Eu já levei tanto tapa na cara, já chutei tantas pedras do meu caminho, já levei rasteira e levantei só tirando o pó, botei um sorriso no rosto e continuei andando. Meio manca, meio torta, meio triste. Com o olhar no chão. E o caminho foi tão longo, e as decepções foram tão enormes e os calos que se formaram ainda doem no frio. As feridas ainda estão metade abertas. Os olhos se fecham sem ter uma história pra imaginar. Um sonho pra viver. E se existe alguma história, é aquela que fica passando mil vezes pelas mesmas cenas, naquele projetor de cinema antigo, preto e branco, porque nenhuma dessas lembranças têm mais cor. E aquela parede empoeirada vira palco de todas as cenas que compõem meu passado. Dura, como eu fiquei.
E se eu penso em tudo, tudo me vem como um filme mesmo. Como se eu não tivesse participado, como se os erros não fossem meus. Aí não me vem culpa nem arrependimento. Mas vem sim um desejo de que tudo ficasse pra trás de uma vez. De que eu tivesse aprendido qualquer coisa e não errasse nunca mais. Mas daí eu não seria mais humana. Será que ainda sou?
E se eu contar esta história de mil maneiras ainda assim eu não terei pena nem simpatia por mim. Não é questão de não haver merecido, o ponto é que eu me vesti de palhaça e saí pro carnaval de sentimentos, vendendo amor em troca de qualquer pedaço de verso bonito. Eu acho que essa é a recompensa. Viver milhares de amores errados.
Agora eu tenho que me decidir se continuo chutando pedras mortas no caminho que vai pra lugar algum ou me sento à beira do riacho e só fico escutando o barulho de tudo o que acontece, sem me envolver, sem querer, desejar, sentir.
"Aqui onde estou
Esta é minha estrada
Por onde eu vou.
E quando eu cansar
Na linha do horizonte
Eu vou pousar."
Esta é minha estrada
Por onde eu vou.
E quando eu cansar
Na linha do horizonte
Eu vou pousar."
Nenhum comentário:
Postar um comentário