Eu tenho andado tão sozinho ultimamente
Que nem vejo em minha frente
Nada que me dê prazer
Sinto cada vez mais longe a felicidade
Vendo em minha mocidade
Tanto sonho perecer
Eu queria ter na vida simplesmente
Um lugar de mato verde prá plantar e prá colher
Ter uma casinha branca de varanda
Um quintal e uma janela para ver o sol nascer
Às vezes saio a caminhar pela cidade
À procura de amizade
Vou seguindo a multidão
Mas eu me retraio olhando em cada rosto
Cada um tem seu mistério
Seu sofrer, sua ilusão
Todas as vezes que ouço essa música, uma lágrima escorre. Pela simplicidade e pela verdade dela. Por me fazer perceber que tudo é tão pouco e é o suficiente. E eu sei disso, mas quando o pouco que eu preciso e realmente significa tudo está tão longe, como a felicidade, tudo fica mais difícil.
Eu tenho 19 anos, e me lembro de tempos atrás. Ainda tenho muitos sonhos pra ver esvaindo por trás das cortinas brancas da incerteza, e já vi isso acontecer com tantos outros. Aos onze, eu já era diferente de quase todos os meus amigos. Enquanto todos estavam descobrindo as coisas da vida, os beijos, as bocas, os corpos arrepiados, eu esperava por um amor. Eu me apaixonei pelo cara da janela, depois pelo vizinho dele, depois pelo que tocava violão na igreja, depois, depois... E só aos quatorze resolvi que valia a pena deixar que alguém realmente entrasse na minha vida. Não que eu me arrependa, mas até hoje não tenho certeza. Talvez eu nunca consiga ter. Depois, aos quinze, mais outro erro, que se sucedeu por tantos outros erros, e tantos sonhos sendo construídos e morrendo, castelos se reerguendo sem mais ter a mesma força. Até o dia em que eu pensei que aquela menina de onze anos estava esperando pelo impossível. E desisti.
Ainda bem que o fiz, pois só assim me dei de presente um tempo pra mim. Foi o que eu precisei pra reorganizar a mente. Pra perceber que talvez esperar por um amor não seja escolha mais sábia. Decidi que isso seria tão idiota quanto tocar bocas e corpos só pela carne, pelo desejo.
Só quando deixei de desejar o amor, foi que me permiti amar.
Quando ninguém mais se preocupa com conquistas, em dizer frases feitas, não se pressiona a entender o sentimento, simplesmente ama, ama e se deixa amar, ama e sabe ser amado, ama e sabe amar... talvez só assim a tal felicidade se apresente e chegue mais perto. Quando não tentamos alcançá-la com as mãos, ela sorri para nós. E eu me vi no espelho e meus olhos sorriam, felizes como nunca os tinha visto, felizes como quem chegou aonde os sonhos todos sempre quiseram chegar...
“... um quintal e uma janela, para ver o sol nascer.”
Nada melhor para começar – ou terminar um dia que nasça feliz – do que ver a natureza pintando sua tela linda, com cores quentes, num horizonte que podemos ver, mas jamais alcançar. É nessa hora que o clima da música muda. De sonhos perecendo para um único desejo de ver o sol nascer. Da escuridão pra luz do dia, que nos acorda pra magia que existe ali todas as manhãs, mas só vê quem quer. Se os sonhos morreram, renascem com o dia, porque cada amanhecer é uma nova chance para ser feliz. E, se não acontecer hoje, que seja amanhã... Mas que eu tenha uma janela para ter a percepção dessa magia, para que eu possa respirar o ar doce da manhã e observar enquanto Deus pinta mais uma tela na minha vida.
Mas cada um tem seus mistérios, e, se for melhor viver de ilusão, que pelo menos não nos esqueçamos das possibilidades. Que venham mais sóis, mais manhãs, mais vida.
Eu amo o nascer do sol.
5 comentários:
Posso comentar com um trecho de uma outra música?
"Te faço um filho
te dou outra vida pra te mostrar quem sou.
Vago na lua deserta do arpoador.
Digo "alô" ao inimigo.
Encontro um abrigo no peito do meu traidor.
Faz parte do meu show
Faz parte do meu show, meu amor.
Invento desculpas, provoco uma briga, digo que não estou.
Vivo num clip sem nexo.
um pierrot retrocesso
meio bossa nova e rock'n roll.
Faz parte do meu show
Faz parte do meu show, meu amor.
Meu amor, meu amor, meu amor..."
Não sei... mas essa música não me saiu da cabeça desde quando começei a ler a sua poesia.
Por msn costumo mandar uma "rosa" quando algo poético me emociona, no blog a rosa não é possível. Mas fica a intenção (f) :)
Tchau.
Talvez, um dia, em algum lugar, a gente se encontre. Continue com o seu blog, ele é muito bom, continuarei acompanhando, mas não postarei mais comentários porque vou excluir meu "blogger".
"Só quando deixei de desejar o amor, foi que me permiti amar."
=)
Bonito, Ana. A música é bonita. Não me tira uma lágrima, mas faz pensar. Mas nem todo mundo te merece. Continue em busca de seu sonho. Talvez nunca aconteça. E daí, pelo menos você tentou. Pior seria nem ter tentado.
Imaginar nos-da a Alma.
Realizar nos-da o Corpo.
Amar nos-da a Vida.
Filipe S.S
Lindo ... Divino....Bjosss....
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