Hoje a Alini - a única pessoa da minha faculdade com quem eu consigo conversar decentemente - estava com o estado de espírito pior que o meu e foi embora no intervalo.
Me vi então com meia hora para não fazer nada. Não falar com ninguém.
Passei e repassei a minha agenda do celular inteira, vi nomes que me fariam apertar o send, não fosse aquele um horário meio inadequado: dez da manhã. Todo mundo tem o que fazer no meio da manhã. Assim, joguei dois minutos de bejewled e deitei na carteira. De cabeça entre os braços. De olhos abertos.
Pensei que, antes, não haveria dúvidas, claro que eu ligaria, e claro que eu saberia para quem. Mas, agora, não. Eu decidi que não preciso pedir pelo amor de Deus para alguém se importar comigo. E os demais amigos? Cada um com sua vida, ninguém precisa escutar os meus problemas.
De olhos abertos, deitada na carteira. Só respondia o que alguém perguntava. Alguma coisa da matéria, claro, porque a minha vida pessoal não pode ir parar naquelas bocas.
O Rafael chegou.
- Você tá triste, Carolina?
Eu nem precisei olhar para ele, ele já sabia.
Eu respondi que não, que estava bem. E ele me olhou com ternura. E não sossegou enquanto não me fez rir.
Bom ter amigos assim, tão bom!
É só que tem dias que eu acordo pensando... Em outros não... Mas nestes, ainda ao lado de pessoas que também não estão bem... Esses são dias difíceis.