não, eu não a amo, não a conheço e mesmo que conhecesse, não faria a menor diferença. Eu tenho as minhas convicções ultrapassadíssimas e infelizmente não consigo abandoná-las.

Um outro ponto importantíssimo em que as pessoas acéfalas sempre tocam é o seguinte: a minha vida mudou radicalmente de um tempo pra cá, muito em função do fim do meu namoro - o que já virou mais um motivo pra eu ter "virado lésbica" segundo a concepção desses mesmos acéfalos - e também por eu ter me tornado fã da Ana. Ok, tá certo. Minha vida mudou mesmo e eu sinceramente não quero namorar por um bom tempo. Nem quero conhecer ninguém. Não quero me apaixonar, não quero a intimidade, a obrigação e nem o compromisso. Passei muito tempo aprisionada e agora eu quero ser livre, mas sem libertinagens. Mas o que isso tem a ver com a Ana? As pessoas arranjam ligações onde não há. Enfim, sobre a comunidade e minhas novas amizades: eu fico muito feliz que tudo isso tenha acontecido. As pessoas que conheci são fantásticas, ampliaram meus horizontes; me ajudaram sempre; meu crescimento pessoal foi estrondoso; eu me aproximei de coisas novas, arte, literatura, cinema, música, enfim... Se essa é a péssima influência que me exercem, eu quero mantê-la por muito tempo ainda.


A mensagem principal desse texto é para aquelas pessoas que me torram a paciência: não, eu não virei bi, tri, nem tetra. Eu não tenho um amor impossível - aliás, no momento, não tenho amor algum - e não estou pensando em jogar no outro time - aliás, não estou pensando em jogar em time algum.

Se, por acaso, um dia, eu estiver afim, eu vou mudar sim. E não é por ninguém não. Mas acredito que isso não vá acontecer, porque eu não tenho a coragem que eles têm. Eu não vou me voltar contra a sociedade a troco de nada. Quando eu decidir que só isso vai me fazer feliz, aí sim, eu jogo tudo pro alto, deixo as máscaras e roupas pelo chão e dou um outro rumo pra minha vida. Por enquanto, eu estou feliz com o que tenho e com quem tenho ao meu lado. Não vou abandonar pessoas que já se tornaram fundamentais pra mim por medo do que vão dizer. Não vou deixar de ser fã de uma pessoa maravilhosa porque "parece" que eu gosto dela de outra forma. E, finalmente, não é a sociedade que vai me moldar, sou eu mesma que vou traçar o meu destino e, na roda da minha vida, sou eu que faço tudo se encaixar [plágio].

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

E o vento na janela?

Abri as janelas, senti o vento anunciando a chuva. Eu costumo sempre olhar pra rua, de madrugada. É tão engraçado ver o mundo parado. A maioria das pessoas dormindo, umas devem estar abraçadas ao marido, namorado, ficante. Eu não sinto mais essa necessidade, não. Algumas outras, curtindo alguma festa, talvez usando drogas, talvez a mãe esteja em casa preocupada, talvez seja a namorada desconfiada, talvez ninguém esteja se lembrando delas. Outras pessoas, ainda, devem estar sofrendo. Por um amor acabado, a mãe no hospital, uma doença, o cansaço, a desilusão, a derrota, a vida vista como ela é.

Bom, eu não tenho nenhum desses problemas. Estou na segurança do lar, meus pais estão dormindo, não sei se alguém se preocupa comigo, mas a essa altura, isso também não importa, porque minha mente está vazia, também não estou preocupada com ninguém. Não tenho problemas sérios, não. Então por que ser triste? É melhor ser alegre que ser triste. Mas a tristeza não tem fim, felicidade sim! Como já diziam os mestres Tom e Vinicius. Porra! Que jeito ridículo de enxergar as coisas.

E que tristeza é essa? É um sentimento de total impotência.

Porque esses sentimentos me assaltam e eu nem sei de onde vêm. E eu não consigo fingir que não chegaram. Mas todo mundo está cansado de me ler reclamando das coisas. Eu quero parar de reclamar.

Voltando ao vento na janela...

Me dei conta de que não precisava dormir porque já estava quase na hora de acordar. Fiquei lá, então, absorta nesses e muitos outros pensamentos enquanto esperava que o sol aparecesse para eu poder sair do meu casulo. O dia e a noite, opostos que são, também devem ter a capacidade de transformar o sal em açúcar. Se é que vocês entendem a que sal me refiro. E a que doçura também. Eu acho estranho escrever para as pessoas. Eu digo tanta coisa nas entrelinhas, cada expressão usada quer dizer tanta coisa, que às vezes eu penso em desistir do blog porque eu sei que ninguém vai entender nada. Eu poderia voltar ao meu caderninho de coisas não-publicáveis haha. Mas não vou, porque uma pessoa gosta, então vou continuar aqui. E quem não gosta, não lê, então tudo bem!

Voltando ao vento na janela...

E então o sol apareceu mas a doçura não foi ele quem trouxe. Eu resolvi sair. Respirar. Repassar na minha mente os últimos acontecimentos e me perguntar “será que esses risos são reais?” Porque foi até engraçado quando eu terminei meu namoro, mas ficava sorrindo à toa. Por outros motivos, claro. Por “pior ser humano” que eu seja, eu ainda tenho sentimentos e não acho normal terminar um relacionamento de três anos com tantas promessas e planos e continuar super feliz. Mas acabou e a ordem natural das coisas é que a minha vida siga em frente. Eu fico triste por ter feito tanto por ele, e vê-lo voltar ao ralo de onde eu o resgatei. Mas isso é papo pro caderninho de coisas impublicáveis. Além disso, ainda me lembrei que meus “eu te amo” saem muito mais doloridos quando ditos, que quando escritos. Por isso, alguém pode me achar romântica, quando me lê. Mas quando me ouve, muda de idéia. Entretanto, por mais que eu encontre tanta dificuldade em dizê-los, eles são sinceros, quando resolvem sair da minha boca. Foram poucas vezes. E lembrando disso, pensei em mudar, tentar entender melhor, reparar menos nos erros e elogiar mais os acertos. Até comigo. Não é fácil assim e a chuva começou a cair. Boa idéia foi trazer o guarda-chuva, mas eu não quis abri-lo. Assim como não abri o coração a quem queria entrar. As gotas d’água se misturavam às lágrimas e assim era melhor, ninguém veria. Mas será que havia lágrimas? Eu acho que não quero e nem consigo chorar, mais. O torpor frente a certas sensações já é mais freqüente que antes. A cada dia, tenho mais provas disso.

E o vento da janela? Parou de soprar, foi um último suspiro.

Aquela Carol não respira mais, não vive, nem nunca viveu. Foi só uma invenção, uma parede de vários tijolinhos que se escondiam por trás da tinta e agora resolveram aparecer. Será que as paixões e aquela loucura tão gostosa e intensa faziam parte desses tijolos? Ou era só imaginação?

Meus pés, agora, estão no chão. Espero que o próximo post tenha um outro tom, um outro tema e seja escrito por uma outra pessoa, porque dessa aqui, eu já cansei.