Mesmo se as estrelas começassem a cair, e a luz queimasse tudo ao redor... E fosse o fim chegando cedo... E você visse o nosso corpo em chamas???
Deixa pra lá...
Quando as estrelas começarem a cair... Me diz, me diz, pra onde é que a gente vai fugir?!
Amo o pedaço de terra que tu és
Porque das campinas planetárias
Outra estrela não tenho. Tu repetes
A multiplicação do universo
Teus amplos olhos são a luz que tenho
Das constelações derrotadas,
Tua pele palpita como os caminhos
Que percorre na chuva o meteoro
De tanta lua foram pra mim teus quadris
De tolo sol tua boca profunda e sua delícia
De tanta luz ardente como mel na sombra
Teu coração queimado por longos raios rubros
E assim percorro o fogo de tua forma beijando-te
Pequena e planetária, pomba e geografia
NÃO TE AMO como se fosses rosa de sal, topázio
Ou flecha de cravos que propagam fogo:
Te amo como se amam certas coisas obscuras,
Secretamente, entre a sombra e a alma.
Te amo como a planta que não floresce e leva
Dentro de si, oculta, a luz daquelas flores,
E graças a teu amor vive escuro em meu corpo
O apertado aroma que ascendeu da terra
Te amo sem saber como, nem quando, nem onde,
Te amo diretamente sem problemas nem orgulho:
Assim te amo porque não sei amar de outra maneira
Senão assim deste modo em que não sou nem és
Tão perto que tua mão sobre meu peito é minha
Tão perto que se fecham teus olhos com meu sonho.
SABERÁS que não te amo e que te amo
Posto que de dois modos é a vida,
A palavra é uma asa do silêncio,
O fogo tem uma metade de frio.
Eu te amo para começar a amar-te
Para recomeçar o infinito
E para não deixar de amar-te nunca.
Por isso não te amo todavia.
Te amo e não te amo como se tivesse
Em minhas mãos as chaves da fortuna
E um incerto destino desditoso.
Meu amor tem duas vidas para amar-te
Por isso te amo quando não te amo
E por isso te amo quando te amo.
NÃO TE QUERO senão porque te quero
E de querer-te a não querer-te chego
E de esperar-te quando não te espero
Passa meu coração ao frio e ao fogo
Te quero só porque a ti te quero,
Te odeio sem fim, e odiando-te rogo,
E a medida de meu amor viageiro
É não ver-te e amar-te como um cego
Talvez consumirá a luz de janeiro
Seu raio cruel, meu coração inteiro,
Roubando-me a chave do sossego.
Nesta história, só eu morro
E morrerei de amor porque te quero
Porque te quero, amor, a sangue e fogo.
PABLO NERUDA
17/03/2011
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