As nuvens carregadas começam a se juntar num céu preto. O vento é forte, faz barulho, mas não bota medo, pelo menos não mais. Eu deixei o tempo parar, pra poder sentir sem pensar... Talvez até sem sentir.
Eu descia as escadas e vi o boné preto. Eu sabia. Ele me olhou e os seus olhos pareciam mágica. Um show fechado ao público. O brilho e o sorriso e o coração que gritava. E eu sequer fingi espanto. Me sentia ceifando um sonho criado e fantasiado todas as noites, um sonho em que eu era parte, mas não queria atuar. E depois da minha frieza ele teve medo, e quis saber. E eu disse como disse por todas as outras vezes que não.
Não, eu não sei amar. Eu não vou entregar luas e estrelas e versos e carinhos a alguém, por mais que esta pessoa o faça por mim. Porque eu nunca pedi. Nunca dei razão.
E se a paixão é irracional, de que adiantou eu dizer que não tantas vezes?
Me senti segurando um coração estraçalhado, e as mãos que o seguravam eram as mesmas que o haviam matado.
Mas eu não vou cultivar sonhos quebrados. Desta vez, não me interessa a companhia e os sorrisos e o bom papo. Desta vez eu não vou construir algo pra destruir depois. Porque por mais que digam... eu, hoje, não consigo ver futuro. E não quero tentar.
A única coisa que passa diante dos meus olhos são as nuvens, correndo no vento, enegrecendo o céu. E só.
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