Como uma idéia que nunca passou pela minha cabeça, de repente se faz real, vívida, tão imensa que eu quase posso tocá-la? Era aquilo que eu mais temia, e simplesmente se materializou aqui na minha frente e o quarto foi ficando menor, me consumindo. As palavras já não saíam como deveriam, não faziam mais o mesmo sentido, foram ficando mortas dentro da minha boca; foram sendo vomitadas, enterradas para nunca mais. Porque eu nunca mais diria aquelas palavras.
Se todo amor é sagrado, como nem Deus sabe do que nós sentimos?
Se o destino se encarrega do começo, é culpa dele também o final. Se somos impotentes diante do tempo, do espaço, da alma do outro que ainda não é nossa... Se o mundo gira sozinho e não adianta gritar, porque ninguém mais escuta, pra quê continuar caminhando? Os gritos são calados, os toques são deixados pra depois; espera a chuva cair, o sol trazer consigo as duas manhãs: a minha com você e a outra, escura. De que servem as manhãs sem escutar um “eu te amo” sussurrado, no escuro, no vazio que é só nosso e ninguém mais entra? Só nosso porque só precisamos de nós dois. Porque o mundo não precisa “deixar” pra acontecer, acontece porque eu não sei existir se não for assim.
Se eu só tinha uma certeza que me fazia acordar, de que servirão as manhãs quando ela se acabar?
“A gente espera do mundo e o mundo espera de nós um pouco mais de paciência”. Mas o mundo ta todo errado. Já não é paciência, não é tempo, não é espaço. Já não chega a ser desejo nem necessidade. Nem promessas. Já não é mais só uma ilusão numa madrugada qualquer.
É só a minha vida, que depende da sua, ao meu lado, para existir.
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