sexta-feira, 26 de março de 2010

Era uma vez.

Era uma vez uma garota que não queria mais amar. Nunca mais. Não era importante. Ela sabia viver sem. Não queria mais o trabalho de ter um namorado. Namorado dá trabalho, saibam. Tem todo o começo, a obrigação de contar toda a sua vida. Tem a intimidade, a cobrança, ter que dizer todos os detalhes, ter que cuidar dos detalhes para não fazer o que ele não gosta. Tem a personalidade que vai se moldando à dele. Depois têm os telefonemas nas horas mais impróprias, quando você quer estudar, comer, dormir, trabalhar, ficar sozinha. Você praticamente não fica mais só. Não tem tempo para reavaliar e fica indo, sem nem saber o caminho, confiando que ele – mais perdido que você – saiba te guiar.
Depois têm as cartas, os poemas, as músicas, mais telefonemas, mensagens, presentes, a roupa que ele gosta. Tem o perfume, o relógio. Tem a hora só para ele, tem o cheiro que é só dele. E todos os pensamentos.
Namorado dá trabalho.
Aí a garota nunca mais queria namorar. A vida seria mais bela, sem a monotonia, o compromisso. Ela achava.
Um dia, o inusitado. E ela se apaixona. Aquela que nunca mais ia namorar se viu presa num momento que só tinha uma saída: a entrega. E nascia o desejo, nele também, ao mesmo tempo que a amizade. Que todos os segredos iam sendo revelados, que músicas iam se encaixando, as preferências, o gosto... a personalidade não precisava se amoldar, já era igual. Já pensavam igual. Era normal, era diferente, era uma loucura e ela se entregou, e como o desejava!!!
Mas a espera é angustiante e ela, que pensava que seria forte, não foi mais. Ela sabia o que era o certo, mas não se via capaz de suportar. Desistiu sem desistir, sem deixá-lo ir. Deixou guardado o sentimento, as músicas, o destino, tudo numa caixinha, que ela espera abrir quando a espera acabar.
Ele, de tão diferente, mostrou que a vida não seria mais bela coisa nenhuma, se fosse para ser sozinha. Fez com que ela visse que os mesmos momentos felizes que ela poderia viver sem ninguém, poderia também viver com ele, e não incomodaria, mas completaria. Que sem ele ficaria um vazio que só o pensamento não preenche.
Ele veio e se foi, mas ficou nela uma parte dele, e nele, dela. Os destinos que se juntam nem sempre seguem juntos, podem fazer curvas e voltar, ou não. Ela espera que eles se juntem novamente, mas mesmo que isso não fosse acontecer... Valeu por ele ter sido tão especial, tão diferente, tão “tudo” que ela sempre quis; por tê-la arrancado da frieza dos dias de inverno sem ninguém e, mesmo sem jamais tê-la tocado, provar que é melhor se tiver o seu calor. Ele provou que ela podia amar e que a eternidade sempre esperará pelos dois. Foi um certo “anjo” que fez a vida dela ser, por um segundo, mais feliz.



A abelha fazendo mel
Vale o tempo que não voou
Uma estrela caiu do céu
O pedido que se pensou
O destino que se cumpriu
De sentir seu calor
E ser todo
Todo dia é de viver
Para ser o que for
E ser tudo.

Sim, todo amor é sagrado.

Um comentário:

Mayara Buss disse...

namorar da trabalho, saibam.
mas quando amar da trabalho... tem alguma coisa errada. com esse amor, não com vc.