quinta-feira, 29 de abril de 2021

Chegada.

Dia dezenove de abril, o dia do santo das causas impossíveis, você chegou. Durante uma semana toda não houve sequer um minuto no qual meus olhos não ficassem perdidos no universo por trás dos seus. E eu viajei anos luz por dentro de você em cada instante em que nós, de corpos colados, estávamos tão perto que seus batimentos se misturavam com os meus, o ar entrava e saía em sincronia, a pele esquentava e arrepiava ao toque. Esses momentos duravam segundos que pareciam anos e, no final, a semana pareceu passar em um minuto. Essa contradição que me faz viajar por milênios no seu universo enquanto o tempo corre como folha seca no vendaval só pode significar que o que eu sinto por você não é palpável, nem é desse mundo, não respeita as leis dos homens e das coisas. É muito além do que palavras juntas conseguem dizer, maior que o grito mais alto que minha voz consegue emitir, mais fundo que o respirar no momento de agonia que me toma quando penso na possibilidade de te perder.

 Quando você prende meu corpo nos seus braços é o único instante que eu sinto paz. Qualquer milímetro de distância que exista entre nossas mãos parece um abismo intransponível, eu fico perdida do lado de cá sem sua luz pra mostrar o caminho. 

Cada sorriso bobo que eu arranco do seu rosto é capaz de afastar todo o mal pra tão longe, que não importa tudo de péssimo que tenha acontecido no meu dia, a maldade se dissolve e eu só consigo pensar na sorte que tenho por ter te encontrado.

Eu gosto tanto de te olhar de perto e ver cada linha do seu rosto, cada marca do seu corpo, seus poros, pelos, boca, água, textura.

Te amo desde os fios de cabelo até a marca que sobra tua no chão que você pisa. A sua marca em mim nunca desbotou, está viva e vibra desde o princípio, se multiplica e quando eu acho que não tem pra onde crescer, arruma espaço e se deita sobre tudo que é vida em mim. O mundo só existe com suas cores e toques e cheiros. Nada mais importa, nunca importou. Só quero respirar a tua essência até que o sol não nasça mais, porque o mundo resolveu se fazer noite pra que a gente possa deitar no chão e eternamente olhar as estrelas. 

É isso que eu desejo pra nós. Um céu estrelado, uma brisa de verão e minha cabeça no seu peito, as risadas abafadas diante das bobeiras ditas sem filtros, sem limites. Sem fim.

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