Hoje eu quero falar do medo.
Todo mundo já leu o texto que diz: “nossas dúvidas são traidoras e nos fazem perder o bem que poderíamos conquistar, se não fosse o medo de tentar”. Mais clichê que isso, só o que eu vou escrever agora =)
Enfim,
Eu sempre tive medo. O maior deles foi de ficar sozinha. “(Você) nunca chorou sozinha num banheiro sujo”? Eu já. Sequer me lembro dos motivos pelos quais eu chorava, mas o que me marcou foi que não havia quem segurasse a minha mão e mentisse que tudo acabaria bem. Eu costumo me esquecer de brigas, discussões, confusões - é um mecanismo de defesa. Lembrar dói e dá medo de errar de novo. Mas ninguém pode ser movido pelo medo de que as coisas aconteçam da mesma forma, novamente. Porque nada, nunca se repete. Existem outras chances. Existem outros amores.
Medo de se decepcionar, quem não tem? Mas esse é um medo real. As pessoas realmente decepcionam. E que bom! Melhor que se vejam os defeitos cedo, se avaliem as circunstâncias, se decidam as escolhas. A decepção não foi feita para ser temida - ela deve, ao contrário, ser esperada. Sempre chega. Arrisco dizer que é até boa, por sempre trazer consigo certa clareza: você enxerga as coisas de uma forma como nunca viu antes. Fria. Dolorida. Como realmente são quando não se está fazendo juras de uma paixão eterna, amizade eterna... Se até “meus heróis morreram de overdose...” o que esperar das pessoas comuns? Eu sempre achei, e até já disse aqui no blog, que decepção se mede pelas expectativas que você põe na pessoa. E defendia, antes, que não se deve esperar nada, mesmo. Mas, hoje, não sei. Se eu não esperasse nada dele, como poderia me apaixonar? E de todas as coisas que esperei, a maioria existiu.
Criar expectativas é o que move as engrenagens da paixão. Erros e acertos são conseqüências, mas quem determina o ponto de equilíbrio sou eu. E eu sei bem até onde posso me machucar, se os sorrisos são infinitamente mais intensos que as poucas lágrimas... “Se o amor é o corte e a cicatriz, pra quê tanto medo?”
O medo é sempre todo errado. Tem gente que deixa o amor passar - e eu já vi acontecer - porque não sabe arriscar. Porque pode perder. Insegurança, talvez imaturidade. Talvez a hora errada. Eu cometi um erro monstruoso, que me fez pensar em “nunca mais”. Foi o medo. Aprendi a esperar que ele se esvaísse nas nuvens de uma quase-certeza, que a cada dia se prova mais certa. Talvez o remédio para o medo seja o tempo.
Mas há um que não se cura, o que eu disse no começo. Me amedronta a idéia de ficar sozinha. Eu sei que posso e já até consegui - mais ou menos, porque me enganava, inventando amores de mentira só pra satisfazer a minha vaidade. Só para poder fechar os olhos em paz, antes de dormir, e pensar que talvez, em algum momento, alguém pudesse entrar pela porta e segurar minha mão. Não que seja bom se iludir, mas às vezes é uma saída...
O que importa é não deixar que o medo imponha limites à vida. “Me atirar lá do alto, na certeza de que alguém segurava a minha mão, não me deixando cair. Era lindo, mas eu morria de medo. Tinha medo de tudo, quase...”
Mesmo que haja medo, eu nunca vou me impedir de pular do alto, ver como é lindo lá de cima. E, se, porventura, dessa vez, eu não cair, talvez eu tenha aprendido a ser feliz. Vale o risco.
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