segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Sorrisos quebrados

Eu tava aqui pensando umas coisas, e ainda bem que meu blog é bloqueado, que aí eu posso falar.
Eu fico vendo hipocrisias pra todo lado, sabe? O que me entristece é que as pessoas acham que estão vivendo certo, que as coisas são assim mesmo. Elas não se sentem usadas, passadas pra trás, infelizes por pensar por um momento que nada daquilo pode ser real, porque a necessidade é tão intensa que não importa se existe: eu quero que exista. E pronto. Como se a vida toda fosse um passe de mágica em que bastasse o mágico querer, que o coelho saía da cartola. Com as cores certas, ainda.

Um tempo atrás, estive por algumas vezes dentro de um grupo de amigas que eu nunca tinha freqüentado. Uma delas é minha amiga de anos, as outras moram todas aqui por perto, então nos encontramos duas ou três vezes. Deixando de lado toda a parte do “pecado” por elas serem da igreja e concentrando na parte da hipocrisia apenas, eu só tenho um comentário a fazer: elas conseguiram passar a tarde toda, inteira, mais de quatro horas, falando mal das pessoas que conheciam da igreja.
Mesmo sabendo que eu não conhecia aquelas pessoas e não poderia partilhar dos “risos maléficos” sobre quaisquer defeitos físicos, desvios de personalidades, medos e angústias que elas tinham, as meninas continuavam as atacando. E eu não conseguia, durante este tempo, deixar de pensar o que elas falariam de mim quando eu saísse de lá. Mas isto não é problema, porque quem me conhece sabe que eu não sou o tipo simpática que faz todo mundo rir. Muitas vezes as pessoas me odeiam MESMO. Mas não é esta a questão, o que me preocupava não é o que pessoas pequenas falam de mim, porque pessoas pequenas tendem a ter pensamentos pequenos e delas não se pode esperar nobreza ou atitudes honráveis.

Me preocupava o fato de que a minha amiga, esta de anos, estava tão envolvida que sequer enxergava o ninho de cobras em que se metera. Além do mais, elas todas vivem declarando seus amores entre si e prometendo fazer coisas maravilhosas, no estilo “um por todos, todos por um”. Tudo bem, acho ótimo uma amizade tão intensa, apesar de me botar uma pulga atrás da orelha o tempo que elas se conhecem – cerca de um ano. Não é ciúmes, não é inveja. É medo. Porque eu vejo a minha amiga se abalando dia e noite atrás de todas elas, mas não há recíproca. E ninguém quer ouvir quando ela não está bem. E não importa o tempo que passem juntas, ela, esta minha amiga, não consegue ser ela mesma... Ela finge o tempo todo estar onde não está, finge uma alegria que não existe simplesmente porque nenhuma delas permite que exista a tristeza.

Eu não vou dizer que adoro ouvir lamentações, e vou ser bem sincera que esta minha amiga adora fazê-las. Mas todas as vezes em que uma de nós precisou de um ombro, a outra foi a primeira opção. Quando o meu choro ainda era tão intenso que mal se podia falar, era o telefone dela que tocava e era ela que entendia. E quando eu digo qualquer lembranças de tempos atrás, ela diz que queria aquilo de novo.

E eu me pergunto se todo este tempo que ela passa com estas pessoas sem caráter, sem amor verdadeiro, sem preocupação, sem liberdade... enfim, sem que ela possa “ser”, se ele a faz mais feliz ou se apenas varre pra debaixo do tapete toda a angústia que só pode deixar seu esconderijo à noite, quando ninguém está vendo, quando ela pode ser.

Maquiar os sentimentos com um sorriso é dar uma rasteira em si próprio. Não se permitir sofrer por um dia pode quebrar todos os sorrisos de anos.

                                                                     Look for the girl with the broken smile
                                                                                  Ask her if she wants to stay a while
                                                                      And she wiiiiiiiiiiiiiil be looooved ♪ 

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