Travesseiro, cê lembra quando eu te disse que eu tava me apaixonando por alguém por quem eu não devia estar me apaixonando?
Então, e agora eu tava ali na frente daquela piscina, à noite, com todas aquelas luzes e gente rindo e eu só via o sorriso dele naquelas águas.
E o corpo pedindo sono, cansado, mas a mente viajando pela voz, pelo jeito, por todas as manias que ele tem. Aquela idiotice de combinar o sapato cinza com aquela camisa brega cinza também com estampa atrás, que aparece através do jaleco.
Ai, que ódio dele limpando a garganta, e me chamando de querida, e abaixando pra falar comigo, ficar da minha altura, me olhar nos olhos. E que raiva de não conseguir conter o sorriso, e não conseguir senão desviar o olhar. E eu odeio perder a concentração e ficar imaginando mil e uma noites o que nós dois podemos ser de hoje em diante. E é um saco ele não poder chegar e falar, nem eu poder chegar e entender, e nem nós dois podermos dizer claramente. Tudo cala. Mas no silêncio fechado da noite, tudo ganha vida, no sonho que eu espero seja real um dia.
"O que acontece é sempre natural - se a gente tiver que se encontrar, aqui ou na China, a gente se encontra. Penso em você principalmente como minha possibilidade de paz - a única que pintou até agora, "nesta minha vida de retinas fatigadas". E te espero. E te curto todos os dias. E te gosto. Muito."
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