quinta-feira, 22 de julho de 2010

A flor roxa (irônico, não?)

Eu nunca havia reparado o tom roxo escuro das flores ao lado do portão. Passava todos os dias de manhã por ali, sempre olhando para baixo, mil coisas passando na cabeça.
Agora, resolvi respirar a minha vida. Reparei nas flores, no meu caminho, no ar bom que entrava nos meus pulmões, dentro de mim. Nas coisas boas que restaram dentro de mim. E me senti em paz.
O sol ia passando - ou era eu quem passava? - por entre os galhos secos de inverno.

As estações sempre mudam e a natureza não tem medo, por que eu teria? Que mudem as coisas!

Senti o MEU sangue correndo nas veias, só o meu, porque eu era a única pessoa digna da minha atenção. Pelo menos naquele momento, era EU. Vivi imersa em tantos problemas que já eram eu os meus problemas. Eu não abria os olhos, eu não via o roxo da flor.
Toda escuridão tem seu fim. Foi feita para dar lugar à luz. Assim como muitas coisas só começam porque um dia vão terminar. E ainda bem que terminam!
O sofrimento da falta é inevitável, mas ainda há ar bom para respirar.
Eu parei de querer o que eu não queria de verdade. Parei de chover.

O destino vai me levar no seu próprio colo até onde eu preciso chegar. Ele sabe melhor que eu. E quando eu chegar lá, perceberei que era isso o que eu sempre quis.

Chega de aceitar que todo mundo tem medo e se deixar abater, ficar escondida debaixo das cobertas até que a noite acabe. Reflexão dói mas trilha o caminho. E chega.
Não vou mais ficar me lembrando de cada uma das tantas frustrações que eu já vivi e vivo todos os dias. E eu não vou mais tentar. Quem quiser estar perto de mim, que me mereça. Porque eu já fiz o suficiente para merecer.



- Será que é o trem que passou, ou passou quem fica na estação?


(Será que se eu repetir todos os dias que eu que eu quero É MEU, ele se torna meu? Vou tentar!)