Ai, essa agora é a parte mais importante e complicada. Porque os outros não lêem - ou se lêem não comentam e se comentam não me importa - mas este talvez leia. E eu sinto que eu devo contar esta história com imparcialidade e do jeito que ela merece ser contada: do jeito mais lindo.
Tá, começando do começo.
Quando eu terminei o namoro com o Jhonathan eu já estava viciada em Ana Carolina. Aí passava um tempão vendo vídeos e comentando em comunidades dela. Um dia tinha um fake que chamava Gal. E eu achava o máximo. E puxava o saco dela sem nem saber quem era, só porque eu adorava o jeito que ela escrevia e as opiniões ácidas. E a inteligência, principalmente.
Eduardo e Mônica, um dia, se encontraram sem querer...
Um dia, com muito esforço, "ela" me adicionou no msn. Me lembro como se fosse hoje que era um domingo lá por agosto meio frio e nublado. Não me lembro ao certo as primeiras palavras, mas ela era fascinante... Me disse que gostou de mim quando me viu pela primeira vez, em um post em um tópico, que eu escrevi "brisei" enquanto todo mundo lutava a ferro e fogo. E começava a me perguntar meus gostos musicais e em tudo combinávamos. Até que "ela" me disse: eu faço teatro. E eu me apaixonei nesse segundo.
Sabe "tudo que eu quis ser e não fui"? Então, era "ela". E eu falando loucamente sobre a minha paixão por teatro e como isso era tudo que eu sempre quis ser mas nem sempre a vida deixa a gente ser feliz de verdade... E falei: então você é atriz? E ela: não, ator. E eu: nossaaaa, primeiro homem que eu conheço fã da Ana. Ela: é, mais ou menos. HAHAHAHA
Ri horrores disso tudo e disse que sempre quis ter um amigo gay. E conversamos longamente por umas seis horas, eu acho. Isso porque eu saí porque precisava ir dormir, e ele reclamando que ainda estava cedo.
E conversaram muito mesmo pra tentar se conhecer...
E daí em diante era sempre entrar no msn na hora do almoço nem que fosse pra só ouvir uma música juntos, depois nossos horários não batiam mais... Só no outro dia, na hora do almoço. Urgência.
O tempo foi passando e surgia a necessidade de estar cada vez mais perto. Inexplicável e, ainda assim, tão absoluta.
"Veio mesmo, de repente, uma vontade de se ver... e os dois se encontravam todo dia e a vontade crescia como tinha de ser"
Um dia houve um "eu te amo" e eu me defendendo, achando que era brincadeira. Parece que não era. E eu já não sei se eu tava misturando, perdia o sono, lembrando em cada riso dele qualquer bandeira... E achando aquilo tudo um sonho impossível. "Sonhei que o fogo gelou, sonhei que a neve fervia... E por sonhar o impossível, ah... Sonhei que tu me querias."
E enfim, foram lindos poemas no meio da madrugada, a certeza de que ele estaria lá. Ligar assustada com um pesadelo, chorando. Acordar meia hora, uma hora, uma hora e meia mais cedo e ele já estava lá me esperando. E o melhor bom dia de todos, que ficou sendo um dos dias mais felizes das nossas vidas. Uma noite inteira no hospital, um sorriso de vergonha ao me ver, um beijo que não alcançava a pele mas se fazia sentir pelo olhar, pelo desejo, o maior que poderia existir, que transpassava fronteiras e arrepiava pela força que tinha. E não importava o que os outros dissessem, aquilo estava certo, era certo, porque o errado é deixar o amor passar.
"E os dois comemoraram juntos, e também brigaram juntos muitas vezes, depois... E todo mundo diz que ele completa ela e vice-versa, que nem feijão com arroz..."
E a nossa casa já estava toda montada na nossa cabeça, a sala de ouvir músicas com os cds no chão e puffs roxos. E eu ganhei uma estrela... sete... três... quatro. Nosso número, sete. Nossa cor, verde. Nosso caderno... Nossos poemas, nossas músicas, nossa vida naquelas páginas, que as dele eram lindas e eu nunca pude ouvir todas.
Houve muita dor também, nossas lágrimas caíam juntas. Nossos medos e o terror por nada ocorrer como o planejado. A voz que mal saía quando precisava acabar. E acabava mas eu sempre voltava a me apaixonar de novo... Sempre. Porque as palavras que vinham dele eram as mais lindas que no mundo se podia encontrar e eu começava de novo a ver o meu caminho cheio de flores, com a segurança de uma mão apertando a minha, em vontade.
Até que a última vez eu me magoei de verdade e seria impossível deixar passar. Foi o revés de um parto, 'arrumar o quarto do filho que já morreu'... e doeu tanto que eu não seria capaz de suportar tudo de novo. Me desfiz em pedaços e não apareceu quem os varresse e guardasse em algum canto seco e quente. E hoje eu finjo ser uma inteira que procura por metades, mas é ainda incapaz de sentir, de se contentar com tão pouco, sabendo o muito que passou.
A única coisa que eu posso admitir sentir hoje é a 'saudade de um ex futuro'

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