... E foi aí que ela percebeu que todos os caminhos estavam dentro de um só. Ela passava pelas ruas que passavam por ela apontando todo o passado, de uma vez. Cada parede, cada curva do ônibus, cada olhada pro outro lado da rua.
E por algum tempo, toda vez que ela passava pelo muro de uma casa escrita "Yamada Computadores", ela se lembrava do Sandrinho, porque o pai dele que era o tal do Yamada.
E toda vez que passava o big, ela pensava em se levantar, porque o ponto seguinte era o da casa dele.
E depois, quando passava reto pela rua, sempre olhava pra casa do amigo dele, onde talvez, pudesse ver a bicicleta.
E mesmo passando reto por todas as lembranças, elas ainda vivem. Porque parece que aconteceu tudo ao mesmo tempo, tudo naquele caminho que ela percorre há 7 anos, de vez em quando, quando vai ter alguma coisa legal e conversas até amanhecer.
Mesmo em horário de verão.
E se lembrou de trabalhos de escola, na época em que o fácil era tão difícil, ou o drama que era imenso. Quando um relacionamento de três meses se transformava no motivo para a depressão do resto do ano. Quando uma imagem virava mil e uma lembranças e sempre caía uma lágrima dos olhos.
E quando o tempo passava devagar e hoje, olhando, foi tão rápido. Aquela lua sempre esteve lá, e ela voltava pra casa pra ele. Sozinha.
Depois disso vieram tantas e tantas luas. Porque quando você ganha uma lua, ela muda, sabe. Fica diferente. Fica aquela pessoa. A lua está vendo aquela pessoa, aonde quer que eu vá. Você vá. Ela te vê.
E depois simplesmente não é mais a mesma lua, porque é outra pessoa que ela está vindo.
Mas no final, ela sempre esteve sozinha, não importa quantos corações aquela lua rastreasse o universo tentando encontrar, era ela sozinha olhando pela janela e sentindo aquela brisa fria da falta de um abraço. Porque ela só percebia a lua quando estava só. Porque a lua era o olhar dele, quando estavam juntos. A brisa era o calor do corpo e o cheiro. Cada cheiro era um, cada olho era um. Cada lua e cada brisa dentro de cada pessoa era uma.
Mas ainda é a mesma lua.
Ela mudava de perspectivas e voltava a acreditar. Ela pensava que aquele era o único amor que teria na vida, e na semana seguinte já estava às voltas com outras cartinhas e outras palavras, com o mesmo significado. Como era a mesma lua. E o mesmo amor. Só com outras nuances, outros tons e detalhes. Cheiros e abraços. Mas a mesma lua, e a mesma solidão.
Porque a solidão volta, ela sempre volta, porque é a mesma lua, entende?
Não importa quantos loucos amores passaram por ela. Foi um olho que se abriu e depois se fechou. E quando fecha, ainda vê.
Esse é o problema da lua.
Ela ainda vê todas aquelas luas e elas ainda varrem todo o universo em busca de todos aqueles corações. É como se ela não se desvinculasse de nenhum deles.
Não se admitia um coração vazio. Sempre estaria cheio. Mesmo que só, o coração era cheio. Porque lembranças ocupam espaços e são tantas que nem cabe. Acaba se esticando pra caber, e quando estica dói.
Igual a sutura no dente do ciso, que custura a gengiva tudo em volta e tem que esticar, e enquanto não couber tudo aquilo ali dentro de novo, não pára de doer.
Hoje são outros assuntos. Dentes e doenças transmissíveis e herança na família. Os assuntos mudam, as pessoas mudam. Os papos são outros. Ninguém mais fica falando de amor. Mudou, sabe. Só que ainda não cabe... É muita coisa pra caber num coração só.
A gente vai crescendo e mudando e os interesses mudam e é tanta coisa nova pra olhar, que a gente tem que se desfazer das velhas, sabe? Senão não cabe mesmo, e dói.
E cada curva do caminho vai lembrar. E não dá pra viver assim, entende?
Olhando pra uma lua e vendo aquelas tantas, aqueles tantos corações.
Olhando pra uma noite e tentando fazer caber nela tantos assuntos, a mudança nas prioridades, nas preocupações, no que interessa.
Mas a inocência parece que fica lá.
E ela ainda parece que acredita em alguma coisa.
Ela vê que pode ser,
só não é agora.
Obs. vou postar sem reler, corrigir erros de português e de concordância e eu não sei se vai dar pra entender UMA LINHA do que está escrito, mas é isso aí.
Um comentário:
pra mim a gente ainda falava de amor... do meu namorado chateando e que junto a uma crise de personalidade pré-aniversário não ajuda nada....
e o mais curioso, acho que da pra dizer isso aqui, é que você e a Amanda ainda são as únicas que eu converso com naturalidade, como se só tivesse passado um final de semana... Mas a Amanda tem um relacionamento estranho e há bastante tempo, e na nossa idade já não cabe mais ficar dando pitaco nessas coisas...
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