domingo, 24 de janeiro de 2010

Sonhos.

Essa noite, eu tive um “meio-sonho” estranho. Sonhei que eu estava fora de casa – e realmente estava, dormindo com amigas – mas que, assim que eu voltasse, você estaria lá. Eu pude sentir a saudade de um abraço que ainda não dei. Depois, ainda meio dormindo, me sentei na cama e me pus a te procurar. Olhando pela escuridão, por um momento, quase te encontrei, dormindo ali, tão perto. Me acalmei com a sua imagem, que consegui reproduzir tão fielmente na minha mente, por tanto haver te olhado, e assim, consegui dormir novamente, com aquela mesma certeza de que, ao chegar, te encontraria.
Meus sonhos sempre me dizem muito, e este me disse uma coisa só: o meu lugar não é aqui. Eu queria poder ir embora, chegar em casa, minha verdadeira casa, nos seus braços.
Deve ter sido por tanto conversar sobre você até quase amanhecer. Deve ser essa saudade mansinha que me ataca de vez em quando. Deve ser meu eterno “vislumbrar o futuro”. Deve ser desejo. Deve ser a música que eu ouvi antes de dormir. Deve ser porque dormir perdeu o sentido se não for ao teu lado, deve ser de tanto te procurar, de ver pedaços teus em qualquer lugar, qualquer lembrança, objeto. Deve ser querer encontrar o teu olhar e dizer, no silêncio das palavras inúteis, o que me transborda mas não chega até você, por não haver tradução. Deve ser amor.



A “música” que eu ouvi antes de dormir? Uma faixa do Maricotinha. Um dos “nossos” poemas. Este:





Eu sei que atrás deste universo de aparências,
das diferenças todas,
a esperança é preservada.
Nas xícaras sujas de ontem
o café de cada manhã é servido.
Mas existe uma palavra que não suporto ouvir,
e dela não me conformo.
Eu acredito em tudo,
mas eu quero você agora.
Eu te amo pelas tuas faltas,
pelo teu corpo marcado,
pelas tuas cicatrizes,
pelas tuas loucuras todas, minha vida.
Eu amo as tuas mãos,
mesmo que por causa delas
eu não saiba o que fazer das minhas.
Amo teu jogo triste.
As tuas roupas sujas
é aqui em casa que eu lavo.
Eu amo a tua alegria.
Mesmo fora de si,
eu te amo pela tua essência.
Até pelo que você poderia ter sido,
se a maré das circunstâncias
não tivesse te banhado
nas águas do equívoco.
Eu te amo nas horas infernais
e na vida sem tempo, quando,
sozinha, bordo mais uma toalha
de fim de semana.
Eu te amo pelas crianças e futuras rugas.
Eu te amo pelas tuas ilusões perdidas
e pelos teus sonhos inúteis.
Amo teu sistema de vida e morte.
Eu te amo pelo que se repete
e que nunca é igual.
Eu te amo pelas tuas entradas,
saídas e bandeiras.
Eu te amo desde os teus pés
até o que te escapa.
Eu te amo de alma para alma.
E mais que as palavras,
ainda que seja através delas
que eu me defenda,
quando digo que te amo
mais que o silêncio dos momentos difíceis,
quando o próprio amor
vacila.




Deve ser porque eu disse que, a cada segundo, o amo mais. O infinito se multiplica a cada sorriso que sorrimos juntos.

Um comentário:

Israel Lins disse...

Amar obsessivamente parece ser a matéria prima da poesia romântica. Só uma pergunta: é você na praia? Me lembrou a música Vento no litoral da Legião Urbana: “e o vento vai levando tudo embora...”.