Daí eu larguei a guitarra na cama, fui pra cozinha pegar sorvete e parei no sofá pra ligar a TV. Estava passando um especial MTV Renato Russo, provavelmente porque tá perto do aniversário da morte dele. Enfim, fiquei assistindo. Agora é quase meia noite. Faz um tempo que eu não fico acordada à toa até essa hora. Essa coisa assim de ouvir música e o vento batendo na janela e a escuridão total faz a gente pensar merda, né? É, experiência própria.
Então eu resolvi fazer uma carta aberta aqui, que se for para a pessoa a quem ela é dirigida ler, a pessoa lerá. E os demais também, talvez, vão saber do que eu tanto falo por aqui, em goladas de sinceridade, nos momentos de nostalgia.
Eu ouvi Metal Contra as Nuvens e na parte do "tudo passa, tudo passará" eu chorei. De novo. Há alguns anos, eu choro nessa parte. E lembro de um domingo à tarde em que eu ouvi por tantas e tantas vezes essa música, chorando tanto nessa parte. E te dizia: "A nossa história não estará pelo avisso assim, sem final feliz... Teremos coisas bonitas pra contar.... E até lá, vamos viver! Temos muito ainda por fazer. Não olhe pra trás... Apenas começamos! O mundo começa agoooora... aaaah! Apenas começamos!"
E eu realmente acreditava que o mundo estava apenas começando pra mim. E foi exatamente por isso que tudo acabou... Porque eu achava que podia estar perdendo alguma coisa... Eu, ingenuamente, pensava que pudesse existir algo melhor que aquilo. E não, nunca mais senti.
Eu penso tanto sobre isso e até hoje não sei se é porque a inocência se foi, a primeira vez é mais emocionante... Ou se não existem amores iguais... Ou se nunca mais existiu amor, mas apenas a ilusão de amar. Pra mim, pelo menos. Não sei pra você.
Sei que amores imperfeitos são as flores da estação. Também é dessa época. '...mentira se eu disser que não penso mais em você.... e quantas páginas o amor já mereceu? Os filósofos não dizem nada que eu não possa dizer... E quantos versos sobre nós eu já guardei?! Deixa a luz daquela sala acesa... E ME PEÇA PRA VOLTAR!'
Tantas músicas trilharam aquele nosso caminho... E toda vez que a gente chegava era a mesma. Não sei se você vai lembrar, mas é que com você, eu sempre fui mais boba. Daquelas de guardar cartinhas que nunca mandou.
Bom... depois de todo esse tempo, eu só sei que é mentira! É, é mentira a música que dizia que tudo passa. Não passou... Não vai passar.
Eu não sei se é uma boa idéia. Até acho que não. Mas essa é a única coisa que eu não consigo controlar.
Porque depois de tudo, tudo, TUDO que passa, quando eu olho fundo pro horizonte, tentando olhar o nada, é você que eu vejo. E quando chove na frente do lago, eu sento e fico lembrando. Sabe, de tanta coisa que já me aconteceu na frente daquele lago depois de você, e é de você que eu lembro no cheiro da chuva, no vento que mexe o cabelo, no respirar.
E aqueeeela música que não sei por quê, mas eu lembro de você e você de mim e a gente só foi se descobrir anos depois.
Sabe... eu só queria te dizer que, por um tempo, as coisas do mundo podem me cegar. E cegam. E eu acredito nelas porque eu quero acreditar, eu quero viver. Sabe, tipo gente normal. Que namora, termina, namora, termina. Ama. Tudo me cega e a única imagem que atravessa a minha retina é essa. Essa idiota, de nós dois. Assim, desse jeito, impossível, impensado. Impensável, acho.
Sinceramente, eu não acho que você ainda pense em mim. Com tanta coisa... Como a gente evoluiu, né? E mesmo assim, não somos felizes. Eu sei que você também não é.
Mas que aquele dia, da música lentinha no violão... Que você disse que eu tava linda. Foi a última vez que conversamos e eu me lembro... E quando conversarmos de novo, vou lembrar disso também... E é como se todo o resto do passado não tivesse importância e o relógio contasse só quando eu te vejo.
Não é minha intenção te conquistar, nem nunca foi. Não sei como um dia consegui, pra poder copiar agora e te ver dizendo aquelas coisas de novo, do primeiro dia. Eu não sei mais fazer você gostar de mim, sabe. E nessa hora, pelo que eu te conheço, você tá rindo e me chamando de emo. =P
Mas era isso... Uma coisa que eu queria falar. E se você ver sozinho, eu sei que não vai me dizer nada. E se não ver... talvez um dia eu te mande o link - quando eu estiver muito bêbada ou fora de mim ou os dois juntos. Porque eu ainda tenho vergonha, sabe. De estar aqui, até hoje, sem querer, esperando. Sem querer, esquecendo e lembrando tudo de novo. E tentando viver outras coisas que parecem fazer o mundo não sair do lugar. Que parecem atrasar. Porque, como eu disse, o relógio só conta quando eu te vejo.
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