sexta-feira, 12 de novembro de 2010

A História do Hamilton

É inevitável. Todos os dias, pelo menos cinco uma vez eu tenho que abrir o perfil do windows live dele. Não adianta, eu quero ver qual foto ele ta usando, qual frase ta na mensagem pessoal. No fundo, bem no fundo, lá bem escondido mesmo - porque se eu encontrar, eu piso em cima, pulo, esmago até matar - tem uma vontade de ser lembrada. Sei lá, aquele fio de esperança de que alguma frase de alguma música vai ser pra mim. De que existe ou existiu algum amor ali.
E eu sei, eu sei e eu sei que nada existe.
Mas eu acho que simplesmente leva um tempo pra eu me acostumar a esquecer. Esquecer desta idéia de existir ou não amor, ao ponto de que não faça mais diferença. Esquecer da vontade de ser lembrada. Esquecer de olhar todos os dias, sempre. Não interessar mais o que quer que exista lá.

Mas e a certeza de que ele também se interessa pelo que está escrito por mim?


Enfim, eu vou contar uma historinha aqui que eu nunca contei aqui. HA

Eu tinha onze anos... onze pra doze... durou até os treze, quase quatorze. É que com quatorze eu comecei a estudar que nem gente. E quando eu tinha quatorze, o Hamilton tinha 18 e foi pro exército. Enfim, deixa eu começar do começo.

Era uma vez quando eu tinha uns onze pra doze (?) anos e olhava pela janela do meu prédio. Pra quem não sabe, meu prédio fica bem em frente a outro, de sete andares. O meu tem seis e eu moro no quarto (não sei que importância tem isso, mas enfim). Aí no sexto andar do prédio da frente, na mesma direção que é meu apartamento, tinha o apartamento do Hamilton. Aí ele era amigo do Dairison. O Dairison (nomes bonitos estes né? hahaha) morava no segundo andar, mas aí não era no mesmo lado que o meu e o do Hamilton, era do lado direito, e a gente era do lado esquerdo.

Enfim, um dia eu reparei nos dois na janela do Hamilton. E meu pai tinha locado (nossa, era a época que as pessoas locavam filme) um filme que eu queria muito ver... algo tipo shrek assim. HAHAH
Mas aí eu fui pro quarto e fiquei vendo qualquer coisa na tv lá. Mas não foi pra ficar vendo coisa na tv, foi pra ficar na janela olhando os meninos. Aí eles pediram meu telefone... por sinais, claro. E eu, por sinais, tentando falar. Mas era de noite e eles não enxergavam direito, foi o maior perrengue. Meu, eu não uso a palavra "perrengue".
Enfim, (2)
Aí eles conseguiram descobrir meu telefone depois de séculos de micagem e me ligaram e eu não tive coragem de atender. HAHAHA

Ah, do resto eu não me lembro, não lembro quando tive "coragem" de ir lá conhecê-los. Mas aquele tempo era bom. Eu ia lá à tarde, quando meus pais saíam, e a gente ficava no salão do prédio deles. Eu e uns 8 moleques. E era suuuper legal. E voltava antes dos meus pais chegarem.
Eu era meio que apaixonada pelo Hamilton, e ele falava bem assim: "um dia eu ainda vou beijar essa sua boca." Meu, que ridículo. Mas sabe aquela história de menininha que adora cafa? então. HAHAHA

O que acontece é que depois, quando eu tinha 13 e tava na oitava série, eu via sempre o Dairison, porque ele estudava num colégio perto do meu e a gente pegava ônibus juntos. O ônibus passava 12:30, a gente chegava no ponto não era nem meio dia... Só pra ficar conversando. As vezes o Hamilton subia junto com ele pra me ver. E eu era apaixonada.

Todos os dias, por esses dois ou três anos, quando eu chegava em casa, a primeira coisa que eu fazia era ir na janela, pra ver se a do quarto dele estava aberta. Sempre que eu passava por alguma janela, dava uma olhada. Sempre. Até que um dia ele sumiu, e eu sabia que ele ia acabar sumindo. O tio dele era do exército e ele ia também. Um dia, a janela não abria nunca mais. E eu sempre olhava, e ela nunca abria.

Aí passou tipo seis meses, eu olhando pra essa janela todo dia. E nada. Um dia, eu olhei e ele estava lá, olhando pra mim, sorrindo o sorriso mais lindo que alguém já tinha sorrido pra mim. SÓ PRA MIM. Ele ficou lá me esperando voltar da aula, ele sabia o horário, e me esperou chegar. Claro, depois disso nos encontramos e conversamos e eu nunca mais esqueci o sorriso lindo dele.

Mas ele sumiu de novo, e dessa vez não voltou mais. O Dairison ainda anda por aí, de vez em quando encontro ele em algum ônibus da vida... Mas o Hamilton foi o dono do primeiro sorriso mais lindo que alguém sorriu pra mim.

E assim como hoje, todo esse tempo depois, eu não olho mais quando passo pela janela, eu tenho certeza que não vou mais olhar pra ver que foto e que mensagem ele tá usando. Mas isso, só quando eu me acostumar a esquecer.

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