Hoje à tarde eu estava olhando pra isso:
Caía uma chuva de folhinhas daquela árvore, faltavam segundos pra começar a chover. É o tempo se desenrolando no cair da tarde, no vento, no temporal. Eu sentada nos degraus do prédio onde eu trabalho esperando quem fosse me buscar.
Como sempre, com fone no ouvido. Tocava esta canção:
http://www.youtube.com/watch?v=o0C0ekVdZkI&feature=related
Eu não sei se sou só eu que pulso música, mas às vezes eu paro pra fotografar um momento - mais na mente do que na câmera - e fica a trilha sonora. Talvez não tanto pela letra, mas a melodia... A melancolia. O fim de tarde, mais uma tarde e eu com os olhos no horizonte, sem saber direito no que pensar, mas o pensamento não desvia, não sossega. Era a chuva, o sol, a lua. Lua nova. Escura. Hoje os amantes não recitarão poemas. Hoje passou. Mais um dia se esvaindo. Esvaindo a vida.
"(...) De que serve repetir
que o tempo sob os nossos pés já vai fugindo?
O amanhã não nasceu e o ontem já morreu,
porque me hei-de importar, se o dia de hoje é lindo?
...
É tudo um tabuleiro de noites e dias;
os homens são peças, e o fado temerário
com elas joga, e move, e toma, e dá o mate,
e uma a uma as recolhe, e vai guardar no armário."
Rubaiyat III
(http://www.youtube.com/watch?v=bIx2oIy2Z4Q)
A vida é isso, o fim de tarde, o pensamento, a voz interior. O não saber, a dúvida, a certeza. O ato, o fato, o dito e o não dito. O arrependimento e o orgulho. O passado. O futuro.



Nenhum comentário:
Postar um comentário