quinta-feira, 15 de julho de 2010

28/05/2005

Estou com a péssima sensação de que o tempo passa.


Acabei de olhar a lista de blogs que sigo, e vi que alguém fez sua última postagem dez meses atrás. E eu me lembro. Já se passaram dez meses.
Eu consigo relembrar com uma riqueza de sensações, com todos os medos e a paixão que eu carregava. E ao final, sinto como se uma energia colorida saísse de dentro de mim, como tudo que já se foi, dando lugar a um vazio azul escuro.
Eu sei que hoje é o dia da última certeza.

A sensação de que o tempo passou e tudo o que ficou para trás são erros que finalmente se acabaram deveria me trazer alívio, mas eu sempre volto à origem. Como se eu fizesse parte de um ciclo só feito de erros e sorrisos derivados de meras mentiras e quando a ilusão chega ao final, volta ao começo. E eu queria me sentir protegida num abraço que eu ganhei 5 anos atrás. Porque sempre que acontece isso, eu me lembro de cinco anos atrás e me dá uma vontade tremenda de voltar. Sempre.
E então eu crio a consciência de que tudo que eu faço para tentar evoluir simplesmente me puxa pra trás, porque eu não nasci para tropeçar. Porque eu não sei me levantar e começar de novo, porque eu sempre volto ao início daquele círculo. Porque eu sempre fui uma criança de quatorze anos que se encontrou num abraço. Que chorava quando o encontrava. Que só conhecia a felicidade de vez em quando, mas esta foi a primeira felicidade, a primeira verdade, e quanto mais coisas acontecem, mais relacionamentos fracassam, maior a certeza de que eu queria ter ficado para sempre protegida por aquele abraço. Não queria ter conhecido nada deste mundo.
Engraçada a contradição, porque o que me arrancou daquele abraço foi justamente querer conhecer o mundo.
Mas o mundo é mau, crianças.
E crianças precisam de proteção.

Eu não consigo encontrá-la em outra pessoa, e aquela já está num passado muito longe, os caminhos não voltam mais até lá.
Sendo asisim, melhor me preparar para o começo de outro ciclo daqueles em que a linha de chegada é a maior decepção e logo recomeça a ilusão. E o reconforto de pensar que eu poderia ter sido feliz.