O vento veio leve, encostou suas mãos no meu rosto, deixou-se ficar por um segundo e se foi. Foi-se como vai tudo que me vem. Tudo que a vida leva.
A vida estendeu os braços e quis te levar de mim.
Segurei um suspiro, mas não por tempo demais: o mundo ouviu. O mundo ouve, mas não quer saber. Quer?
E as ruas passam por mim, estáticas, e o meu universo parado. E as estrelas que se apagaram ou então ficaram pelo caminho, deixaram de me guiar. E a lua, hoje, está só pela metade. Tem uma metade minha em você.
A vida quis te levar e eu senti um grão de areia escapando pelos meus dedos. Eu senti minha mão fraca, não segurava mais forte, não segurava a sua. Eu senti nossos passos se desviando. Mas fechei os olhos e quase... eu quase encostei minha boca na sua.
O meu corpo precisa do seu, da proteção do seu corpo... eu preciso sorrir de novo o sorriso que é só seu.
Mas deixa trovejar. Deixa a lua ficar pela metade, as estrelas se apagarem, os caminhos sumirem do nosso caminho. Não importa que todas as cordas do violão se quebrem, eu ainda vou ouvir a tua melodia. Deixa que venha a noite, e que ela permaneça enquanto não conseguimos dormir, pensando. Deixa a sua alma comigo, que eu faço um juramento. Não importa que o sol se demore, que insista em não aparecer ali no horizonte... se, quando ele surgir, o meu olhar cair no seu, a sua vida vai ficar pra sempre na minha vida. E essa certeza, que sempre me vem... O tempo esteve só esperando por nós dois.
Um comentário:
essas últimas duas poesias foram envolventes.
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