sexta-feira, 19 de março de 2010

A Felicidade



Esses dias eu parei pra pensar naquela frase “a gente só dá valor àquilo que perdeu”. Isso porque eu perdi algumas coisas, como ser acordada no meio da noite e de manhã, muito antes do despertador, por aquela voz de sono chamando meu nome, às vezes ainda dormindo, dizendo um “eu te amo” sussurrado ‘no meu ouvido’. Perdi de sentir saudades de cinco minutos, pra passar a sentir as saudades de um dia todo sem tempo, de ausência, de desencontro. E mudei: ao invés de, como antes, reclamar porque perdia o sono, agora tudo o que eu queria era ser acordada na madrugada.


Na verdade, isso não é dar valor porque perdeu, mas sim inventar um valor para aquilo. O tempo que passa faz esquecer os aspectos ruins e melhora os bons. 


Eu ainda vou ficar puta quando voltar a ser acordada de madrugada, passar a aula com os olhos lacrimejando de sono, ficar a tarde toda com os olhos ardendo no trabalho, estudar à noite e cair na cama às nove. Mas o que a perda – ainda que temporária, e, ainda bem que apenas temporária – disso me fez ver é que toda a parte ruim vale a pena se eu tiver a parte boa. Fim. E que eu mude de opinião depois.


Fiquei pensando se tivéssemos sempre a chance de recuperar o que perdemos, logo que chegássemos à conclusão de que aquilo realmente tinha valor. Quantas decepções. Por isso, muita gente prefere inventar que tudo seria perfeito se houvesse outra chance. Principalmente no amor. Preferem pensar que os erros não seriam cometidos e que, caso fossem, não teriam mais tanta importância. Acham que devem perdoar o que já foi perdoado tantas vezes e ainda assim não funcionou. Criam uma ilusão, inventam um passado perfeito que nunca existiu e passam a viver guiados pela esperança de um dia voltar àquele lugar imaginário, feliz.


Cheguei à conclusão de que a felicidade só está presente nas lembranças e é só lá que ela pode estar. Em raros outros momentos, poderemos respirar fundo, fechar os olhos e pensar: estou feliz. Raríssimos. Todos os outros momentos felizes passarão sem que sequer notemos, mas, pelo menos, estes de que sequer tivemos consciência, realmente existiram. A maioria da “felicidade” que vamos lembrar nunca existiu, nós a criamos para darmos sentido a algo que nunca o teve, mas não admitimos.

Um comentário:

Mayara Buss disse...

bom, eu nunca reclamei por passar o dia com sono, nem por ser acordada no meio da noite.. eu reclamo eh por ter q levantar no outro dia pra estudar, não pelo motivo de mal conseguir fazer isso.
Toda a parte ruim vale a pena se eu tiver a parte boa. E que eu mude de opinião depois. ^^

mas não acho q a felicidade esteja só nas lembranças.. pelo contrário, tantas vezes eu julguei ser feliz e depois olhei pra trás e não achei aquela tal felicidade.