sábado, 4 de dezembro de 2010

Média.

Algumas pessoas já me disseram que têm ou tiveram inveja de mim em algum ponto, ou um dia quiseram ser eu. Talvez por eu não ter dificuldade na faculdade, ou por ter arrumado um estágio no momento em que eu quis – com a ajuda de professores – enquanto outros passam anos procurando, ou por eu ter sempre tido namorados “perfeitos” mesmo em todos os seus erros, que me amaram e ainda hoje pensam em mim com carinho.
Alguns queriam ter os mesmos poucos e bons amigos que eu tenho, os ombros que estão sempre disponíveis num momento de dor ou fraqueza. Alguns queriam ter a minha força de decidir e conseguir. Alguns queriam ter a minha audácia de ir brigar com o professor, de responder o que me vem à cabeça ao meu patrão, de jogar fora sem olhar pra trás anos de planos e o futuro ao lado de alguém e começar do zero.
Eu sei que este texto parece que eu estou “puxando meu próprio saco”, mas é só uma coisa que eu parei pra refletir sobre. Eu realmente sou tudo isso. Com todos os meus erros e defeitos, algumas decisões erradas e outras certíssimas que eu demorei tempo demais pra tomar. E essa coragem toda não veio de uma vez, e o conhecimento não foi de graça. E eu tenho muitos, mas muitos inimigos e muita gente que me odeia, muitas vezes pelos exatos motivos que eu acabei de dizer aqui.
Eu só queria dizer que às vezes eu também me sinto fraca, também tenho medo de dizer algumas palavras. Às vezes eu deixo coisas passarem, coisas que me fazem muito mal mas que a pessoa culpada nunca vai perceber, nunca vai sentir. E muitas vezes eu sofro por não ser medíocre, por ser mais que a média, e acabo não aceitando certas situações que pra mim estão erradas. Talvez para os outros não estejam, mas eu não consigo.

A questão é que quando eu sentei pra escrever isso aqui, agora, eu tinha em mente uma conclusão, mas eu esqueci. Talvez não haja conclusão alguma, nem nada disso tenha sentido. E ser mais que a média não faça diferença no mundo dos fatos como eu gostaria que fizesse. Talvez faça mal, na verdade. Pode ser que se eu tirasse 6 na faculdade, suportaria o estágio medíocre que eu faço, sem grandes desafios. E se eu tivesse namorado um bando de idiotas, eu não seria tão crítica nem gastaria tanto tempo tentando escolher o próximo, porque seria fácil encontrar um melhor. E se eu fosse mais burra, mais lenta, mais alegre e dissesse mais idiotices, talvez eu tivesse mais amigos. Mas eu sou crítica, e mais, e não consigo ter uma conversa que não seja, no mínimo, inteligente. E talvez eu tenha que passar a vida toda pra colher uns 5 ou 6 amigos, uns 3 ou 4 bons namorados, 1 bom emprego e 1 sorriso com a mesma alegria que têm os sorrisos dos ignorantes, porque eles não contabilizam tudo isso, não criticam, não pensam e não passam por estes incessantes momentos em que dá vontade de desistir de tudo, porque não há nada.



Ah, postagem de número 200 \o/\o/\o/

Um comentário:

... disse...

Só queria deixar bem claro que sou sua fã. Sério mesmo...Já disse que compraria um livro seu e tudo.
Vamos casar? ^^)