Apertei o send do celular para te ligar e o número não estava entre os recentes. Simplesmente não estava. Estranho como há tanto tempo era só apertar o send, e era sempre o primeiro. Por muito tempo eu não tive que procurar por você, tudo sempre estava ali, no seu lugar.
Mas a minha vida parece ser apenas uma roda gigante. Enorme. Rápida. Gigante e veloz. Nunca pára num ponto, numa perspectiva que seja só minha tempo o suficiente para que eu veja. Para que eu entenda. Minhas perspectivas mudam tão rápido, só sobra um borrão.
E aí coisas simples como apertar o send do celular me fazem pensar no livro inacabado sobre a mesa. No violão deixado num canto, no excesso de cobertores para um dia nem tão frio assim. Me fazem ver de que eu preciso agora para dormir, que antes não precisava.
Um reflexo no espelho que tem mudado tanto, dia após dia, luta após luta.
E eu não quero desistir.
Nós temos que ser melhores do que isso, eu tenho que explodir, como foi domingo, mas me reconstruir. Começar de novo e tentar de novo. Talvez um novo argumento. Talvez mais tempo e tudo se torne claro. Mais tempo, muito tempo, tanto... Nada de novo.
Sou eu correndo numa ponte imensa sobre um rio fundo. Sou eu parando a cada dez passos e olhando para baixo, para o fundo, desejando estar lá. Depois, me virando de volta para a frente, e correndo mais dez passos. E talvez não conseguiremos chegar ao fim. É bem provável que não. E o que ficarão são apenas as lembranças de todos os "quase-suicídios" de todos os tipos, suicídios de alma, que eu quase-impedi. Mas sempre morreu um pouco, um pedaço. Sempre.
E se eu tiver que chegar do outro lado da ponte sozinha, um pedaço meu terá ficado com você, no fundo daquele rio.
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