Às vezes dá aquela COISA de nostalgia na gente, né? Nos reunimos, nós três, outro dia. Me lembrei de nós três sendo as donas da escada no colégio, que ninguém mais podia sentar. E as lembranças vão longe... Primeiros dias de aula, a Mayara colocando fotolog no quadro kkkk na época do fotolog. E nem era o .net, pq pra esse precisava ficar acordada até meia noite. Sempre, sexta-feira, internet discada, dava meia noite e a gente entrava no msn, conversava até de madrugada, e sábado de manhã tinha aula de educação física, que eu sempre mentia que tava menstruada, menos quando era futebol.
E vai voltando no tempo... oitava série, quando eu, a Kathy e a Isa pegávamos o ônibus. O meu vizinho da rua de baixo já me esperava no ponto e todo dia, quando eu chegava, dizia: já tá aí? Sempre, sempre. Era a época que a Kathy ainda morava no Brasil, aqui pertinho de casa, e a Isa não era mãe de família. E eu ia conhecendo o meu grande amor, se é que já existiu algum. E ir pra escola era tão legal, e passar o intervalo inteiro sentada no chão da cantina com o Marcelo. E abraçar toda vez que o via.
Antes, ainda no ensino fundamental. Lembro da quinta série, meu caderno do mickey. Azul. E todas as meninas queriam rosa. E eu tinha um professor gay de matemática que chamava Ademir mas eu o chamava de Ademar pq Ademar é mais gay. E ele tinha um topete com um fiapo de cabelo sempre caindo na testa. E espinhas na cara, e morava com a mamãe. Um dia, eu fiz uma música pra ele, com a melodia de garota de ipanema: olha, que coisa mais feia, isso é que é bicha! É ela, putinha, que vem rebolando, vem dando e rodando bolsinha na esquinaaa HEUAHEUHAUHEUAHAUHEA ai gzus!
Lembro da vó da Samira, que era bruxa e a gente tinha certeza que ela fazia macumba e tinha galinha preta escondida em casa. Isso também antes da Samira ser mãe de família.
Lembro mais cedo ainda, na primeira série, quando conheci o Gustavo, que reencontrei na sexta série e no ensino médio. Aquele gustavinho loirinho de olho azul, que um dia me chamou de gostosa (na segunda série) hauhauha
Lembro do pré, que tinha a Rafaela e (outra) Samyra e a gente brincava tanto de balanço e de areia. E por tanto tempo eu tive medo de escorregador. E eu enxergava sempre a Samyra como uma menina andando no meio-fio, e desequilibrando. A conhecia desde antes de nascer, nas barrigas das nossas mães. E conhecia a essência. E isso também foi antes da Samyra ser mãe de família.
É, as coisas mudam, e rápido demais.
Num dia eu acordava e ia correndo lá fora pra ver se algum amiguinho já tinha acordado pra brincar de bola. Hoje, ligo o celular e acesso meus emails. Antes, a maior alegria era comprar chips da Elma pra ganhar tazo e aqueles trecos grudentos de jogar na parede. Escrever no papel a letra da música pra poder cantar junto... E quantas vezes acabei perdendo faroeste caboclo e escrevendo tuuudo de novo?! A época em que eu colocava a fita no rádio e ficava com o dedo no botão pra gravar quando tocasse aqueeela música do Sandy & Junior... E pular no sofá e ficar na piscina de plástico da vizinha da frente era o plano perfeito pra um domingo à tarde. Escutar as músicas em inglês e cantar tudo errado porque não tinha letras.terra... E esperar em frente à MTV pra poder assistir o clipe do Blink 182, porque nem existia youtube. A época em que novelas eram boas e eu brincava no meio da sala, assistindo. Assistir Rei Leão e se desmanchar em lágrimas, deitar na cama e dormir direto, sem pensar nas mil coisas que tinha pra fazer amanhã. Chegar em casa da escolinha, tomar mamadeira e apagar. Pular o balcão com a Rafa me fazendo pézinho, pra assitir fada bela, no pré. Devorar os livros do Pedro Bandeira na quinta série, saber de cor a ordem dos volumes da coleção Os Karas. Ler todos os livros da coleção Vagalume. Pollyana Menina e Pollyana Moça. Sítio do Pica Pau Amarelo e Reinações de Narizinho. Meu Pé de Laranja Lima. Tonico. O Menino do Dedo Verde.
Na adolescência, ouvir mil vezes Palavras ao Vento pensando nele e chorando baaaldes... No dia seguinte, já era outro o dono da música e o culpado pelas lágrimas. Hoje eu não sei mais ser assim.
Hoje eu penso as consequências, meço os passos. Queria ter a inocência de uma criança, o não-pensar no amanhã e nem calcular os erros, apenas cometê-los, assoprando o machucado caso caísse, e esperando pra arrancar a casquinha e logo substituir por outro tombo, com um machucado maior ainda. Da época que merthiolate ardia. Sair correndo por aí sem motivo nenhum. Ficar maravilhada quando sai fumacinha da boca no inverno. Inventar histórias debaixo de lençóis em forma de barraca, no meio da floresta amazônica. Só chorar por dor física, nem saber o que é doer o coração. Fazer desenhos de giz-de-cera com uma casa e uma árvore totalmente desproporcional, de tão pequena, e as pessoas tão grandes que nem passariam pela porta. Não existir perspectiva, tempo-espaço. Nem passado, nem futuro. Acordar pra um novo dia e ir correndo na geladeira pegar danoninho ice, porque a mãe não tá vendo, então posso tomar sorvete de café da manhã. Colocar a capa do superman e pular do sofá, fingindo que voa. Desenhar estradinhas no chão, com lojas e padarias e mercados e fingir que é uma cidade. Escrever de giz no chão e fingir que é a escola. Brincar de escolinha nas férias. Brincar de stop, de jogo da velha, barata no ar. Ser feliz.
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