É como se o fim fosse uma conseqüência direta do começo, de havermos tentado driblar o destino, acreditar que o inevitável seria facilmente evitado pelo simples sentimento. Como se o romantismo fosse bonito na vida real e desse certo como nos livros. É como se palavras soltas fossem resolver, quebrando o espelho em mil pedaços e trazendo para mim o outro lado. O meu reflexo há tempos é você.
Num breve instante as coisas ficaram claras, e novamente confusas. Era um quebra-cabeças em que a última peça explicaria tudo. Eu não consigo completá-lo, porque eu não sei mais. Eu estou presa nele. É no meu corpo o vazio do incompleto. É a minha figura que se forma convexa, para todos os lados, mas sem centro, com um foco tão longe...
É tão longe que já nem se vê. Não mais se vislumbra a possibilidade. Os caminhos tortos se perderam de mim e eu já nem sei mais por onde seguir. De que adianta caminhar a passos tão lentos e tão errados?
É daquelas histórias que não têm meio e eu fico atrasando. Eu queria inventar um casulo e me esconder. Porque do casulo não se vê mais o mundo e seus horrores. É só uma espera por um começo lindo. Mas o nosso começo já nem existe mais, o tempo nunca quis parar.
Já vaguei por corredores escuros em noites tão frias, tive medo e chorei calada, me guiei pelo tato e me perdi dentro de mim, dentro da lama de angústias... Mas eu ainda sabia existir, porque de algum lugar a sua voz me encontrava e ecoava dentro de mim. Mas não haverá mais nada e eu temo o fim que nos invade sem dar sequer uma chance. Ele vem incisivo, forte, uma fera nos consumindo devagar, gotejando, ardendo.
Dói por não ser uma escolha. Me mata por não ter me ensinado a perder. Destrói todo o brilho que a vida um dia pôde ter, porque me ensinou o que era vida e depois a arrancou de dentro de mim.
Não há mais volta, não quero o novo. Não há espera ou esperança. Não há promessas e o futuro vai ser apenas um acaso, até que eu veja se esvaindo o último fio e minha alma volte, enfim, a ficar em paz.
... Apenas segure a minha mão.
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