quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Circo



Bom... Como fazia séculos que eu não atualizava isso aqui e centenas de coisas aconteceram na minha vida desde então, eu pensei: mesmo sem saber o que escrever, é melhor tentar alguma coisa... deve sair algo. Pois então, vamos tentar.
Eu acho que não cabe falar de fatos reais aqui, mas dos sentimentos por trás deles. Primeiro uma urgência de buscar liberdade. Estive ensaiando pelos últimos dois meses, acreditando ser necessário algum tipo de punição. Ou talvez não punição, mas um tempo sozinha tentando consertar as coisas erradas dentro de mim. Acontece que não havia nada errado aqui dentro. Todos os erros eu já havia expulsado de mim. A pessoa, a insistência, o relacionamento. Até a saudade, a vontade, o carinho já haviam ido embora. Não posso negar que algumas lembranças permaneceram. No entanto, tenho me surpreendido com a freqüência. Sempre que eu pensava nele, eu dizia para mim que aquela era a última vez. Ainda não aconteceu de fato de ser a última, mas já vi coisas que supostamente me lembrariam e só pensei nisso horas depois.
A maior surpresa que eu tive foi quando repeti os mesmos passos ao lado de outra pessoa, os passos que eu queria que tivéssemos dado juntos, os que eu havia sonhado, os que, por tanto tempo, eu desejara que fossem só com ele. E simplesmente, nestes momentos, ele sumiu. Foi a primeira vez neste tempo todo que eu me senti realmente livre, que nenhuma sombra me perseguia, que o calor e o frio eram só meus e ninguém era diretamente responsável.
E eu sempre soube que não seria capaz de esquecer tudo sozinha. O que me deixou feliz foi que não houve uma mera substituição de lembranças, como ouvir músicas dele fazendo outras coisas e aí quando você pensa nelas, faz força pra levar em conta só a última situação. Não, eu não substituí lembranças porque não substituí sentimentos. Eu não sentia mais nada e continuei sem sentir. Por ele ou por qualquer outra pessoa. Eu só substituí tempo.
Sim, hoje eu sou mais forte. Não porque me analisei até o último fio de cabelo, até o último suspiro da minha alma, até o último vento frio que vem do sul. Não por minha causa. Mas porque desta vez eu arrisquei algo que secretamente eu sempre senti falta. E meus erros sempre demonstraram que era este o caminho, que eu nunca quis seguir. Eu deixei de lado o medo, a tradição. Eu segui o que meu cérebro mandou, pela primeira vez. E foi bom. E o importante é que não existe dor na espera ou no abandono. Simplesmente não existe mais dor, porque não existe mais sentimento. Eu estou neutra, mas de uma forma nova. De uma forma que me diz que eu fiz exatamente o que eu devia fazer, sem culpa nem remorso nem medo de ter errado. Sem me arrepender. Não foi um erro, foi uma experiência. E eu espero aqui, sentada, deitada, pensando, sonhando, fantasiando números de circo com um palhaço que me fará rir e chorar. Que será perfeito e em seguida borrará a maquiagem. Que vai me fazer sorrir e depois correr de medo. Mas quando eu chegar em casa, tudo terá passado. Tudo acabou e só sobraram as lembranças da diferença que eu fiz na minha vida. E eu sou responsável pela minha felicidade ou não. Pelas minhas lágrimas ou não. Pela minha atitude. Por ficar ou correr. E depois que eu tiver vivido e sofrido todas as emoções deste circo fantástico, poderei voltar ao que sempre fui e descansar num colo conhecido, amado.

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