terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Encontro.

O quarto tinha cheiro de reencontro. Cortinas brancas que se deixavam levar pelo vento do fim de tarde, aumentando e diminuindo as sombras. Debaixo da janela, apenas uma mesinha com as coisas de que ela precisava: ipod, celular, abajur para ler à noite. Uma cama de casal e um guarda-roupa, mais nada. Mas a cama tinha segredos e lá dentro do guarda-roupa também. O violão, cds e livros viriam depois, assim que as coisas estivessem mais ou menos organizadas, mas música preenchendo o ambiente já começava a fazer falta. Fazia dois dias que ela havia se mudado para a SUA casa. E não havia sensação melhor. Aliás, ela ainda não havia experimentado sensação melhor, mas sabia que era só uma questão de tempo até que algo realmente maravilhoso acontecesse. Era o que ela esperava há o que parecia ser uma eternidade. Corações apressados vêem o tempo passar mais depressa quando estão juntos, mas é um paradoxo o tempo que não passa quando ainda precisam se encontrar.
E assim, com borboletas por dentro e por fora, ela se sentava na cama esperando que as tardes chegassem e se fossem, que as luas mudassem, que alguma estrela desse o sinal de que ele já estava chegando. Ela não sabe dizer ao certo quantas tardes foram, não sabe sequer como tudo começou, mas agora era como se a vida dela estivesse enlaçada à dele, tanto que não havia expectativa, plano, decisão que não o incluísse como protagonista da história. Tanto que seus planos eram todos para ele. Tanto que ela se entregara e repetia todos os dias “eu sou tua, só tua”. Tanto que ela nem pensava mais se valeria a pena, porque sabia que, sem ele, não havia mais nada.
Numa dessas noites, a estrela que ele lhe dera brilhou mais forte. Ele estava chegando. Ela sabia. Tentou permanecer acordada, mas o dia tinha sido particularmente difícil, e ela acabou dormindo embalada pelas músicas tão lindas que havia ganhado dele. Como todas noites, era nele que ela pensava até adormecer, era ele quem ela via, era com ele o seu sonho.
E, no meio da madrugada, com o coração disparado pelas batidas na porta, ela foi ao seu encontro. Ele, com as malas já no chão, só conseguia olhar para ela. Seus olhos brilhavam e diziam tanto, com tanta verdade, que dos dela escapou uma lágrima. Ela, então, depois de sabe-se lá quanto tempo sem reação alguma, conseguiu estender a mão e tocar aquele rosto, com o qual ela tanto sonhara. Com os dedos, desenhava cada curva, das sobrancelhas, olhos, boca, queixo, como se assim, finalmente, ela pudesse saber que ele era real. Dando-se conta disso, não conseguiu conter o sorriso. Ele era real, e era dela. Ela pegou sua mão e pediu-lhe que entrasse e, ainda na sala, deslumbrados com a intensidade do momento, se beijaram como se com isso selassem o encontro de suas almas, que já estavam juntas há tanto tempo, conheciam-se uma à outra mais que a si mesma, mas os corpos ainda estavam se descobrindo, um colado ao outro, trêmulos, mas mesmo assim se sabiam e se guiavam sem hesitação.
O primeiro beijo, que pode ter durado horas ou minutos - não se sabe ao certo, porque o tempo simplesmente havia parado - foi interrompido pelas lágrimas de olhos indescritivelmente felizes. E, os dois, incrédulos porque jamais imaginaram que pudesse haver um sentimento assim, capaz de deixá-los tão plenos um do outro, permitiram que a alegria se irrompesse num sorriso e cada um se encontrou no olhar do outro, na alma do outro, na vida do outro. E sabiam que era esse o melhor lugar, era o lugar ao qual pertenciam. Sabiam que passariam o resto de seus dias um ao lado do outro, que a vida seria leve, mas intensa em alguns momentos. Que as alegrias viriam juntas e que tristeza alguma duraria por tempo demais. Que precisavam se casar e assim fariam. Que dormiriam abraçados e seriam imortais. Que tudo já havia sido combinado, inclusive, já combinaram também que um faria ao outro mais feliz do que se podia imaginar e, desde o instante em que se encontraram, sabiam que tudo sairia melhor que o combinado, pois agora que estavam juntos, poderiam suportar tudo e, nada, nunca, impediria aquelas vidas de seguirem juntas o seu caminho.

Um comentário:

Anônimo disse...

E assim será.. para a eternidade..

Lindo.. como pode se expressar tão bem??

Quando ele e ela se casarem vou tirar a foto rsrs..

xD

Áurea