Tem coisas que eu vejo e fico pensando: ou todo mundo é louco, ou eu que sou anormal. A maior parte delas se trata de relacionamentos.
Por exemplo, conheço um casal de namoradosque um dorme enquanto o outro está acordado e vice-versa. Um trabalha durante o dia, o outro estuda à noite. Quando este falta à aula, o primeiro arranja alguma coisa pra fazer com um amigo. Aos fins de semana, um acorda cedo, o outro, às 15h. Um está disponível, o outro está vendo filme, ou sei lá.
Só eu que acho tudo isso um absurdo?
Eu sei que vou além da conta, porque quando estou realmente apaixonada, diminuo muito as séries que assisto, às vezes até o tempo de sono ou estudo. Limito mais a vida social, o sair com os amigos, o fazer as coisas sem ele. A qualquer momento em que estou sem compromissos, o primeiro pensamento é discar seu número.
Tudo bem que deixar de fazer tudo ou só estar juntos em absolutamente todos os momentos de vigília – e também dormindo – é meio insano. Confesso que já fiz, e gostava de fazer. O que importa é estar feliz fazendo. Eu sei que ao final do dia me dava aquela sensação de que não cumpri minha obrigação, mas meu coração ficava em paz, mesmo assim. Eu estava feliz por ter lhe aproveitado todo o tempo que podia. Acho que isso vinha da sensação de que eu não o teria pra sempre. Mas isso aconteceria com qualquer pessoa que eu tivesse, não apenas este caso específico. Porque eu sou aquele tipo de menina que não acredita em conto de fadas, e sabe que todos os romances – exceto o último, e este deve demorar para chegar – vão acabar. É assim que as coisas são.
Mas daí a fazer exatamente o oposto, deixar de ficar junto para fazer todo o resto... É falta de amor. Não que no meu caso seja amor de mais, o que existe é mesmo obsessão, misturado com um pouco de paixão e aquela vontade imensa de aproveitar ao máximo, porque o amanhã pode nem chegar. Mas este exato oposto, frio, cru... Eu não vejo amor aí. E não é, por isso, mais saudável. E se fosse para escolher?
Escolheria fazer tudo de novo, em quantos romances a vida me trouxer, até que o último novamente me faça viver e aproveitar cada dia como se não houvesse o seguinte, e me surpreenda com a alegria de ver mais uma vez o sol nascendo nos olhos daquele que será o palco de todos os amanheceres da minha vida.
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