Hoje eu queria escrever. Escrever qualquer coisa, desde que não falasse da minha vida. De felicidade, tristeza, espera, esperança, vontade. Eu queria ser neutra, dizer qualquer coisa, por mais que não fosse meu cérebro ou coração falando. Queria que as minhas mãos se guiassem sozinhas pelas letras, sem que uma frase ficasse palpitando reiteradamente na minha cabeça:
Me atirar lá do alto na certeza de que alguém segurava a minha mão, não me deixando cair.
No entanto o que eu não consigo entender é por que o tempo passou e só agora começo a me incomodar. Parece que antes eu tinha mais controle, não acordava e tinha esse como primeiro pensamento.
Antes tudo havia ficado para trás, e agora parece que está ficando perto. Como se ambos estivéssemos caminhando um na direção do outro. Como se os ventos houvessem mudado a direção e agora fosse possível. Fosse certo.
Mas não é e eu não entendo.
Eu não sei o porquê.
Talvez minha cabeça tenha andado menos ocupada. Ou mais.
Talvez dispor da energia de uma outra maneira seja olhar o velocímetro e pisar com mais força.
Abrir a janela e deixar que o vento me dê um tapa na cara. O futuro me dê um tapa. A vida.
No entanto o pequeno espaço em que meus pés se põem um à frente do outro se encontra em meio a um abismo. É um túnel sem lados e eu vou à velocidade máxima, com os faróis apagados. É assim que me sinto, voando com a luz, dentro da escuridão. Dentro e fora. E em volta não há nada, não há volta.
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