Há 14 anos morria Renato Russo. E pus esta foto porque é a que eu mais gosto. Ela expressa tudo em tão pouco. Os discos velhos, o olhar, os braços, o cabelo despenteado, o jeito de sentar na cadeira ao contrário. Esse era Renato Russo, meu espelho.
Sempre contra, sem medo de ser diferente, oposto, fazer o que queria da forma como queria. Sem medo de dizer que seus clipes eram todos ridículos e ao mesmo tempo que Beatles foi a maior banda da história.
Uma história de contraposições.
Aos 17 anos, em Brasilia, descobriu que tocar e cantar era melhor que dar aulas de inglês. E então, um dia, perdeu a palheta e sua mão sangrou na guitarra, mas ele não parou. Era mais que todo mundo, melhor, diferente. E sabia dizer. Talvez não soubesse cantar, talvez não conhecesse todos os acordes, talvez não tenha sido considerado um gênio como o Caymmi ou um poeta como o Chico. Mas era ele, e era tudo o que precisávamos então.
Muita gente só o conheceu depois de 1996. Eu, muito tempo depois.. Por volta de 2000, aos 11 anos, quando um amigo pegou um violão e tocou Faroeste Caboclo. Era diferente, impressionante. Me envolvia, mais do que qualquer música de qualquer gênio.
Os discos tinham uma história, um roteiro. Me retratavam. Me entendiam.
E morreu por amor. Mesmo sabendo que o Scott tinha aids, o amou. Foi, então, abandonado -"vamos machucar o coração". E em 1996, desistiu de viver.
Mas o seu legado, há 14 anos e por mais alguns milênios, manter-se-á vivo no coração de todos nós, Legionários! Porque foi ele quem fez nossa adolescência, ajudou-nos a formar nossas opiniões, mostrou-nos os caminhos, o amor, a tristeza, a solidão, as canções que refletiam nosso olhar perdido, como o da foto. Nosso jeito de ser ao contrário. Nossa diferença.

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