domingo, 10 de outubro de 2010

Um pouco de mim.

Eu sempre fui a criança que sentava na mesa com os adultos e odiava quando outra criança chamava pra brincar. Já quando eu ia, jogava era futebol. Nada de casinha, comidinha, boneca. Nunca quis ter filhos, mas é provável que a pessoa certa mude isso. Nunca gostei das músicas que todo mundo gostava, nunca gostei de grupos muito grandes porque nunca gostei de muita gente. Aliás, muita gente por perto é algo que eu odeio. Só os bons que fiquem comigo.

Eu nunca dei muitos problemas, minhas brigas na escola (e não foram poucas) era eu mesma quem resolvia. Nunca fui de ficar quieta e sempre tive opinião. Desde os nove meses de idade, quando meu pai me disse que mamar no peito era nojento e eu parei, todo mundo já via que de acordo com a maré é que eu não ia nadar.

Cigarro experimentei por opção, quando eu quis. Fumei quando e quanto eu quis. Parei quando eu quis. Com bebida é a mesma coisa. Não fico bêbada de não lembrar ou não ter noção do que eu estou fazendo. Fico lúcida pra ver os micos alheios.

Eu sou rápida, faço tudo rápido, e, muitas vezes, quando não tem importância, é mal feito. Tipo prova. Eu não tiro nota em prova, não porque eu não sei, mas porque eu não dou valor. Eu faço rápido, nem leio direito as questões. Geralmente deixo umas sem responder, outras respondo de forma incompleta simplesmente porque não li. E pronto. Ninguém tem nada a ver com isso.

O stress é uma coisa que eu tenho controlado. Aos poucos, bem pouco meeeesmo. Respirar e contar até dez nunca foi comigo, mas gritar que nem uma louca histérica também não. Vivo nas beiradas, é isso.

Conhecer bem as pessoas. Sempre me considerei profunda conhecedora sim. Observo cada detalhe, de longe, aí defino minha opinião. E é difícil de mudar. Mas é concreta, consistente, não se baseia em preconceitos. Não é um teste em que o xis tem que estar na alternativa correta. Não, cada um é diferente, e cada um me basta de uma forma. Mas já me enganei, já errei e admiti meus erros. E muita gente se engana a meu respeito também. Não sou boa, não sou legal, não sou simpática. Sou eu bem assim e quem entrar no barco já entra avisado.

Tenho a pele marcada, por dentro e por fora, pelas cicatrizes da vida. Umas dá pra ver, outras eu que conto. Mas algumas poucas ficam bem guardadas, não falo delas com ninguém. Eu sou alguém que, hoje, sabe se curar sozinha.

Se precisar de conselhos, eu provavelmente terei algo a dizer por ter visto ou vivido algo igual. Por ter errado e tentar mostrar como deve ser diferente. Mas geralmente ninguém me ouve, e a frase que eu mais uso é: eu avisei... Enfim, tenho só 19 anos, mas a vida foi difícil pra mim também. Já passei madrugadas com lágrimas escorrendo por não conseguir entender por que isso estava acontecendo comigo. E eu sei que coisas piores acontecem com todo mundo, todos os dias. Mas eu não entendia... Hoje, talvez eu entenda.

Não perco tempo me arrependendo do que errei, do tempo que perdi, do que passou. Guardo apenas os abraços, os momentos que fizeram diferença. Todas as marcas fazem de mim quem eu sou hoje: luto sempre por mais, largo tudo por um amigo, minha vida é uma evolução constante. Minha fé inabalável me traz uma certeza que nada nem ninguém pode dar. E a felicidade... esta aparece naqueles momentos mansinhos olhando a paz do horizonte, o céu sem nuvens, a brisa quente de verão que me pega de surpresa... E as lembranças que sobrevivem ao tempo.

Um comentário:

Janaina disse...

E eu piro no que você escreve.