Sempre nos meus momentos de desespero, quando eu não tenho pra onde correr, eu venho sentar aqui nesse cantinho escuro da internet. Quando eu quero falar tudo que ninguém tem mais paciência pra escutar, e quando eu sei que não adianta falar, porque ninguém vai surgir milagrosamente com uma solução num potinho.
Às vezes eu desconfio da minha própria sanidade.
Eu vou escrever esse post como se fosse uma carta dirigida a alguém - que, acreditem, não vai ler isso - porque assim não vou ter que usar pronomes pessoais do caso reto (quem entendeu, entendeu, quem não entendeu, esquece!).
Enfim...
Por muito tempo eu acreditei que o que eu vivia era bom, que eu era feliz, e que isso era o que eu podia esperar pra minha vida. Depois desse tempo, veio outro em que eu percebi como era bom estar sozinha, e que isso sim era felicidade... Os tempos mudam, nossos conceitos também.
Pessoas entram e saem da nossa vida como num passeio. Como se a vida fosse um trem à vapor que, na subida, tenta arrancar de dentro dele tudo que não faz falta, pra conseguir chegar lá... E é isso, eu tenho tirado de dentro de mim tanta gente e, há muito tempo, não entrava ninguém no lugar vazio que ficou.
Porque, sei lá, foram tantas decepções que eu nem tentava mais. E eu sentia um buraco dentro de mim tão imenso, no meio de tudo que poderia existir, porque nada do que - pra mim - foi ou seria, valeria a pena. Entende? Do meu mundo limitado de coisas, pessoas e sentimentos, eu achava que já tinha visto tudo, vivido e sabido que não adiantava. De nada adiantava gastar o meu tempo com pessoas vazias... Os passos dessa estrada eu conheço muito bem, dos pedaços meus que ficaram no caminho.
E por tanto tempo eu vivi num modelo que considerava o correto, e quem não se encaixasse nele, que pulasse fora do meu vagão!
Tantas coisas eu deixei de fazer por excluir pessoas de critérios objetivos inconscientes que nem eu mesma sabia.. Não tinha ideia dos muros altos que ergui ao meu entorno.
Mas a vida apronta dessas, né?! Você acorda um dia, como um dia qualquer, e de repente sua vida dá uma volta tão imensa que você acaba perdido. Não se encontra mais dentro de si. E talvez isso signifique que os alicerces que formavam tudo aquilo em que você acreditava eram apenas grãos de areia secos.
Engraçado deitar na cama, fechar os olhos e pensar que o inconcebível está acontecendo e, pior: tá sendo bom.
É que a gente passa pela vida acordando, comendo, estudando, trabalhando e dormindo, de vez em quando indo num show ou num bar e se achando livre. De tão presos, nem nosso pensamento sai desse caminho traçado. E quando uma situação te tira da sua trilha, tão bem conhecida, a sensação é de que você não sabe nada desse mundo, o que tá fazendo aqui. E se misturam os conceitos de certo e errado em meio aos risos e sorrisos e à voz que faz tudo parecer que está tão bem.
É como se nesses momentos eu me enfiasse debaixo das cobertas, onde nenhum monstro do moralismo ou da sociedade cheia de hipocrisias vai me pegar. Aqui dentro, nesse pequeno espaço onde só cabe meu corpo, só aqui eu sou livre. E mesmo assim, não consigo pensar...
É triste e dá medo descobrir que as amarras que o mundo cria pra nós atingem a mente com tanta força. E qual o motivo de se segurar? De se prender a essas ideias de segurança e de mundo bonitinho que a gente mesmo criou?
Sim... eu tenho medo! E sentimentos reais são a coisa mais assustadora do mundo! E junto com todo o resto...torna quase impossível.
Mas aí voamos do boa noite ao bom dia e o mundo acorda, com a luz na minha cara, me botando medo e vergonha. Tudo aquilo que se passou debaixo do cobertor tem que ficar ali. A janela da liberdade vai ficar fechada, pra não entrar a luz do sol... E quando for de noite, quando ninguém estiver olhando, julgando, nada disso fica errado. Aliás, fica tudo bem, como há muito tempo eu não estava. É quando eu fecho os olhos, não penso, sinto, que me parece que tudo vai acabar bem.
E o medo? Aqui dentro não tem gente, e é "gente" que me dá medo!
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